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Grupo Soluções Para Noites Sem Choro (solucoes.multiply.com)

Artigos e notas de livros

Blog EntrySep 20, '11 12:44 PM
for everyone
Quando o bebê chega aos seis ou oito meses de idade, começa a operar a angústia da separação que, geralmente, continua a se manifestar de uma forma ou outra até os cinco anos. Em breve o bebê começa a sentir pânico quando não vê sua mãe. É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. A mãe é o seu mundo, é tudo para o bebê, representa sua segurança.

 

Um pouco de compreensão

 

O bebê não está “chatinho” nem “grudento”. O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe e, se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver. O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema e, como adultos, aprendemos a controlá-lo com distrações cognitivas.

 

Se você não está, como ele sabe que você não foi embora para sempre?

 

Você não pode explicar que vai voltar logo, porque os centros verbais do seu cérebro ainda não funcionam. Quando ele aprender a engatinhar, deixe-o segui-la por todas as partes. Sim, até ao banheiro.

Livrar-se dele ou deixá-lo no cercadinho não só é muito cruel, também pode produzir efeitos adversos permanentes. Ele pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro.

Isso pode resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. Pouco a pouco, ele vai sentir-se mais seguro da sua presença na casa, principalmente quando comece a falar.

 

A separação aflige as crianças tanto quanto a dor física

 

Quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, tristemente, é isso o que fazem muitos pais. Não conseguem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

 

Às vezes, impulsamos nossos filhos a ser independentes antes do tempo

 

Nossas decisões como padres podem empurrar nossos filhos a uma separação prematura. Um exemplo seria enviá-los a um internato (1) pequenos demais. As crianças de oito anos ainda podem ser hipersensíveis à angústia da separação e ter muita dificuldade em passar longos períodos de tempo longe dos seus pais. Sua dor emocional deve ser levada a sério. O Sistema GABA do cérebro é sensível âs mais sensíveis mudanças do seu entorno, como a separação de seus pais. Estudos relacionam a separação a pouca idade com alterações desse sistema anti-ansiedade.

 

As separações de curto prazo são prejudiciais

 

Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo HPA do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta. É muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. Os estudos com mamíferos superiores revelam que os bebês separados de suas mães deixam de chorar para entrar num estado depressivo.

Param de brincar com os amigos e ignoram os objetos do quarto. À hora de dormir há mais choro e agitação. Se a separação continuava, o estado de auto-absorção do filho se agravava e lhe conduzia à letargia e a uma depressão mais profunda.

Pesquisas realizadas nos anos setenta demonstraram que alguns bebês cuidados por pessoas desconhecidas durante vários dias entravam em um estado de luto sofriam de um trauma que continuava a afligir-lhes anos depois. Os bebês estudados estavam sob os cuidados de adultos bem intencionados ou em creches residenciais durante alguns dias. Seus pais iam visitá-los, mas basicamente, estavam em mãos de adultos que eles não conheciam.

Um menino que se viu separado de sua mãe durante onze dias deixou de comer, chorava sem parar e se jogava ao chão desesperado. Passados seis anos, ele ainda estava ressentido com sua mãe. Os pesquisadores observaram a inúmeras crianças que haviam sido separadas de seus pais durante vários dias e se encontravam em estado de ansiedade permanente. Muitos passavam horas imóveis, olhando a porta pela qual havia saído sua mãe. Aquele estudo, em grande parte gravado em filme, mudou no mundo inteiro a atitude em relação às crianças que visitam suas mães no hospital.

 

Mas, não é bom o estresse?

 

Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”. O que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos.

Tradução de um capítulo do trecho O Choro e As Separações, do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland.

Tradução de Bel Kock-Allaman


Blog EntrySep 7, '11 1:47 PM
for everyone


"Uma vez que causas fisiológicas da cólica, como alergia ao leite ou obstrução intestinal são raras, os médicos muitas vezes sugerem mudanças comportamentais para ajudar os pais a lidarem com o choro excessivo do bebê. Os pediatras costumam sugerir alterar os horários das mamadas, embalar o bebê e mudar de posição. Eles sugerem distrair o bebê com sons ou imagens - passear de carro ou ligar uma música. E pesquisas mostram que algumas técnicas funcionam melhor que outras. Mais interessante é notar que alguns bebês acalmam-se mais facilmente que outros.

A prática mais recomendada é sugar, seja o seio, a mamadeira ou a chupeta. E mesmo assim pesquisas mostram que a gratificação oral ou o estômago cheio não são fatores decisivos.

Uma série de estudos com macacos feitos por Harry Harlow mostrou que, tendo escolha, um bebê macaco infeliz escolhe o conforto de uma boneca coberta por tecido macio a uma boneca de metal que fornece leite e a chance de sugar.

O que parece funcionar melhor é o contato humano. Peter Wolff, há muito tempo, demonstrou que pegar um bebê no colo funciona melhor que qualquer outra coisa para acalmar o choro.

Em outro estudo, os pesquisadores Bell e Ainsworth mostraram com uma amostra de 26 bebês que a resposta rápida e consistente da mãe ao choro está associada com uma diminuição na duração do choro do bebê.

Hunziker e Ronald Barr fizeram um teste com bebês que eram segurados no colo por tempos diferentes para ver se isso tinha ou não influência no tempo de choro. Eles recrutaram um grupo de pais e de bebês e pediram que metade carregasse o bebê no colo pelo menos por 3 horas por dia, fora o tempo das mamadas. Os outros foram orientados a não segurar os bebês por mais tempo do que o de costume. Quando os bebês tinham 12 semanas de vida, as mães trouxeram as informações que anotaram nos seus "diários de choro". Os pesquisadores notaram que as mães-controle carregaram os bebês em média 2.7 horas por dia e as mães do teste que seguraram os filhos em média 4.4 horas por dia, um aumento de somente 1,7 horas diárias. Os diários de choro mostram que durante o período de pico de choro (8 semanas de vida), os bebês dos dois grupos choraram com a mesma freqüência, mas aqueles que ficaram no colo por mais tempo choraram 43% menos na duração de cada episódio de choro. A freqüência do choro era a mesma, mas a duração caiu quase pela metade.

Interessante notar que, quando o mesmo procedimento foi tentado com bebês já rotulados como tendo "cólica", não fucionou tão bem. Os bebês não choraram menos. Talvez ser segurado no colo por mais tempo tenha mais efeito quando ocorre desde o nascimento.

Embora o tipo de leite e o total de leite administrado não pareçam afetar dramaticamente o choro do bebê, o tempo da mamada e a forma como a mamada é feita parecem ser de extrema importância para contornar o choro.

Comparando membros da La Leche League, que consiste de mulheres devotadas à amamentação em demanda com um grupo de mães que seguem um esquema tradicional americano de amamentar por horários estabelecidos (com horas entre uma mamada e outra), Barr e seus colegas exploraram a possibilidade de que o tempo entre as mamadas pode ter um efeito no choro.

Observando os dois grupos em casa e através dos diários do choro (escritos pelas mães), Barr e Elias descobriram que os bebês mais quietos eram aqueles alimentados em curtos intervalos e cujas mães respondiam prontamente ao seu choro. Muito interessante é que efetiva é a combinação entre mamada e resposta e não somente mamada. Todos os bebês das mães que davam de mamar em intervalos curtos mas eram lentas ao responder ao choro choravam muito. Em outras palavras, não é só a disponibilidade constante do leite que faz um bebê feliz, mas uma mãe que está engajada e responde prontamente ao chamado dele.

O que os bebês mais precisam, ou o que parece diminuir seu choro, é um pacote de cuidados que coloque seu mundo em ordem. E alguns bebês parecem chorar mais alto que os outros quando seu mundo está fora de ordem."
Tradução de Flávia O. Mandic

Do livro: Our Babies, Ourselves. De Meredith F. Small

Educando os especialistas- Lição 2: Necessidades

http://www.evolutionaryparenting.com/?p=387

Por Tracy G. Cassels

Tradução de Andréia Mortensen

Aviso: Me desculpo com antecedência pelo tom ‘seco’ desse artigo. Infelizmente, há situações em que a informação precisa ser transmitida e não há como usar de delicadeza. Mas prometo que o artigo com a lição número 3 terá uma linguagem mais ‘sexy’.  


Um dos mantras pregados por vocês que tentam “salvar o sono dos pais” é que uma criança que tem todas suas necessidades atendidas só chora para te manipular. Vocês afirmam que o choro é um mau comportamento e que precisa ser reprimido– pois você precisa mostrar ao bebê quem é que manda e que seu choro não vai resultar no que ele quer!

Entretando, se lembrarmos da lição número 1 http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=1122463&tid=5641849622478879557 Educando os especialistas- por que o bebê chora? Razões científicas porque treinamentos de sono não são recomendados

 O choro é a única forma de comunicação que bebês novinhos tem, então se o ignorarmos ou tentaremos reprimi-lo simplesmente estaríamos eliminando a única forma da criança nos dizer o que precisa. Ainda assim vocês dizem aos pais que, contanto que se certifiquem que a fralda está seca, que estão alimentados e quentinhos, que não há mais razões para o choro. Necessidades? Todas atendidas!
Então vocês dão permissão aos pais de deixarem seus bebês chorarem e de ignorá-los (ou de fazer outras coisas estúpidas como ficar no quarto olhando para eles mas sem permissã de tocá-los, de pegá-los no colo). 

Mas eu tenho uma pergunta para os tais especialistas que gostaria de uma resposta:  Mesmo que não estejam com fome, ou com frio, ou secos, já se sentiram tristes, ou assustados?

 Ou simplesmente sentiram a necessidade de contato humano?  Se responderam não, vocês estão mentindo, ou são psicopatas. A razão que nos sentimos assim é que nossas necessidades vão muito além das necessidades fisiológicas e, sem sombra de dúvida, para um bebê, as psicológicas e emocionais podem ser tão importantes como as fisiológicas para sua sobrevivência. Como vocês chegaram a essa visão tão limitada sobre as “necessidades” dos bebês?
Reconheço que é real que temos necessidades fisiológicas que precisam ser atendidas antes de consideramos as psicológicas e emocionais. Precisamos de água, comida e aquecimento para sobreviver. Mas há mais, e eu consigo admitir que essa visão não é ‘privilégio’ de vocês. Lamentavalmente vocês parecem ter usado mais algumas páginas do manual dos ‘behaviouristas’ handbook, para o desespero dos bebês…

Behaviourismo

Por muitos anos a teoria psicológica dominante foi a visão behaviourista liderada por John Watson, B.F. Skinner, e Edward Thorndike. 

Como comentado na lição número 1, por causa dos da crença dos behaviouristas no condicionamento, o behaviourismo também tem como base a noção de que todos bebês nasceram como uma ‘tábula rasa’ ou papel em branco. Como John Watson afirmou em sua famosa afirmação sobre 12 bebês:

Me dê uma dúzia de bebês saudáveis, nascidos a termo, e me permita criá-los do meu modo, que lhe garanto que posso fazê-los se tornarem qualquer tipo de especialista que eu selecione- medico, advogado, artista, comerciante, e até mendigo e ladrão. Não importam seus talentos, capacidades, vocações e carga genética.[1]

O que isso tem a ver com necessidades?  A base do behaviourismo é que não há algo como a introspecção; estados mentais eram irrelevantes sem comportamento [2], ou, como Skinner alegou, estados mentais eram absolutamente rejeitados [3].  Então, a visão da tábula rasa implica que as capacidades psicológicas dos bebês são diminuídas, se eles podem ser completamente moldados, não há muito com o que começar. A visão de que a criança aparentemente falha ao demonstrar fenômenos psicológicos foi usada como prova concreta de que elas simplesmente não ocorrem. Se não há estados psicológicos para competir, e somente aprendizado, então as únicas necessidades que os bebês tem são as fisiológicas. (Vale a pena notar que nem todos psicólogos ou até behaviouristas acreditavam nisso, mas esse visão se tornou mais proeminente e ganhou atenção das massas).

Por isso, e pelo fato de que o condicionamento não trabalha no sentido behaviourista, muitos conselhos sobre educação para os pais derivam dessa visão). Estados psicológicos dos bebês 

 Agora sabemos que a idéia de que os bebês não tem estados psicológicos ou emocionais é falsa. 
Bebês não tem o meta-conhecimento que a maioria dos adultos tem sobre seus estados psicológicos, mas ambos senso comum e pesquisas científicas demonstraram que bebês sentem estes estados regularmente e que a empatia e resposta dos pais aos bebês tem efeitos que vão além do que se pensa.
Na verdade, até os behaviouristas teriam que concordar que bebês experimentam emoções como medo, como demonstrado no experimento realizado por John Watson com o pequeno Albert (discussed na lição 1), em que o bebê foi condicionado a ter meto de ratos [4].  Então, se os bebês tem estados emocionais, qual o papel que os pais tem?
 Os pais que entendem o ’reflexive self’ (a noção de que podemos ter ciência de eventos mentais, emoções, etc e isso é diferente de SENTIR essas emoções) e usam esse entendimento na maneira que lidam com seus filhos, tem filhos que são tem apego mais seguro e que mostram melhor ciência de seus estados mentais mais tarde na vida dos que não tem esse apego firme com os pais [5]. 

Isto é, tratar um bebê sabendo que tem mentais e emocionais, não somente físicos, vai gerar um apego maior entre pais e filhos, e ajudará a criança a entender seus proprios estados emocionais no futuro ( isso não deveria ser surpreendente, mas por alguma razão essa não é uma visão comum).  

Mais evidências focalizando nos estados psicológicos e mentais dos bebês e na relação com o comportamento de seus pais vem do Paradigma da face imóvel [6].  Veja video sobre isso aqui- http://www.youtube.com/watch?v=apzXGEbZht0

Neste paradigma, pais estão face-a-face com seus bebês, interagindo com eles, quando a mãe para de interagir e mantém uma face imóvel, sem expressar nenhuma emoção, e então após um tempo finalmente re-inicia a interação com o bebê. Durante o comportamente onde sua face está imóvel, os bebês mostram efeitos negatives que aumentam com o tempo, como rejeição, caretas, tenta agarrar a si próprio, e choro (entre outros).  Os motivos da criança mudar seu comportamento tem importância fundamental e há hipóteses com explicações.

Uma é que a mãe transgride as expectativas do bebê de comportamento e por isso fica angustiado.
Uma segunda hipótese é que a mãe parou de fornecer encorajamentos sensoriais importantes para o bebê conseguir regular seu proprio estado afetivo e social [7]. 

Pesquisas mostram que a segunda interpretação faz mais sentido, já que simpoesmente tocar o bebê durante a fase de rosto imóvel reduz o estresse que o bebê tipicamente apresenta [8][9][10]. Então, argumento que nós somos forçados a aceitar a noção de que não somente bebês tem estados psicológicos, mas a maneira com que nós interagimos com nossos filhos afetam esses estados profudamente, positivamente ou negativamente. Indo além, vamos considerar que tipos de estados psicológicos são relevantes como necessidades.
 O mais comum é se referir ao estresse infantil como necessidade de conforto, então a maior parte do que iremos discutir se refere a isso. Entretanto, eu seria negligente se sugerisse que essa necessidade é a única. Bebês precisam de estímulos sociais em qualquer estado emotivo, como o paradigma da face imóvel sugere; esses bebês estão felizes enquanto há interação e então tentam muito angariar a atenção de seu cuidador para retornar a este estado de social interação. Interessantemente, neste paradigma, mesmo após a volta da interação da mãe com o bebê, o padrão de excitação do bebê são estranhos– enquanto que o afeto positivo volta rapidamente, o afeto negativo não desaparece por um bom tempo, com aumento do choro por causa do evento negativo breve [11].  Este aspect provará ser mais importante na outra lição, mas isso demostra que a necessidade de reduzir o afeto negative no bebê pode demorar- não é uma resposta instantânea. Quais são as necessidades humanas?                          

                                         Mesmo durante o reino do behaviourismo na psicologia, a teoria do desenvolvimento humano estava sendo formada, o que teria um longo alcance. Abraham Maslow, pensando nas linhas de Freud e Erickson, desenvolveu um estudo sobre estágios do desenvolvimento psicológico humano.  Uma informação interessante e relevante é que seu foco foi no estudo das necessidades humanas.
A Hierarquia das Necessidades de Maslow enfatizou a visão de que, como humanos, temos níveis de necessidades e que somente quando um nível de necessidades é satisfeito podemos ter o ímpeto de satisfazer a próxima [12][13].  Geralmente interpretada na forma de pirâmide, os níveis são os seguintes (começando da última no fundo, ou da mais básica, até o topo):

  a)      Fisiológicas: respirar, comida, água, sexo, excreção, homeostase
 b)      Segurança: segurança pessoal e financeira, seguro saúde, doença e para acidentes c)       Amor e Relações afetivas: relações primárias na vida (família, amigos, romance)– note que na infância essa necessidade pode vir ANTES do item b, segurança. 
d)      Estima: respeito, aceitação e valorização dos outros
e)      Auto-realização: compreender e cumprir um potencial pleno na vida

As primeiras 4 necessidades são referidas como necessidades de deficiência, porque são, na visão de Maslow, necessárias. Enquanto que a primeira é necessária para a simples sobrevivência do organismo, a segunda, terceira e quarta são também necessárias e Maslow argumenta que, sem elas, indivíduos se sentiriam psicologicamente privados (o que inclue tensão, ansiedade, depressão).

Outros pesquisadores testaram essa teoria e confirmaram os resultados, sugerindo que nosso bem-estar está intrinsicamente ligado a nossa capacidade de suprir essas necessidades [14]. Sim, é verdade que existiram críticas a hierarquia de Maslow[15], mas não houve críticas que sugeriram que essas necessidades NÃO eram necessidades mesmo.

Por exemplo, houve críticas sobre a natureza da hierarquia, alguns sugeriram que não havia necessidade de hierarquia para representar essas necessidades, enquanto que outros sugeriram que a hierarquia é dependente do contexto cultural (e então a terceira necessidade- amor e relações afetivas- seria mais superior em culturas de coletivismo).  Mas seria muito difícil achar um indivíduo hoje que assuma que humanos, até bebês, não tem necessidades que não as físicas. Espero que a este estágio vocês já aceitaram que as necessidades psicológicas e emocionais são reais e acontecem no mundo todo. Que assumir que somente o primeiro nível de necessidades fisiológicas tem importância quando se trata de bebês é ignorar todas as pesquisas científicas (e senso comum) que demostra que há muito mais no bem-estar do que simplesmente estar alimentado, seco e não ter dor física.  Importância das necessidades Fisiológicas e Emocionais Assumindo que nós estamos de acordo com necessidades psicológicas não são as únicas, a próxima questão é discutir o que acontece quando essas necessidades psicológicas e emocionais não são atendidas?  Aqui vou descrever 4 áreas de pesquisa que ajudam a demonstrar as consequências muito reais de ignorar as necessidades psicológicas e emocionais de nossos bebês.

   a)      Crianças em orfanatos no início para a metade do século 20. 
Nossos melhores entendimentos dos efeitos de privação das necessidades emocionais e psicológicas vêm de estudos de indivíduos que cresceram em ambientes em tais ambientes e comparando-se com outros que tiveram suas necessidades atendidas. Isto é difícil de fazer, já que não se pode forçar uma criança numa situação que lhe prejudicará, mas, infelizmente, há situações que existiram que permitiram que esse tipo de pesquisa fosse feita. Por muitos anos, bebês colocados em cuidados institucionalizados, foram cuidados da maneira mais básica– eles eram segurados para se alimentarem, então trocados, e alguns tinham alguns móbiles para olhar– mas raramente eles eram estimulados socialmente e certamente não tinham suas necessidades de conforto emocional atendidas. Eles choravam e eram deixados chorando sem consolo em parte por causa da crença de que somente suas necessidades físicas tinham que ser atendidas. Mas algo estranho estava acontecendo… bebês estavam falecendo.

Na primeira parte do século 20, foram relatados que perto de 90% de bebês em orfanatos estavam morrendo, e os 10% que sobreviviam estavam recebendo algum tipo de cuidado de fomento (pais ‘foster’)[16].  Crianças que não morreram em orfanatos mostraram disfunções psicosociais (isto é, problemas de saúde mental) em estudos feitos na metade do século 20, além de estresse e doenças crônicas [17]. 

Notavelmente, tão logo que os orfanatos providenciaram conforto como parte dos cuidados básicos para os bebês, as taxas de mortalidade e morbidade diminuiram dramaticamente [18].

b)      Relatório de John Bowlby sobre ‘Cuidados maternos e saúde mental’ [19]. 

No final da Segunda Guerra Mundial, a OMS se mostrou extremamente preocupada com o que se mostrou ser resultados negativos da guerra nas crianças do leste europeu. Devido as trabalhos acadêmicos e clínicos de Bowlby nas crianças com problemas e efeitos das institucionalizações no desenvolvimento (que ele descobriu serem problemas mentais associados com a falta de necessidades emocionais e psicológicas atendidas), ele foi contratado para escrever um relatório sobre Saúde Mental das crianças sem teto e orfãs do Leste Europeu. Nesse relatório foi incluído que crianças precisam de uma relação íntima e segura, e contínua com sua mãe ou uma mãe substituta, e que a falta desse tipo de relacionamento  pode ter consequências sérias e irreversíveis para sua saúde mental. Ele notou que as necessidades sociais não são secundárias as necessidades físicas, mas que são igualmente primárias.

Bowlby foi um dos primeiros a argumentar que o relacionamento pela alimentação não era a maneira primária que a mãe afetava o bem-estar de seu bebê, mas sim a intimidade entre ela e seu bebê ao oferecê-la conforto era mais importante! A monografia, que foi altamente criticada na época, porque muitas pessoas argumentaram quye uma relação forte entre pai e filho não era necessária para o bem estar da criança ou que o amor maternal não era necessário.
A parte da alimentação, entretanto, foi a mais criticada na época, já que muitas pessoas acreditavam que só por atender uma necessidade física da criança já se estabeleceria um vínculo entre pai e filho, ou que contanto que a criança estivesse alimentada, não importava o que mais acontecesse. Mais pesquisas, includindo os trabalhos de Bowlby e Ainsworth a na teoria do apego, iriam silenciar muitas dessas críticas (embora é óbvio que não todas!), e hoje não há dúvida que falta de uma relação entre pai e filho ou falta de amor maternal e paternal resulta em deficiências de saúde mental. 

 c)       Uma criança de 2 anos vai para o Hospital.

Em 1953, James Robertson produziu um documentário sobre o que acontece com uma criança que tem que ir ao hospital e portanto sofre com separação maternal. Esse é um filme que quebra o coração que é agora mostrado em quase todos cursos sobre Psicologia do desenvolvimento.
A motivação de fazer esse filme foi que, na época, a visitação de crianças em hospitais era muito limitada, e durante seu trabalho como psicoanalista ele observou o comportamento das crianças após a separação. Os médicos que tratavam os problemas psicológicos observaram crianças novas (Robertson focalizou nas crianças menores de 3 anos) protestarem no início, mas também observaram que logo, logo, elas se tornavam obedientes e quietas (parece familiar, especialistas?). 

O que Robertson observou após anos de estudo das crianças de uma perspective psicológica foram 3 fases de resposta: Protesto, desespero, então Negação/ Desapego[20]. O filme foi feito para mostrar evidências desse trauma e é centralizado na menina Laura, de 2 anos de idade, que vai para o hospital para uma pequena operação, mas tem que ficar 8 dias no hospital. Se você conseguir achar o filme e conseguir assistí-lo (pois você VAI chorar), você testemunhará uma criança que é muito nova para entender a ausência de sua mãe e que chora e chora por ela regularmente, mas que é forçada a encarar essa experiência muito assustadora e dolorosa, por conta própria. Ela finalmente se aquieta e “se ajusta” como os medicos dizem, mas uma vez que sua mãe retorna, o que vemos é uma Laura desajustada. Ela permanece distante, mesmo de sua mãe, mostrando sinais de ter sofrido um trauma massivo. Não há nenhum seguimento da vida de Laura, mas o filme é a razão porque muitos hospitais mudaram suas regras de visitação/permanência de parentes de crianças. Análises mais profundas das afirmações de Robertson demonstraram que era verdade que as mudanças nas políticas hospitalares eram absolutamente necessárias.

d)      Os macacos de Harry Harlow. 

Por causa do trabalho de John Bowlby e o filme de Robertson e a perda de cuidados maternais, Harlow decidiu estudar mais a fundo quais elementos cruciais das mães que estava dando resultados tão negativos relatados por Bowlby e Robertson.  Em estudos que jamais passariam nos comitês de ética atualmente, Dr. Harlow estava motivado a descobrir qual o peso relativo do elemento ‘comida’ e do elemento ‘conforto’ maternais. 

 Para fazer isso, Harlow separou macacos bebês de suas mães no nascimento e colocou-os com 2 tipos de mães substitutas. No experimento mais marcante uma mãe era de ferro e tinha comida para o macaquinho, enquanto que a outra era de pano e foi projetada para dar alguma forma de conforto ao macaquinho. Muitas pessoas acharam que o macaquinho passaria a maior parte do tempo com a mãe de ferro que dava comida, mas exatamente o oposto aconteceu! Os macaquinhos iam a mãe de ferro quando estava com fome, mas passavam a maior parte do tempo com a mãe de pano. E quando alguma coisa negativa ou assustadora acontecia, eles se agarravam as mães de pano para se protegerem e se confortarem. Quando os macaquinhos foram transferidos a novos ambientes com sua mãe de pano, eles usavam-a como base de exploração. Se não havia nenhuma mãe presente (de ferro ou pano), os macaquinhos se tornavam irregulars, erráticos, perturbados e violentos. Eles mostravam medo do ambiente e não tinham base segura para explorar; e somente a  mãe de pano ofereceu lhes deu a fundação psicológica.

 Em resumo, apesar de terem suas necessidades fisiológicas imediatamente satisfeitas com a mãe de ferro, somente a mãe que lhe deu conforto (embora não satisfatório) é que lhe providenciou o conforto psicológico necessário para que os macacos lidassem com novas situações.

Essas pesquisas então demonstraram que falhar ao  atender as necessidades psicológicas e emocionais dos bebês resulta em déficits sociais dramáticos, problemas físicos mais tarde na vida, e até a morte.

Eu sei que a maioria de vocês diria que hoje em dia esses pais que seguem conselhos de seus livros não estão passando por circunstâncias extremas. E vocês estão certos. Mas, ao saber o que acontece em casos extermos, podemos ser capazes de entender alguns dos efeitos mais sutis que podem acontecer de uso moderado desses comportamentos. É importante lembrar que esses efeitos não acontecem numa escala móvel- não é TUDO ou NADA – e que efeitos de negligências regulares de alguns dos elementos psicológicos e emocionais terão efeitos a longo prazo e de longo alcance nas crianças.

Resumindo … apesar das melhores tentativas dos behaviouristas de nos fazer acreditar que os bebês são realmente tábulas rasas sem estados psicológicos,  sabemos que isso não é verdadeiro. Bebês podem não ter uma consciência complete dos seus estados interiores, mas eles sentem e experienciam o mundo socialmente e estes estados são sem dúvida tão importantes como seus estados físicos.

Pesquisas mostraram que falhar ao atender essas necessidades psicológicas e emocionais pode levar a deficiências mentais severas, doenças e até morte.

Portanto, são ridículos e prejudiciais aos bebês conselhos que insinuam que todas necessidades do bebê estão atendidas porque a fralda está trocada e estão alimentados. Então o que podemos fazer? 

Bem, isso será discutido na lição número 3, com enfoque na importância do toque.

  [1] Watson JB. Behaviorism (1930).  Chicago: University of Chicago Press. Pp 82.
[2] Watson JB. Psychology as the behaviorist views it. Psychological Review (1913); 20: 158-177.
[3] Skinner BF. About Behaviourism (1974). Cape.
 [4] Watson JB & Rayner R. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology (1920); 3: 1-14.
[5] Fogany P, Steele M, Steele H, Moran GS, & Higgitt AC. The capacity for understanding mental states: The reflective self in parent and child and its significance for security of attachment. Infant Mental Health Journal (1991); 12: 201-218.
 [6] Tronick EZ. Emotions and emotional communication in infants. American Psychologist (1989); 44: 112-126.
[7] Stack DM & Muir DW. Tactile stimulation as a component of social interchange: New interpretations of the still-face effect. British Journal of Developmental Psychology (1990); 8: 131-145.
[8] Gusella JL, Muir DW, & Tronick EZ. The effect of manipulating maternal behaviour and interaction in three- and six-month-olds’ affect and attention. Child Development (1988); 59: 1111-1124.
[9] Stack DM & Muir DW. Adult tactile stimulation during face-to-face interactions modulates five-month-olds’ affect and attention. Child Development (1992); 63: 1509-1525.
 [10] Stack & Muir (1990).
[11] Weinberg MK & Tronick EZ. Infant affective reactions to the resumption of maternal interaction after the still-face. Child Development (1996); 67: 905-914.
[12] Maslow AH. A theory of human motivation. Psychological Review (1943); 50: 370-396. [13] Maslow AH. Motivation and Personality (1954).  New York: Harper.
[14] Hagerty MR. Testing Maslow’s hierarchy of needs: National quality-of-life across time. Social Indicators Research (1999); 46: 249-271.
[15] Gratton LC. Analysis of Maslow’s need hierarchy with three social class groups. Social Indicators Research (1980); 7: 463-476.
[16] Montague A & Matson F. The Human Connection (1979). New York: McGraw-Hill.
 [17] Sigal JJ, Perry JC, Rossignol M, & Ouimet MC. Unwanted infants: Psychological and physical consequences of inadequate orphanage care 50 years later. American Journal of Orthopsychiatry (2003); 73: 3-12.
 [18] Montague & Matson (1979).
[19] Bowlby J. Maternal care and mental health. World Health Organization (1951).
[20] Robertson J. Some responses of young children to loss of maternal care. Nursing Times (1953); 49: 382-386.

Fonte: http://www.evolutionaryparenting.com/?p=360

Por Tracy Cassels, estudante, mãe e autora de evolutionaryparenting.com. Tem bacharelado em Ciências Cognitivas pela Universidade de Califórnia, Berkeley e mestrado em Psicologia Clínica pela Universidade de British Columbia. Atualmente termina seu doutorado em Psicologia do Desenvolvimento com pesquisa focalizada nos fatores que contribuem ao comportamento de empatia nas crianças. Reside em Vancouver, Canadá com sua filha e marido.  
Tradução de Andréia Mortensen

Comentários sobre os livros: Bed Timing: The "When-to" Guide to Helping Your Child to Sleep de  Marc D., Ph.D. Lewis e  Isabela, Ph.D. Granic (2009).

Save our Sleep Revised Edition de Tizzie Hall (2009)

Secrets of the Baby Whisperer por Tracy Hogg com Melinda Blau (2001). Em português: A Encantadora de Bebês Resolve Todos os seus Problemas.  


Vocês se auto denominam “encantadores de bebês” e “especialistas” em como fazer os bebês dormirem, e escrevem livros ensinando aos pais como cuidarem detalhadamente de seus filhos.

Entretanto, parece que vocês precisam de um belo refinamento em sua formação/educação. Olha, quando vejo uma mãe comprando seus livros, ou ouço suas aparições na TV dando seus ‘conselhos’, fico com coração partido pelos filhos dos pais que estão seguindo seus conselhos cegamente. Vocês fazem afirmações que não deveriam ser feitas, e os pais estão seguindos suas recomendações sem saber disso e com esperança de que estão fazendo o melhor para seus filhos. E vocês o fazem sem nenhuma consideração a uma super abundância de evidências científicas que sugerem que seus métodos não estão apenas equivocados, mas podem realmente prejudicar os bebês.

 Eu pensei, dado o fato de que sou candidata a PhD em psicologia do desenvolvimento com acesso a todos artigos científicos peer-reviewed que existem, em oferecer algumas lições grátis (palavra que vocês raramente usam) sobre vários tópicos de educação que vocês tanto gostam de escrever.

A princípio pensei que seria uma lição única cobrindo todos aspectos, mas percebi que resultaria numa matéria muito longa- obviamente que vocês precisam de tempo para integrar tudo e aprenderem a pararem de pregar para o povo novamente. Então farei-o em várias lições, cada uma cobrindo um tema.

Onde começar? Pensei em falar sobre o choro. Dada sua missão global de fazer os bebês pararem de chorar durante o dia ou noite, parece que vocês precism de um pouco mais de entendimento de por que bebês choram e o que significa um bebê que não chora. Então vamos começar.

Por que o bebê chora?  
A resposta simples é que eles estão comunicando alguma necessidade. A resposta mais complexa começa com o fato de que o choro é a única forma de comunicação que bebês novos tem, e que a evolução se deu de tal forma que os pais querem atender o choro. Irrita seus ouvidos e quebra seu coração de tal modo que você tem o impulso de atender as necessidades do bebê imediatamente, e NÃO te dá o impulso de ignorar o choro na esperança que ele pare.
Não interessa se você está dormindo ou não, ou se teu bebê estava dormindo, fisiologicamente um bebê chorará quando necessita de algo, a menos que: a) ele ou ela tenha sido treinado para não chorar, ou b) o bebê esteja num estado fisiológico que reduziria sua capacidade de chorar. Todos vocês, não importa se alegam ser favoráveis ao método de deixar o bebê chorando sem consolo para treiná-lo a adormecer sozinho ou não, sugerem formas de deixar o bebê chorando. E todos vocês promovem maneiras de "treinar" seu bebê para não chorar.
Então na verdade vocês propõem ignorar as necessidades do bebê e treiná-los a parar de comunicá-las a você. Para prosseguir devemos estar claros nessa questão, pois é crítico que entendam o papel chave que o choro desempenha na vida de uma criança. Entretanto, a questão ‘por que os bebês choram’ é bem simples. A maioria das pessoas tem consciência que é pelo choro que as mães irão trocar as fraldas ou amamentarem o bebê mesmo se acabaram de mamar, tudo para tentar atender suas necessidades. A verdadeira pergunta que deve ser feita é: o que significa quando uma criança não chora ou para de chorar? Por que um bebê parar de chorar?
Vocês tem esta resposta em todos seus conselhos, métodos de treinamento, sites e livros. Vocês supõem que porque um bebê para de chorar, ele ou ela estão bem. Ou se depois de duas semanas um bebê não chora mais antes de adormecer, ele ou ela aprendeu a rotina sugerida. Mas, infelizmente, para os bebês que têm que suportar os conselhos que vocês dão, esse não é o caso.

Então por que bebês realmente param de chorar?   
 a) A melhor resposta para o bebê é que suas necessidades foram atendidas. O bebê estava com fome e mamãe o amamentou. Bebê estava com fralda molhada e mamãe lhe trocou. A parte fascinante disso é que, ao atender as necessidades do bebê prontamente, há uma redução no choro a longo prazo de uma forma saudável. Mary Ainsworth e Silvia Bell, duas psicólogas do desenvolvimento, fizeram um estudo longitudinal na década de 70 na Universidade Johns Hopkins, e analisaram como mães responderam ao choro do bebê e como isso afetou seu comportamento a longo prazo [1].

O que elas descobriram foi que o quão mais rápido as mães responderam ao choro do bebê (não importando o quão efetiva foi sua tentativa de reduzir o choro num momento em particular), menos a criança chorava mais tarde. E mais, também descobriram que o contato maternal íntimo (ou seja, toque), foi a forma mais efetiva de parar o choro num dado episódio. Em resumo, quando suas necessidades foram atendidas os bebês pararam de chorar. E ainda mais, quanto mais responsivo o pai ou mãe forem ao choro do bebê, menos a criança chorará no futuro. Indo além, uma grande quantidade de pesquisas científicas sobre a teoria do apego demonstra que quanto mais responsivo o pai ou mãe são no primeiro ano de vida da criança, melhor será o apego e portanto melhor sua relação [2][3][4][5].

Em sintonia com esses pensamentos vem as pesquisas de Dymphna van den Boom, que trabalhou com mães de bebês de 6 meses que choravam bastante. Um grupo de mães foi orientado a aumentar a resposta positiva e a sensibilidade ao bebê e o outro foi o grupo controle [6]. No fim do terceiro mês ela descobriu que as mães do grupo experimental ficaram mais sensíveis, responsivas e estimulavam mais os bebês do que que mães no grupo controle. Além disso, os bebês desse grupo se mostraram mais sociáveis, tiveram maior interesse em explorar o ambiente e de se auto-confortar, e também choraram menos que o grupo controle. Estes efeitos de respostas maternas positivas no comportamento da criança também se extenderam a longo prazo, de acordo com as pesquisas de Maayan Davidov e Joan Grusec em crianças de 6-8 anos que relacionam maior responsividade materna ao estresse com maior nível de empatia e comportamento social nessa idade [7].

 Por que isso acontece? Bem, vocês estão certos sobre uma coisa- bebês aprendem e eles aprendem rápido. O que vocês estão errados é sobre o que eles aprendem. Quando novinhos, a única coisa que bebês realmente internalizam é o sentiment de serem atendidos e cuidados ou não, e isso terá uma grande influência no seu comportamento no futuro, o que inclue choro, empatia e solicitude. Nós só podemos saber o que aprendemos, então uma criança que aprendeu amor e compaixão e sensibilidade vai passer para frente esse tipo de comportamento, enquanto que a criança que conhece negligência simplesmente resignará a si mesmo. Vamos continuar discutindo essa questão.   

 b) Uma segunda razão que o bebê pode não chorar é se há uma razão fisiológica ou física que o impede de chorar. A razão mais comum é uma mudança drastica na temperatura, especificamente super-aquecimento. O bebê super aquecido irá chorar até certo ponto, mas conforme a temperatura aumenta, as chances de chorar diminuem porque o corpo direciona as energias para tentar regular a temperatura, o que resulta em aumento ainda maior na temperatura e perigo para o bem estar do bebê. Um de vocês (especificamente Tizzie Hall, no livro Save our Sleep, 2009), promoveu que colocar várias camadas de roupa no bebê preveniria-os de acordar a noite, sob a suposição que bebês despertam porque eles estão com frio (não por causa das necessidades nutricionais e de conforto da amamentação). Os riscos de de superaquecer, ou hiperthermia, incluem convulsões, coma, danos neurológicos e morte [8]. Um caso clínico nos anos 70 mostrou que as doenças severas em 5 bebês (dos quais 4 faleceram) tinham um quadro de febre, choque, e convulsões antes de morte, com causa clínica mais provável devido ao super-aquecimento por uso de muitas camadas de roupa [9]. Hás evidências também que sugerem que hiperthermia tem um papel na Síndrome da morte súbita do berço (SIDS) [10][11][12]. É importante então lembrar-se da regra geral que bebês devem ter só mais uma camada de roupas que os adultos. Ao promover práticas que levam crianças ao super aquecimento, não se diminui somente sua capacidade para chorar, mas se aumenta o risco de morte.

 c) Finalmente, a razão mais provável de uma criança parar de chorar durante o processo de treinamento de sono é que ele ou ela desistiu ou aprendeu que não será atendida. Se você vê um bebê chorando como uma criatura manipuladora (como a maioria de vocês vêem), então achará positivo esse resultado da desistência do choro. Na verdade, essa era a visão vigente de comportamento infantil na metade do século 20, quando os pais foram orientados a não atender o choro e carregar seus bebês no colo com receio de ‘estragá-los’ e criarem pequenos tiranos [13].
Essa visão se alastrou uma vez que a teoria do aprendizado se tornou o leme na psicologia, quando demonstrou-se que as pessoas se comportam conforme recompensas e castigos que recebem. John B. Watson foi o primeiro psicólogo a promover o behaviorismo como uma forma de aprendizagem e o primeiro a extender essa teoria para a infância com seu famoso experimento com o 'pequeno Albert'.

Esse experimento foi um caso clínico demonstrando o condicionamento clássico (exatamente o que você todos propõem em seus livros) num bebê de 8 meses. Neste estudo, o menininho é condicionado a ter medo de ratos brancos. Para fazer isso, o bebê foi levado a uma sala e sentou num tapete enquanto que um rato branco de laboratório passeava livremente.  

No início, o menininho não mostrou nenhum medo do rato. Quando ele tentou tocar o rato, Watson e sua assistente, Rayner bateram com um martelo numa barra de aço, fazendo um barulhão que fez Albert ficar com medo e chorar. Continuaram com esses testes, a cada tentativa de Albert de tocar o animal, eles batiam na barra de aço e assustavam o bebê. Eventualmente, o bebê Albert tenta escapar do rato, mostrando que ele foi condicionado a ter medo do animal. Surpreendentemente, duas semanas mais tarde, Albert mostrou medo de qualquer objeto peludo, mostrando que seu condicionamento tinha sido generalizado e permanente [14]. Baseado no seu trabalho e na crença forte no behaviorismo, Watson também escreveu sobre como educar crianças [15]. Seu foco foi que os pais deviam manter uma distância emotiva dos filhos para não estragá-los. Foi seu trabalho que levou à idéia generalizada de que não se devia tocar a criança com muita frequência (lamentavelmente ele mais tarde admitiu que ele se arrependeu de escrever sobre comportamento infantil porque ele mesmo compreendeu que ele não sabia suficiente sobre isso. Mas o dano já tinha sido feito)

Então você pode ensinar seu filho a não chorar condicionando-o a não chorar. Não respondendo seus choros lhe ensina que o choro não vai resultar em obter o que ele precisa. Enquanto todos vocês vêem isso como algo positive, tem uma consequência muito séria- desamparo aprendido.

O conceito de desamparo aprendido foi concebido por Martin Seligman em resposta ao behaviorismo. Seligman tinha feito trabalhos com cães e achou que eles não estavam se comportando da maneira que o behaviorismo prediz quando eles deveriam estar condicionados [16]. Especificamente, ele testou cães que foram condicionados a choques elétricos.
Em grupos, os cães foram amarrados juntos de modo que só um tinha controle no final dos choques elétricos; ao outro cão o final do choque eram randômico. Seligman e Maier, seu sócio nestas experiências, descobriram que o grupo de cães que não tiveram controle sobre o final dos choques exibiu comportamento muito parecido com depressão clínica em adultos. Além disso, quando estes cães foram então apresentados a uma situação que eles tinham controle, eles falharam em controlar- eles simplesmente sentaram-se e desistiram. Estes resultados foram duplicados com outros animais, inclusive bebês (embora num paradigma benigno) [17], todos com os mesmos resultados – uma vez que animais e bebês aprendem que não tem controle, eles param de tentar influenciar ao seu redor, chamar atenção, mesmo que o ambiente mude.

Choro sem consolo, rotinas rígidas, e comportar-se com a criança como se ela fosse manipuladora, levará à remoção de controle que uma criança tem sobre o seu ambiente. Chorar é a única forma de controle que um bebê tem e seu choro deve ser tratado com o respeito nós mostraríamos a outro adulto numa conversa sobre o que eles necessitam. E apesar de que experimentos que possam danificar a criança não foram feitos por uma questão ética, o psicólogo Dr. Kevin Nugent descobriu muitos sintomas depressivos em bebês cuja comunicação com seu pais é deficiente. Pais que não podem responder ou que são simplesmente não-responsivos as tentativas da criança de se comunicar tem bebês que exibem sinais clássicos de depressão grave [18].

 Em resumo, não responder as tentativas do bebê de comunicação irá resultar no mínimo numa desistência e possivelmente comportamento de desamparo aprendido a longo prazo. Esse tipo de não-choro é prejudicial para o bem estar psicológico do bebê a longo prazo, não importando o quão benéfico possa ser para pai e mãe no presente momento.


Conclusões  
Espero que vocês tenham aprendido que: a) choro é simplesmente uma forma de comunicação e é a única que o bebê tem, e... b) que todas as formas de choros não são semelhantes. Bebês devem aprender que eles tem controle sobre seu ambiente e podem efetivar mudanças em suas vidas; eles também precisam saber que eles são amados e cuidados.

Eles não manipulam seus pais- na verdade, eles são incapazes de fazerem, e os trabalhos de Mary Ainsworth demonstraram que o choro está muito longe de ser uma forma de manipulação, mas é uma de iniciar comunicação entre bebê e cuidador e é essa comunicação que leva a diminuição natural do choro conforme o tempo [1][2].

E mais importante ainda é que vocês compreendam que simplesmente porque um bebê parou de chorar- como tão reconhecido que o treinamento de sono produzirá o cessar do choro- é que isso não é uma boa coisa.
Na verdade, o único tipo de final de choro que é bom é aquele que resulta do atendimento das necessidades da criança. O resto é simplesmente preparer a criança para ou risco de doenças ou morte (hiperthermia) ou prejuízo psicológico (desamparo aprendido). (Note que há também dano neurológico mas chegaremos lá quando discutirmos outras técnicas de choro sem consolo.) Claro, isso nos leva ao segundo tópico da série que será: Quais são as ‘necessidades’ dos bebês?
 O maior paradigma em seus programas de rotina e treinamento é que, se o bebê tem suas necessidades físicas atendidas, tudo bem deixá-lo chorando. Mas, você estão errados, então fiquem ligados no próximo artigo…

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[1] Bell SM & Ainsworth MSD. Infant crying and maternal responsiveness.  Child Development (1972); 43: 1171-1190.
[2] Ainsworth MDS. The development of infant-mother attachment. In BM Caldwell & HN Ricciutti (Eds.), Review of child development research (1973) (Volume 3, pp 1-94); Chicago: University of Chicago Press.
[3] Egeland B & Farber EA. Infant-mother attachment: Factors related to its development and changes over time. Child Development (1984); 55: 753-771.
[4] Isabella RA & Belsky J. Interactional synchrony and the origins of infant-mother attachment: A replication study.  Child Development (1991); 62: 373-384.
[5] Isabella RA, Belsky J, & von Eye A. The origins of infant-mother attachment: An examination of interactional synchrony during the infant’s first year. Developmental Psychology (1989); 25: 12-21.
[6] van den Boom DC. The influence of temperament and mothering on attachment and exploration: An experimental manipulation of sensitive responsiveness among lower-class mothers of irritable infants.  Child Development (1994); 65: 1457-1477.
[7] Davidov M & Grusec JE.  Untangling the links of parental responsiveness to distress and warmth to child outcomes.  Child Development (2006); 77: 44-58.
 [8] Waldron S & MacKinnon R. Neonatal thermoregulation. Infant (2007); 3: 101-104.
 [9] Bacon C, Scott D, & Jones P. Heatstroke in well-wrapped infants. The Lancet (1979); 313: 422-425.
[10] Nelson EAS, Taylor BJ, & Weatherall IL. Sleeping position and infant bedding may predispose to hyperthermia and the sudden infant death syndrome.  The Lancet (1989); 333: 199-201.
[11] Ponsonby AL, Dwyer T, Gibbons LE, Cochrane JA, Jones ME, & McCall MJ. Thermal environment and sudden infant death syndrome: case-control study. British Medical Journal (1992); 304: 277.
[12] Kleemann WJ, Rothamel T, Troger HD, Poets CF, & Schlaud M. Hyperthermia in sudden infant death. International Journal of Legal Medicine (1996); 109: 139-142.
 [13] US Children’s Infant Bureau pamphlets (1924).
 [14] Watson JB & Rayner R. Conditioned emotional reactions. Journal of Experimental Psychology (1920); 3: 1-14.
[15] Watson JB. Psychological care of infant and child (1928). New York: WW Norton Company Inc.
[16] Seligman MEP & Maier SF. Failure to escape traumatic shock. Journal of Experimental Psychology (1967); 74: 1-9.
[17] Watson J & Ramey C. Reactions to response-contingent stimulation in early infancy.  Revision of paper presented at biennial meeting of the Society for Research in Child Development.  Santa Monica, CA, March 1969.
[18] http://www.irishtimes.com/newspaper/health/2011/0726/1224301372540.html (Accessed July 27, 2011)  

Further readings on Emotion in Infants and Attachment Theory, as kindly recommended by Dr. Andreia C.K. Mortensen:
Wolff, P.H. 1987. The development of behavioral states and the expression of emotion in early infancy: New proposals for investigation. Chicago: University of Chicago Press.
Bowlby, J. (1969,1982) Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin.

Blog EntryAug 9, '11 12:38 PM
for everyone


O ato de adormecer envolve um componente racional que o bebê ainda não tem. Quando ele tem sono, não associa aquele cansaço ao ato de dormir. Ele não é capaz de pensar: "agora vou ficar paradinho, fechar o olho e esse cansaço vai embora".

O sono humano se divide em estágios de sono leve, sono pesado, sono leve. Quando chega a etapa de sono leve, tanto bebês quanto adultos podem despertar. Um adulto, quando acorda de madrugada, pode virar de lado, cobrir-se e dormir ou pode levantar, tomar um copo de água ou ir ao banheiro. Esse adulto volta à cama e trata de dormir de novo porque sabe que é de madrugada e é hora de dormir. O bebê, quando acorda de madrugada, não tem esse componente racional e precisa ser ajudado para voltar a dormir.

Segundo o Dr. Sears, os bebês aprendem a dormir sozinhos entre os 2 e os 3 anos, que é quando o desenvolvimento neurológico do bebê permite esse tipo de racionalização.

Texto postado por Bel Kock-Allaman

O desenvolvimento e o crescimento do bebê no primeiro ano e além podem provocar alterações no seu sono. Veja como saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação podem interferir no sono.

Desenvolvimento do Bebê

O primeiro ano da criança é uma fase de mudanças extraordinárias para toda a família. Esse período é excitante e desafiador, quando bebês aprendem a comunicar suas necessidades e pais aprendem como atendê-las.

Você pode pensar que o desenvolvimento do seu bebê (como aprender a rolar, engatinhar e andar) e seu crescimento não tem nada a ver com o sono, mas a verdade é que caminham juntos! Abaixo uma descrição dos fenômenos chamados saltos de desenvolvimento, picos de crescimento e angústia de separação.

Saltos de desenvolvimento

Saltos de desenvolvimento são aquisições de habilidades funcionais específicas que ocorrem em determinados períodos. O ritmo de desenvolvimento não é constante: há alguns períodos de desenvolvimento acelerado e outros onde há uma desaceleração.

Toda vez que seu bebê desenvolve uma nova habilidade, ele fica tão excitado e obcecado com a conquista que a quer praticar o tempo todo, inclusive durante o sono. Em outras palavras, um dos ‘efeitos colaterais’ desse trabalho todo que o cérebro dos bebês está fazendo é que eles não dormem tão bem quanto o fazem em períodos que não estão trabalhando em dominar uma nova habilidade. Eles podem até resistir às rotinas já estabelecidas.

No período que imediatamente antecede o chamado salto de desenvolvimento, o bebê repentinamente pode se sentir perdido no mundo, pois seus sistemas perceptivo e cognitivo mudaram, houve uma maturidade neurológica, mas não tempo hábil para adaptação às mudanças. Então o mundo lhe parece estranho, e o resultado da ansiedade gerada é geralmente desejar voltar para sua base, ao que já lhe é conhecido, ou seja, a mamãe! Em vista disso, é comum ficarem mais carentes, precisando de mais colo, e com frequência há também alterações em seu apetite e sono.

Então, nessas fases, é preciso apenas ter um pouco de paciência e empatia com o bebê - depois do processo de aquisição da nova habilidade (como rir, engatinhar, sentar, interagir, andar) o bebê dá um salto no desenvolvimento e demonstra felicidade com o final da ‘crise’. Ou seja, por um lado, o bebê fica feliz com a nova habilidade e independência que vem junto, e já é capaz de se afastar um pouco da mamãe. Por outro lado, sente angústias e receios com essa nova situação. Isso lhe traz sentimentos dúbios: é como uma ‘dança louca’ entre separação e apego, onde o bebê irá flutuar entre os dois por um período.

A duração de cada salto é variável, mas geralmente depois de algumas semanas a fase difícil passa e tudo volta à normalidade. Bebês e crianças precisam de cuidados amorosos, empatia e novas experiências, e não de brinquedos caros. Fale com seu bebê, cante, brinque com ele, leia para ele. São atividades chave para o desenvolvimento do cérebro. Os saltos no desenvolvimento não cessam na infância, mas continuam até a adolescência. (1-2).

Essas aquisições ocorrem em vários aspectos: desenvolvimento motor (aprender a usar grupos de músculos para sentar, andar, correr, ter equilíbrio corporal, mudar de posições e outros), desenvolvimento do controle motor fino (usar as mãos para comer, desenhar, se vestir, tocar um instrumento, escrever, e tantas outras coisas), linguagem (desenvolvimento da fala, uso de linguagem corporal e gestos, comunicação e entendimento do que outros dizem), desenvolvimento cognitivo [nos dois primeiros anos de acordo com Piaget ocorre o desenvolvimento sensório-motor, que inclui habilidades de pensamento como aprendizado, entendimentos, resolução de problemas, raciocínio e memória (3)] e desenvolvimento social (interagir e se relacionar com familiares, amigos e professores, mostrar cooperação e empatia).

Certa variação entre crianças é esperada, mas uma cronologia observada experimentalmente dos períodos de saltos de desenvolvimento é a seguinte:

- 5 semanas (1 mês): a visão do bebê melhora, ele consegue ver padrões em branco e preto, passa a se interessar mais pelo ambiente que o rodeia e consegue seguir objetos brevemente com os olhos. Passa ficar acordado por períodos um pouco maiores (cerca de 1 hora ou pouco mais entre as sonecas). É também nessa época que bebê começa a chorar com lágrimas e sorrir pela primeira vez ou com mais frequência do que antes.

- 8 semanas (quase 2 meses): diferenças nos sons, cheiros e sabores ficam mais perceptíveis. Ele percebe que as mãos e os pés pertencem ao corpo e começa a tentar controlar estes membros. O bebê começa também a experimentar com sua voz. É também nessa fase que o bebê começa a mostrar um pouco de sua personalidade: é agora que os pais começam a reparar quais coisas, cores e sons o bebê gosta mais. Depois desse salto o bebê vai poder virar a cabeça na direção de algo interessante e emitir sons conscientemente. Todas essas novas experiências trazem insegurança ao bebê que provavelmente procura mais o conforto do peito da mãe. Isso pode deixar a mãe preocupada se produz leite materno suficiente, o que não procede, já que a produção se ajusta à demanda (ver abaixo também sobre picos de crescimento).

- 12 semanas (quase 3 meses): o bebê descobre mais nuances da vida: nessa idade o bebê já pode enxergar todo um cômodo da casa, vira-se quando ouve sons altos, e consegue juntar suas mãos. Vai observar e mexer no rosto e cabelo dos pais e vai perceber que pode gritar. Depois do salto o bebê praticamente não vai mais precisar de apoio para manter a cabeça erguida. Como nos outros saltos, os pais são o porto seguro do mundo do bebê e ele se apoia nisso. Ele pode começar a reagir de maneira diferente fora de casa ou no colo de um estranho. Ao mesmo tempo que o bebê tem uma grande curiosidade em reparar no mundo que o rodeia, ele também é muito sensível às novidades e por isso se sente mais confortável e seguro nos braços dos pais.

- 19 semanas (4 meses e meio): por volta da 14ª. até a 17ª. semanas o bebê pode parecer mais ‘impaciente’. Esse é um dos saltos mais longos: dura cerca de 4 semanas, podendo porém se estender por até 6 semanas. O bebê chora mais, apresenta mudanças extremas de temperamento e quer mais atenção e colo. Consegue alcançar e pegar um brinquedo, sacudi-lo e colocá-lo na boca, passá-lo de uma mão para outra. Pode ganhar o primeiro dente. Os sons que o bebê emite se tornam mais nítidos e complexos, consegue fazer alguns sons como ‘baba’, ‘dada’. Tudo cheira, soa e tem gosto diferente agora. Dorme menos. Estranha as pessoas e busca maior contato corporal quando está sendo amamentado. Depois desse salto o bebê vai poder virar de costas e de barriga para baixo, e vice-versa, se arrastar pra frente ou pra trás, olhar atentamente para imagens num livro; reagir ao ver seu reflexo no espelho e reconhecer seu próprio nome.

Esse é um dos saltos de desenvolvimento mais significativos e em que um maior número de mães costuma relatar alterações no sono. Provavelmente porque o padrão de sono parecia entrar num ritmo desde que o bebê nasceu, e essa alteração é vista como uma ‘regressão’, na qual o bebê tende a acordar bastante por algumas semanas enquanto está trabalhando no salto. E uma vez que esse salto está completo há somente 1 ou 2 semanas antes de começar a trabalhar no próximo (das 26 semanas), é um longo período de sono ruim e bebê irritado nesse estágio da vida.

- 26 semanas (6 meses): Já na 23ª semana o bebê parece se tornar mais ‘difícil’. Ele busca maior contato corporal durante as brincadeiras. O bebê já consegue coordenar os movimentos dos braços e pernas com o resto do corpo. Senta sem apoio e põe objetos na boca. Nessa idade ele começa a entender que as coisas podem ficar dentro, fora, em cima, embaixo, atrás, na frente, e usa isso em suas brincadeiras. Ele passa a entender que quando a mamãe anda, ela vai se afastar e isso o assusta, então reclama quando a mãe sai de perto. Depois desse salto o bebê vai ficar interessado em explorar a casa, armários, gavetas, achar etiquetas, levantar tapetes para olhar o que tem embaixo. Ele se vira para prestar atenção nas vozes, consegue imitar alguns sons, rola bem em ambas direções e começa a se apoiar em algo para ficar de pé. Adquire maturidade para receber alimentos sólidos. Essa fase pode durar cerca de 4-5 semanas.

- 30 semanas (7 meses): o bebê tenta se jogar adiante para alcançar objetos, bate um objeto em outro. Pode começar a engatinhar, a falar algumas sílabas e entende melhor o conceito de permanência das coisas. Pode fazer sinal de tchau. Sente ansiedade com estranhos.

- 37 semanas (8 meses e meio): o bebê fica ‘temperamental’, tem mudanças frequentes em seu humor, de alegre para agressivo e vice-versa, ou de exageradamente amoroso para ataques de raiva em questão de momentos. Chora com mais frequência. Quer ter mais atividades e protesta se não as tem! Não quer que troquem sua fralda, chupa seus dedos. Protesta quando o contato corporal é interrompido. Dorme menos, tem menos apetite, movimenta-se menos e “fala” menos. Às vezes senta-se quieto e sonha acordado. O bebê agora começa a explorar as coisas de uma forma mais metódica. Passa a entender que as coisas podem ser classificadas, por exemplo, sabe o que é comida e o que é animal, seja ao vivo ou em um livro. Fala "mamá" e"papá" sem distinção de quem é a mãe ou o pai. Engatinha, aponta objetos, procura objetos escondidos, usa o polegar e dedo indicador para segurar objetos.

- 46 semanas (quase 11 meses): o bebê percebe que existe uma ordem nas coisas e atitudes, por exemplo, que se colocam sapatos nos pés e brinquedos nos armários. Ganha então uma consciência de suas próprias atitudes. Ao invés de separar objetos, passa a juntá-los. Depois desse salto o bebê vai poder apontar para algo ou pessoa a pedido seu, vai querer ‘falar’ no telefone e enfiar chaves nos buracos de chave, procurar algo que você escondeu, tentar tirar a própria roupa. Fala "mamá" e "papá" para a mãe ou pai corretamente. Levanta-se por alguns segundos, movimenta-se mais, entende o "não" e instruções simples.

- 55 semanas (quase 13 meses): geralmente a fase em que o bebê começa a andar - um salto no desenvolvimento bem significativo. Fala mais palavras do que "mama" e "papa". Rabisca com giz.

- 64 semanas (quase 15 meses): o bebê combina palavras e gestos para expressar o que precisa, come com as mãos, esvazia recipientes, coloca tampas nos recipientes apropriados, imita as pessoas, explora tudo que estiver à sua frente, inicia jogos, aponta partes do corpo quando perguntado, responde a algumas instruções (por exemplo, “me dá um beijo”), usa colher e garfo, empurra e puxa brinquedos enquanto anda, joga bola, anda de marcha a ré.

- 75 semanas (17 meses): o bebê usa cerca de 6 palavras regularmente, gosta de jogos de imitação, gosta de esconder brinquedos, alimenta uma boneca, joga bola, dança, separa brinquedos por cor, formato e tamanho. Olha livros sozinho e rabisca bem.

Picos de crescimento
Picos de crescimento são fenômenos que se referem ao crescimento do bebê em si, e não ao seu desenvolvimento. Nos períodos de picos os bebês começam a solicitar mais mamadas do que o usual, pois precisam de mais alimento para crescer nesse ritmo agora mais acelerado. Então o bebê que dormia longos períodos à noite pode começar a acordar mais e solicitar mais mamadas. Esta necessidade geralmente dura de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas, mas agora com o organismo da mãe adaptado a produzir mais leite.

É muito importante respeitar a demanda aumentada de mamadas, pois somente com a livre demanda é que a produção de leite materno se ajusta perfeitamente às necessidades do bebê.

Nesses períodos a mãe pode interpretar incorretamente a maior demanda de mamadas do bebê - ela pode achar que seu leite não está sendo suficiente, ou que está ‘fraco’ e pensar que a solução para a situação é oferecer complemento de leite artificial. Porém, é um erro oferecer mamadeiras com leite artificial nesses períodos, pois isso prejudica o equilíbrio perfeito da natureza de produzir o leite conforme a demanda de mamadas. Em outras palavras, ao dar leite artificial perde-se um estímulo poderoso no peito, o organismo assim entende que não precisa daquela mamada, e passa a produzir menos e não mais como é necessário!

Períodos comuns dos picos de crescimento ocorrem por volta dos 7-10 dias, 2-3 semanas, 4-6 semanas, 3 meses, 4 meses, 6 meses e 9 meses e além. Os picos continuando acontecendo no decorrer do crescimento da criança, incluindo a adolescência, momento em que mudanças físicas e emocionais são mais notáveis.

Dra. Jeny Thomas, médica e consultora de amamentação, afiliada a Associação Americana de Pediatria e a Academia de Medicina da Amamentação reflete sobre acreditar na capacidade de amamentar o bebê:

"A maioria das mulheres não acredita que seu corpo que gerou esse lindo bebê seja capaz de amamentar o mesmo bebê. As pesquisas mostram que uso de complemento e desmame precoces estão aumentando. Por que não acreditamos no nosso corpo no pós-parto? Não sei. Mas ouço todos os dias que a mãe está complementando porque "meu leite não o satisfaz, não é suficiente." Claro que é. Bebês precisam mamar o tempo todo- e precisam estar contigo o tempo todo. Essa é sua satisfação máxima.

Um bebê mamando no peito de sua mãe está obtendo componentes para desenvolvimento de seu sistema imune, ativando seu timo, se aquecendo, se sentindo quentinho e confortável, seguro de predadores, tendo padrões de sono normais e ativando seu cérebro (ah, e inclusive) adquirindo alimento para esses processos. Eles não estão somente "famintos" – eles estão obedecendo seus instintos de sobrevivência." (4)

Ansiedade de separação

A partir de 6 a 8 meses, em média, o bebê começar a perceber que é um indivíduo separado da mãe. Essa descoberta lhe traz angústia e pânico, então ele tende a solicitar muita atenção da mãe e pode chorar mais que o usual. Essa fase se completa num longo processo que continua a se manifestar de uma forma ou outra até os dois a três anos, ou até os cinco anos, de acordo com outros especialistas.

É preciso levar a sério a intensidade dos seus sentimentos. O bebê não está “chatinho”, “grudento” nem “manhoso”. Como a mãe é o seu mundo e representa sua segurança, e como a noção de permanência (ou seja, tudo que está longe do campo de visão) não está completamente estabelecida, essa angústia é muito acentuada. A maioria das conexões nervosas no cérebro são feitas na infância e a maneira com que lidamos com as emoções do bebê tem um efeito profundo em como essas conexões se refletirão na capacidade do bebê lidar com suas próprias emoções quando for adulto. Em outras palavras, experiências na primeira infância e interação com o ambiente são as partes mais críticas no desenvolvimento do cérebro da criança. (5)

O sistema de angústia da separação, localizado no cérebro inferior, está geneticamente programado para ser hipersensível. Nos primeiros estágios da evolução humana era muito perigoso que o bebê estivesse longe da sua mãe. Se não chorasse para alertar seus pais do seu paradeiro, não conseguiria sobreviver.

Então, quando o bebê sofre pela ausência dos seus pais, no seu cérebro ativam-se as mesmas zonas que quando sofre uma dor física. Ou seja, a linguagem da perda é idêntica à linguagem da dor. Não tem sentido aliviar as dores físicas, como um corte no joelho, e não consolar as dores emocionais, como a angústia da separação. Mas, infelizmente, é isso o que fazem muitos pais, por não conseguirem aceitar que a dor emocional de seu filho é tão real como a física. Essa é uma verdade neurobiológica que todos deveríamos respeitar.

O desenvolvimento dos lóbulos frontais inibe naturalmente esse sistema de angústia de separação.

É importante entender que o período "crítico" de desenvolvimento emocional e social ocorre nos primeiros 18 meses da criança. A parte do cérebro que regula as emoções, a amídala, é formada cedo de acordo com as experiências que o cérebro recebe. O desenvolvimento de um vínculo emocional, empatia e confiança, e todos os aspectos da inteligência emocional fornecem o fundamento para desenvolvimento de outros aspectos emocionais conforme a criança cresce. Então, nutrir emocionalmente e responsivamente o bebê é importante para que a criança aprenda empatia, felicidade, otimismo e resiliência na vida.

O desenvolvimento social, que envolve auto-consciência e capacidade da criança de interagir com outros, também ocorre em etapas. Por exemplo, compartilhar brinquedos é algo que um cérebro de uma criança de 2 anos não está completamente desenvolvido para fazer bem! Então não se zangue com seu filho menor de 2 anos que não quer dividir os brinquedos. Esta capacidade social é mais comum e positiva em crianças maiores de 3 anos.(6)

Então, se se a mãe tiver que se afastar do filho pequeno para trabalhar ou por outro motivo, muito carinho, conversa, paciência e coerência nas atitudes são necessários para que ele continue tendo confiança nela e supere esse período de crise. É também muito importante certificar-se que o bebê criou um vínculo afetivo com o outro cuidador. (7)

Alguns estudos detectaram alterações a longo prazo do eixo Hipotálamo-Hipófise- Adrenal do cérebro infantil devido a separações curtas, quando a criança fica aos cuidados de uma pessoa desconhecida. Esse sistema de resposta ao estresse é fundamental para nossa capacidade de enfrentar bem o estresse na vida adulta é muito vulnerável aos efeitos adversos do estresse prematuro. (8)

Algumas pessoas justificam sua decisão de deixar o bebê desconsolado como uma forma de “inoculação de estresse”, o que significa apresentar ao bebê situações moderadamente estressantes para que aprenda a lidar com a tensão. Aqueles que afirmam que os bebês que choram por um prolongado período de tempo só sofre um estresse moderado estão enganando a si mesmos, pois livrar-se do bebê ou não consolá-lo (durante o dia ou a noite, quando choram ou pedem mais mamadas ou colo do que o usual) pode resultar em efeitos adversos permanentes no cérebro da criança. Ela pode sentir pânico, o que significa um aumento importante e perigoso das substâncias estressantes no seu cérebro, podendo resultar em uma hipersensibilização do seu sistema de medo, o que lhe afetará na sua vida adulta, causando fobias, obsessões ou comportamentos de isolamento temeroso. (9).

Algumas idéias práticas para reduzir a Angústia de Separação no seu bebê estão no artigo prévio sobre retorno ao trabalho e sono do bebê (link: http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/retorno_ao_trabalho_e_o_sono_do_bebe_como_fica.htm), como praticar separações rápidas e diárias, evitar a transferência de colo para colo e entender a ansiedade de separação como um sinal positivo.

Além disso, nessa fase, procure passar todo tempo possível com seu bebê, principalmente se trabalha fora. Separe os momentos logo após o reencontro do dia de trabalho para ter dedicação exclusiva a ele. Sente confortavelmente, faça contato olho no olho, amamente, interaja com seu bebê. Você pode estar cansada e estressada depois da longa jornada de trabalho, mas se conseguir um pouco de energia para receber seu bebê com alegria, você também se sentirá melhor após alguns minutos de uma reconexão significativa. Somente depois pense no jantar, no banho e outros afazeres. Considere promover proximidade na hora de dormir se suspeita que o bebê tem acordado mais a noite por estar passando por um pico de ansiedade de separação.

Outras mudanças

Alguns acontecimentos, como o nascimento de um irmãozinho/a, introdução de alimentos novos (veja dicas de alimentação que promove o sono no artigo -link: http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/comer_bem_para_dormir_bem.htm), o retorno da mãe ao trabalho e entrada em creche (veja o artigo prévio sobre esse tema - link: http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/retorno_ao_trabalho_e_o_sono_do_bebe_como_fica.htm), viagens, doenças, separação dos pais, atritos com coleguinhas, ausência de um ente querido e outros podem interferir no sono da criança. Tenha muita paciência e ofereça-lhe sempre segurança, assim, gradualmente, a rotina pode ser restabelecida.

Resumindo

Saltos de desenvolvimento e picos de crescimento são eventos diferentes e sua cronologia não se sobrepõe perfeitamente, embora possam ocorrer concomitantemente.

Picos de crescimento tem a ver com alimentação (o bebê quer comer mais, inclusive a noite!) e os saltos tem a ver com desenvolvimento (o bebê pode querer comer e dormir menos).

A angústia de separação é uma fase muito crítica, talvez a mais crítica no desenvolvimento do ser humano. A partir do momento que bebês tomam ciência do mundo ao seu redor eles começam a formar relações importantes com as pessoas em suas vidas, aprendem rapidamente que certas pessoas são vitais para sua felicidade e sobrevivência, e sofrem angústias quando essas pessoas aparecerem e desaparecerem. Isso tem influência direto no seu sono, principalmente se a mãe retorna ao trabalho ou promove um desmame (ou outro tipo de separação) quando o bebê está passando pela ansiedade de separação.

Todos os fenômenos são importantes e podem alterar o sono do bebê. Mas é confortante saber que carinho, apoio, amor, colo, empatia e amamentação em livre demanda, independente da fase que se encontra, é o que o bebê precisa.

UM PLÁ SOBRE PICOS DE CRESCIMENTO

Afinal, o que significa "Growth Spurt"?
Poderíamos traduzir (não literalmente) como PICO DE CRESCIMENTO.

Bebê mamando

É um fenômeno que ocorre nos bebês e, no qual, estes solicitam mais mamadas do que de costume. Estas necessidades geralmente duram de poucos dias a uma semana, seguido de um retorno ao padrão menor de mamadas.

A mãe costuma sentir como se não desse conta de produzir leite em quantidade suficiente para o Bebê.

Períodos comuns destes "picos de crescimento" ocorrem por volta dos:
7 - 10 dias;
2 - 3 semanas;
4 - 6 semanas;
3 meses;
4 meses;
6 meses;
9 meses (em torno)

Os picos de crescimento não param no primeiro ano. Podem ocorrer no decorrer do crescimento da criança, incluindo, por exemplo, a adolescência.

Quanto mais o bebê mamar = mais leite produzirá no seio.
Estimule ambos os lados, esvaziando um lado para que depois passe pro outro seio.
Confie em sua produção. Seios murchos não significam menos leite.
Boa parte do leite é produzido na hora da mamada.
É normal, durante o pico de crescimento, que o bebê mame HORAS seguidas.

Fonte: http://www.kellymom.com/bf/normal/growth-spurt.html

UM PLÁ SOBRE SALTO DE DESENVOLVIMENTO

Bebês não se desenvolvem em um ritmo constante, e sim irregular.

Bebê pedindo colo

No período que imediatamente antecede um salto de desenvolvimento o bebê repentinamente pode se sentir disperso à mudanças nos sistemas perceptivo e cognitivo que não foram adaptadas ainda no organismo.

Então na tentativa de readaptação, o bebê volta à base, ou seja, à mãe, o que reflete-se em períodos de maior carência afetiva, pedem mais colo, e com frequência afetam o sono e apetite.

Depois de algumas semanas essa fase difícil é superada, e o bebê demonstra ter habilidades novas.

Uma Cronologia aproximada dos períodos de crise é:
- 5 semanas / 1 mês
- 8 semanas / quase 2 meses
- 12 semanas / quase 3 meses
- 19 semanas / 4 meses e meio
- 26 semanas / 6 meses
- 30 semanas / 7 meses
- 37 semanas / 8 meses e meio
- 46 semanas / quase 11 meses
- 55 semanas / quase 13 meses
- 64 semanas / quase 15 meses
- 75 semanas / 17 meses

Nesse período, é esperado que o bebê:
- Procure ficar mais perto da MÃE, ou seja sua base de tudo, pois é o que ele conhece melhor;
- Fique mais carente, precisando de colo, segurança e orientação maternal de perto;
- Coma mal e durma pior;
- Pode pedir para mamar com mais frequência;
- Comece a fazer coisas que não fazia antes da crise tal como rir, sentar, engatinhar, interagir...
- Demonstre felicidade com o final da crise e superação do desenvolvimento adquirido.

Essa fase difícil passa, e tudo volta a normalidade, na mesma naturalidade que iniciou.
Então, durante as crises, é só ter um pouco de paciência, carinho, cumplicidade... que logo logo passa...

Fonte: Referência 1

Edição por Andreia Mortensen e Anna Arena - GVA

Referências:
1- Hetty van de rijt, Frans Plooij. The Wonder Weeks. How to stimulate your baby's mental development and help him turn his 8 predictable, great, fussy phases into magical leaps forward. Kiddy World Promotions B.V. 2010.

2- Lopes, R.M. F., Nascimento, R.F.L.; Souza, S. G.; Mallet, L. G.; Argimon, I.I.L. Desenvolvimento Cognitivo e motor de crianças de zero a quinze meses: um estudo de revisão. 2010.
http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0529.pdf

3- Piaget, J. & Inhelder, B. The Psychology of the Child. New York: Basic Books. 1962.

4- Thomas J., The Normal Newborn and Why Breastmilk is Not Just Food. Retirado do website da pediatra e consultora de amamentação. 2010.
http://www.drjen4kids.com/soap%20box/normal_%20newborn.htm

5- Gopnik, A., Meltzoff, A.N., and Kuhl, P.K. The Scientist in the Crib: Minds, Brains, and How Children Learn. New York: William Morrow & Co. Inc. 1999

6- Shore, R. Rethinking the Brain: New Insights into Early Development. New York: Families and Work Institute. 1997

7- Margot Sunderland. The Science of Parenting. DK Publishing Inc. 2006.

8- Brummelte S, Grunau RE, Zaidman-Zait A, Weinberg J, Nordstokke D, Cepeda IL. Cortisol levels in relation to maternal interaction and child internalizing behavior in preterm and full-term children at 18 months corrected age. Dev Psychobiol. 2010 Oct 28.

9- Pantley. E. No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years. McGraw-Hill, 2010.

Por Andréia C. K. Mortensen

Original em http://guiadobebe.uol.com.br/fases-de-crescimento-e-desenvolvimento-que-modificam-o-sono-do-bebe-e-da-crianca/



Frequentemente ouvimos mães preocupadas com seu retorno ao trabalho e como será a reação do bebê que dorme sendo embalado ou amamentado. A verdade é que todas as crianças (e todas as mães) vivenciam um período difícil quando precisam separar-se por causa do trabalho. Neste artigo, seguem algumas dicas que levam em consideração o estado emocional de ambos, mãe e filho, para lidar com essa separação.

Fatos importantes a serem considerados quando o retorno ao trabalho está próximo:

1) O desenvolvimento do ser humano no primeiro ano de vida é extraordinário, cada fase, uma necessidade.

O bebê triplica de peso no primeiro ano, se desenvolve em todos os aspectos (motores, cognitivos), começa a andar! Então, não se deve comparar um bebê recém-nascido com um de 4 meses, nem um bebê de 4 meses com um de 1 ano, por exemplos, pois serão praticamente outros bebês.

Cada fase, uma necessidade: bebê novinho precisa muito de colo, aconchego, contato íntimo, amamentação em livre demanda. É da natureza dos bebês quererem colo de suas mães; na verdade esse é um ótimo hábito que foi desenvolvido em milhares de anos de evolução, pois os bebês que não demandavam atenção faleciam e, por isso, a seleção natural fez com que aqueles que viviam no colo sobrevivessem e esse gene foi passado adiante. Essas necessidades vão diminuindo conforme sua maturidade.

A dica é aproveitar essa fase inicial, em que temos disponibilidade, e ficar com o bebê no colo, amamentar em livre demanda, sem privar o bebê do carinho e do colo de mãe que ele tanto precisa e tem direito.

2) Os bebês são inteligentes e têm uma capacidade enorme de adaptação e de distinção de seus cuidadores.

Eles podem reagir totalmente diferente com a mãe e com a babá ou com a professora do berçário (que eles sabem que não é a mãe). A capacidade e a inteligência dos bebês de distinguir seus cuidadores permite que eles criem modos de interação distintos com eles. Porém, é comum e esperado que o bebê demande sempre mais da mãe, porque sabe que pode, porque confia mais nela.

Então, o bebê criará laços afetivos com o novo cuidador e eles se entenderão na nova forma de adormecer. E, no final do dia e à noite, de volta aos braços da mãe, o bebê pedirá mais carinho, mais afago, e muito provavelmente pedirá para mamar para adormecer, mesmo que não o faça com o cuidador durante o dia. Afinal de contas estarão com saudades e sabem que mamãe pode oferecer o peito e curtem estar nos braços de sua referência em amor e confiança.

3) Não compensa promover separação prévia para ‘acostumar’ ou ‘preparar’ o bebê com o retorno ao trabalho.

Não sofram por antecedência achando que têm de acostumar o bebê desde cedo a adormecer sozinho. Bebês não têm maturidade neurológica e compreensão para tal, então essa é uma expectativa irreal. Eles podem ter vários sentimentos e sensações que os perturbem durante a noite e precisam de nossa ajuda. Bebês demandam a mãe, mesmo no período noturno, e, especialmente, se ficaram longe dela durante o dia. A criança tem em sua mãe o referencial de segurança, estabilidade e afeto.

Um bebê nunca fica ‘mal-acostumado’ por ter colo, embalo, acalanto, pelo contrário, precisam disso para continuar a se desenvolver. Revisamos isso em meu artigo anterior ‘A natureza do sono dos bebês’ (1). Portanto, não faz sentido promover um afastamento prévio entre vocês ‘pensando no futuro’; isso só acaba gerando sofrimentos desnecessários para ambos, mãe e bebê. Se a criança não tem colo quando pequeno, não tem no futuro, terá quando, então? Se seu marido tem uma viagem planejada para semana que vem, para ficar um bom tempo fora, você, para se acostumar com a ausência dele, já vai se preparando e deixa de dormir na mesma cama que ele, deixa de beijá-lo e de abraçá-lo? Ou faz o oposto e trata de aproveitar ao máximo os últimos dias antes da viagem?

A questão, portanto, não é fazer o bebê 'se desacostumar' de colo, pois ninguém se desacostuma de uma necessidade física ou psicológica. A questão é, sim, ajudar o bebê a criar confiança em outro cuidador.

4) "Treinar" ou condicionar o bebê a dormir sozinho vai contra sua natureza, e tem consequências.

Condicionar o bebê a adormecer sozinho não vai ajudá-lo no próximo período de afastamento entre vocês, pelo contrário. Para ajudá-lo, é necessário que exista acolhimento e apego entre vocês, contínuo e íntimo, assim seu estado emocional vai se fortalecendo, ele se sente acolhido, importante e atendido, e vai lidar melhor com outras situações de separação.

A maioria de planos de treinamento para bebês oferece o risco de dessensibilização dos sinais enviados, especialmente quando há choro sem consolo envolvido. Em outras palavras, ao invés de ajudar a descobrir o que os sinais enviados pelo seu bebê significam, esses métodos pedem que você os ignore. Nem você nem seu bebê aprendem nada de bom com isso. E, com a separação durante o dia entre vocês pelo retorno ao ao trabalho, a angústia do bebê tende a piorar (2).

Um estudo recente mostrou que os bebês têm capacidade de prever respostas estressantes. Eles foram divididos em dois grupos, no primeiro as mães interagiam com eles continuamente, enquanto que no segundo bebês foram ignorados por elas por somente dois minutos. Os níveis de cortisol, hormônio do estresse, foram medidos após os experimentos. No dia seguinte, o grupo que foi ignorado teve níveis de cortisol mais elevados do que o grupo controle, provando que eles têm capacidade de antecipar o estresse (3).

O cortisol em níveis elevados no cérebro do bebê pode ser corrosivo. O cérebro do bebê está em pleno desenvolvimento e a exposição desse hormônio por períodos prolongados impede a conexão entre alguns nervos e provoca a degeneração de outros. É possível que bebês que são submetidos a muitas noites de choro sem consolo sofram efeitos neurológicos prejudiciais que poderão ter implicações permanentes no desenvolvimento neurológico. Para ler um compêndio de artigos científicos sobre o tema cortisol e efeitos no desenvolvimento cerebral, veja a referência 4.

É preciso ter senso crítico e usar de discernimento quando recebemos conselhos que prometem milagres. Esses métodos de condicionamento envolvem vários riscos; além dos efeitos neurológicos, podem criar uma distância entre você e seu bebê, e ele perde a oportunidade de construir confiança no seu ambiente.

Algumas dicas práticas para mães preocupadas com retorno ao trabalho:

- Busca de um novo cuidador: procure um novo cuidador que tenha disponibilidade emocional, que tenha chance de criar um laço afetivo com seu bebê, que tenha empatia e carinho, que o carregue no colo, não o deixe chorar e que o embale para dormir. Não é qualquer pessoa que tem preparo emocional para cuidar, acolher e maternar um bebê. É importante que ele se apegue ao novo cuidador, pois é dependente por natureza e precisa desse vínculo. A dependência natural é um fato biológico, e não resultado do excesso de mimo materno (5).

Sendo creche, babá, parente ou outro cuidador, lembre-se sempre da disponibilidade emocional como requisito para cuidar de seu filho, pois não é simplesmente suprir suas necessidades físicas, mas é também dar amor, ter interesse e prover o afeto materno na ausência da mãe. Visite várias creches, procure locais onde dão colo, verifique se deixam os bebês o tempo todo em cadeiras, andadores ou outros aparatos. Se for esse o caso, é sinal que estão desprezando a importância do acolhimento emocional no início de vida do bebê que é tão crítico e fundamental para o resto de nossas vidas.

Para a criança não é suficiente que lhe troquem as fraldas e lhe deem comida. O mais necessário e nobre alimento é o afeto, acompanhado de carinho, prazer e paz (6).

- Envolvimento de outra pessoa no ritual de sono: encoraje o pai, por exemplo, a participar do ritual de sono do bebê desde cedo. Ele pode dar o banho e fazer uma massagem, por exemplo. Depois dos 3-4 meses, em média, se o bebê sempre adormece no peito, pode-se começar a alternar maneiras de adormecer para que ele não crie uma associação forte de sugar para dormir (7). Essa dica não é obrigatória considerando-se que os bebês têm capacidade de distinguir seus cuidadores (como citado no início do texto) e vai aprender a adormecer de outra forma com quem ‘não tem peitos’. Existem crianças que dormem mamando com suas mães em casa e na escolinha adormecem de outra forma com as cuidadoras, sem problemas.

- Adaptação gradual: O bebê lidará melhor com essa separação se a adaptação for gradual, assim terá uma chance de criar um apego com o novo cuidador antes de separações longas de sua mãe. Para que o novo cuidador crie um bom apego com ele, criar chances de interação antes de deixá-los sozinhos é importante.

Recomendo sempre que a mãe vá junto com o bebê e fique com ele no novo ambiente o tempo todo, pelo menos no início. Assim ele vai se familiarizando com o local, mas com a segurança de ainda estar sob os cuidados da mãe. Depois a mãe pode ir se afastando um pouco, gradualmente, enquanto dá a chance de o bebê se apegar à nova cuidadora. Porém, não há receita pronta, é questão de observar a criança e ter sensibilidade. A melhor qualidade que se pode esperar do cuidador é a empatia com o bebê. Novamente, oriente que lhe dê bastante colo, não o deixe chorar, mostre quais são os sinais de sono do bebê, deixe que ele durma as sonecas no colo para dar um consolo afetivo na ausência da mãe.

- E se o bebê tem ansiedade da separação?

Nos primeiros meses, a relação mãe e filho é altamente intuitiva, primitiva mesmo. O bebê não sabe que nasceu e acha que o corpo da mãe é continuidade do seu e que o seio que o alimenta e lhe dá carinho e prazer faz parte de um todo ao qual ele pertence. Então, gradualmente e após o sexto mês é que os bebês vão se dando conta de que são outros seres e essa percepção de individualidade fica mais clara e evidente. Assim, progressivamente, vai se estabelecendo o desenvolvimento psicoafetivo, motor, alimentar e cognitivo da criança (6).

Algumas idéias práticas:

Pratique separações rápidas e diárias
Durante seus dias juntos crie oportunidades de expor seu bebê a separações visuais breves, seguras e rápidas (brincar de esconder o rosto e logo reaparecer é ótimo e eles adoram!). Incentive que seu bebê brinque com um brinquedo interessante ou com outra pessoa e, quando ele estiver feliz e distraído com o brinquedo ou com a pessoa, caminhe calma e lentamente para outro quarto. Assobie, cante, murmure uma canção ou fale, de modo que seu bebê saiba que você ainda está por perto, mesmo que não possa vê-la. Pratique essas separações breves algumas vezes ao dia numa variedade de situações diferentes.

Evite a transferência de colo para colo
É muito comum passar o bebê do colo de um cuidador para outro. O problema é que cria ansiedade na criança sair da segurança dos braços da mãe e ser fisicamente transferido para os braços de outra pessoa que lhe é menos familiar. Essa separação física é a mais extrema na mente do bebê. Para reduzir essas sensações de ansiedade faça a mudança com seu bebê num lugar neutro, como brincando no chão ou sentado numa cadeirinha, cadeirão de alimentação ou bebê conforto. Peça para o cuidador sentar do lado de seu bebê e interagir com ele, enquanto isso você fala um ‘tchau’ rápido, porém positivo, num tom feliz. Assim que você sair é um bom momento para o cuidador pegar seu bebê no colo, e a vantagem é que o cuidador vai ser colocado na posição de ‘salvador’ e isso pode ajudá-los nessa relação.

Entenda a ansiedade de separação como um sinal positivo!
É perfeitamente normal - até maravilhoso - que seu filho tenha esse bom apego e que deseje essa proximidade com você e sua presença constante. Parabéns! Isso é a evidência de que o laço afetivo que você criou desde o início está seguro. Se for o caso, ignore educadamente as pessoas que te dizem o oposto.

Relaxe em suas expectativas de independência, isso certamente irá ajudar seu bebê a relaxar também e a ter menos ansiedade nos momentos de separação entre vocês (8).

- Lembre-se, o acolhimento na infância tem resultado positivo na vida adulta!
Uma pesquisa recente (9) revelou que a afeição maternal dada aos bebês torna-os adultos mais bem preparados para enfrentar os problemas da vida. Cientistas compararam dados das relações de afeto e atenção e desempenho emocional de bebês de 8 meses com suas mães. Essas pessoas foram acompanhadas e testadas aos 34 anos de idade sobre vários sintomas emocionais. Qualquer que fosse o meio social, ficou constatado que os bebês com bom apego emocional aos 8 meses tinham os níveis de ansiedade, hostilidade e mal-estar mais baixos quando adultos. Isto confirma que as experiências na primeira infância têm influências na vida adulta.

D.W. Winnicot, um pediatra famoso que depois se tornou psicanalista diz que a capacidade de ser feliz de um ser humano depende, além de todos outros fatores, de um tempo (a infância até os seis anos, mas principalmente o primeiro ano de vida), e de uma pessoa (uma mulher, a mãe). Se a mãe não está presente, outro cuidador que entenda esses conceitos e que atenda as necessidades do bebê se faz necessário.

É uma responsabilidade sim, de assustar! E é realmente intrigante que pessoas tenham filhos sem saberem nada disso, sem se darem conta da importância desse relacionamento profundo, do vínculo necessário que se forma nesse período, e quando as mães retornam ao trabalho fora de casa colocam cuidadores em seu lugar que somente cuidam da parte física (6).

- Não ofereça mamadeira e nem desmame seu bebê: Com o retorno ao trabalho, muitas mães se preocupam porque os bebês não aceitam a mamadeira e tentam todo tipo de bicos e leites artificiais diferentes. Às vezes até mesmo o pediatra sugere o desmame. É situação comum bebês que rejeitam veementemente a mamadeira, isso é sinal de inteligência, pois a primeira reação da natureza é mesmo rejeitar outros tipos de alimentação que não o seio materno.

Na verdade é um erro acreditar que o bebê precisa de uma mamadeira quando você retorna ao trabalho e que você deve acostumá-lo com antecedência. Se você treiná-lo a acostumar-se com uma mamadeira, o que provavelmente acontecerá é um desmame precoce por confusão de bicos. Sempre ouvimos uma história ou outra de bebês que não desmamaram, mas esse risco é grande e não há como prever, então é melhor prevenir e alimentar seu bebê com um copinho.

Além disso, é preciso citar que, mesmo com a oferta de leite materno ordenhado em uma mamadeira, muitos bebês rejeitam. Dr. González (10) explica esse fenômeno:

“E a razão é que os bebês não são bobos. Se a mãe não está em casa e a avó vem com uma mamadeira (ou melhor ainda, com um copinho para evitar confusão de bicos), duas coisas podem acontecer. Primeiro, se o bebê não estiver com fome, ele provavelmente não aceitará nada. Ele vai compensar isso quando a mãe retornar. Muitos bebês dormem a maior parte do tempo quando estão distantes das mães, e então vão mamar à noite. A outra possibilidade é, se o bebê estiver com fome (e especialmente se tiver leite materno na mamadeira), ele poderá tomá-la e pronto. E ele deve estar pensando: ‘Bem, ela não está aqui, então é isso que eu tenho que fazer’. Mas se a mãe está em casa e o bebê pode ver e sentir o peito, como ele vai aceitar um copinho ou mamadeira? Ele deve pensar: ‘Minha mãe deve estar louca, ela tem o peito aqui e quer me dar essa geringonça?’ E ele insiste: ‘É o peito ou nada!’ ”

Se o bebê é novinho e não há possibilidade de ordenha de leite materno, pode-se tentar uma alimentação mista, com a mãe amamentando antes e depois do trabalho e o bebê tomando leite artificial durante o dia. Muitas mães encontram soluções satisfatórias melhores que oferecer leite artificial: algumas levam seus bebês para o trabalho (se o ambiente permite), outras trabalham meio período, algumas conseguem que o bebê seja levado a elas para serem amamentados, outras ordenham e estocam seu leite. Se o bebê já tiver mais de seis meses de idade, pode-se planejar que o bebê se alimente de comida na sua ausência, embora há de se ter cautela se forem os primeiros alimentos.

A amamentação é parte essencial da vida do bebê até 2 anos no mínimo e auxilia na separação parcial entre mãe e filho quando ela retorna ao trabalho fora de casa. Pode-se planejar ordenha de leite materno e continuação da amamentação nos períodos que mãe e filhos estão juntos. O desmame junto com o retorno ao trabalho pode ser bem traumático para o bebê (10):

“Quando você sai para o trabalho (ou quando sai com o cachorro), o seu bebê não sabe onde você está e quanto tempo você vai demorar. Ele ficará muito assustado e chorará como se você fosse deixá-lo para sempre. Vai levar alguns anos até que seu bebê seja capaz de ficar longe de você sem chorar e antes que ele entenda que a ‘mamãe vai voltar logo’. Toda vez que você voltar, vai abraçá-lo, amamentá-lo e o bebê pensará: ‘outro alarme falso!’. Mas se você retornar ao trabalho e tentar desmamá-lo abruptamente e ao mesmo tempo, quando você volta do trabalho, o bebê pede para mamar e você recusa, o que o bebê irá pensar? ‘Ela me abandonou porque não gosta mais de mim.’ Esse é o pior momento para o desmame.”

- Então como fica a alimentação do bebê? Se você volta a trabalhar quando o bebê tiver menos de 1 ano, planeje com antecedência como ordenhar (alugue ou compre uma bomba elétrica), estocar e oferecer o leite materno para o bebê. Veja orientações na referência 11. Use um copinho ou mamadeira-colher para oferecer o leite ordenhado e não mamadeira. Se ele tiver mais de 1 ano, pode alimentar-se de sólidos e mamar quando estiverem juntos.

- Tenha mente aberta para cama familiar: Alguns bebês passam a mamar à noite com mais frequência para compensar as mamadas perdidas durante o dia quando a mãe volta a trabalha fora. Isso é chamado ‘amamentação em ciclo reverso’ e é um mecanismo de sobrevivência de nossa espécie. Nesses casos, praticar cama compartilhada e amamentar deitada pode ajudar a saciar as necessidade do bebê ao mesmo tempo em que os hormônios da amamentação auxiliam mãe e bebê a adormecerem novamente (12-14). O bebê fica mais tranquilo ao saber que, mesmo passando o dia todo longe da mãe, à noite estará com ela. A proximidade com o corpo materno sintoniza as pautas de sono do bebê com as da mãe e regula o seu nível de excitação, temperatura corporal, o ritmo metabólico, níveis hormonais, ritmo cardíaco, respiração e sistema imunológico, pois o efeito anti-estresse do estreito contato físico libera ocitocina, que fortalece o sistema imunológico do bebê (12-15).

Nem todas as famílias adotam cama compartilhada por receio de ser difícil conseguir que a criança durma sozinha depois. A reflexão aqui é de que as necessidades mais intensas de proximidade se dão na primeira infância: bebês têm necessidade de proximidade com a mãe (15) e a cama compartilhada responderia a essas necessidades. Mais tarde, seria um outro momento, com o bebê com outra cognição, maturidade e evolução.

Se a criança dorme longe dos pais à noite, fica longe durante o dia e, principalmente, se o bebê não mama mais no peito (portanto não tem o contato íntimo da amamentação), precisa de alguma compensação afetiva e se beneficiaria da proximidade da cama familiar. O mesmo acontece se o bebê estiver em processo de angústia da separação, que se inicia entre 6-8 meses e vai até 2-3 anos, com altos e baixos.

Quando os bebês sinalizam que precisam de contato corporal com os pais, mostrar empatia, entender e acolher é excelente, pois a criança que se recusa a dormir pode estar precisando de mais contato corporal com o pai e a mãe. É uma necessidade primitiva da criança ter contato íntimo com a pele do corpo de outra pessoa enquanto adormece, mas isso se choca com todas as regras culturais que exigem que as crianças durmam sozinhas (16).

- Procure seus direitos de licença maternidade de seis meses, negocie com o chefe, tire férias junto com a licença, adie alguns planos, trabalhe meio período, procure um emprego mais flexível, procure trabalhos que possa fazer em casa.

Esses dois meses a mais fazem toda a diferença para a criança: a amamentação exclusiva por 6 meses diminui o risco de alergias (17), dermatite atópica (18), asma (19), infecções gastrointestinais (20), doenças contagiosas (21), otite média, infecções respiratórias agudas, gastroenterite, infecções urinárias, conjuntivite e candidíase oral (22). A introdução de alimentos aos 6 meses é feita na hora ideal, quando o bebê já tem capacidade fisiológica para assimilar os alimentos novos (23). Muitos bebês têm reações indesejadas com a introdução de alimentos antes dos seis meses, como prisão de ventre, refluxo, cólicas e é claro que tudo isso atrapalha o sono. Se não tem outra solução, invista na ordenha, estoque e oferecimento de leite materno para o bebê até os 6 meses. Veja na referência 11 como ordenhar e estocar o leite materno e utilize um copinho ou mamadeira-colher para oferecer ao seu bebê. Muitas mães que trabalham podem e devem investir na amamentação exclusiva por 6 meses e esse trabalho todo compensa.

- Lidando com a separação: entenda a reação do bebê e mostre empatia (apesar do cansaço): sua volta ao trabalho e afastamento é algo bem complicado para um bebê, porque é você a mãe dele, você é insubstituível da forma que você é para seu filho. Outros cuidadores irão criar vínculos afetivos com seu bebê, mas a mãe tem outro peso. Entenda a amamentação em ciclo reverso como uma forma de compensação afetiva. Entenda e acolha as necessidades do bebê (que são simples, mas são intensas, de muito contato íntimo, colo, peito). Esse acolhimento é essencial para o desenvolvimento de sua autoestima no futuro.

O padrão de sono do bebê com outro cuidador pode mudar e essa mudança pode interferir no sono noturno. O bebê cansado (caso não tire boas sonecas na escolinha, por exemplo) está secretando mais cortisol, que causa agitação fisiológica, irritação e dificuldades de adormecer. A exaustão é contraproducente com o sono, pois quanto mais exausto, mais lutará contra o sono e mais acordará à noite. Se as sonecas estão muito curtas na escola é comum que o sono noturno também seja influenciado. Orientar as cuidadoras a esticarem as sonecas, explicar a importância das sonecas durarem pelo menos 1 hora para serem restauradoras, usar algum barulho estático ao fundo para ajudar nas sonecas são atitudes que você pode tomar.

Referências:
1- A natureza do sono dos bebês

2- William Sears, Martha Sears, Robert Sears, James Sears. The Baby Sleep Book: The Complete Guide to a Good Night's Rest for the Whole Family. Little, Brown and Company; 1 edition, 2005.

3- Haley DW, Cordick J, Mackrell S, Antony I, Ryan-Harrison M. Infant anticipatory stress. Biol Lett. 2010 Aug 25.

4- Sears, W. A ciência diz: choro prolongado no bebê pode ser prejudicial ao desenvolvimento cerebral- http://www.askdrsears.com/html/10/handout2.asp

5- Bowlby, J. Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin. 1982.

6- José Martins Filho. A Criança Terceirizada. Os descaminhos das relações familiares no mundo contemporâneo. Editora Papirus, 2007.

7- Pantley, E. Soluções para noites sem choro. Editora M Books, 2005.

8- Pantley. E. No-Cry Separation Anxiety Solution: Gentle Ways to Make Good-Bye Easy from Six Months to Six Years. Editora McGraw-Hill, 2010.

9- Maselko J, Kubzansky L, Lipsitt L, Buka SL. Mother's affection at 8 months predicts emotional distress in adulthood. J Epidemiol Community Health. 2010 Jul 26.

10- Carlos González. My Child Won't Eat!: How to Prevent and Solve the Problem (La Leche League International Book). 2005.

11- Extração e Conservação do Leite Materno: http://www.aleitamento.com

12- McKenna JJ, Why babies should never sleep alone: a review of the co-sleeping controversy in relation to SIDS, bedsharing and breast feeding, Paediatr Respir Rev. 2005 Jun;6(2):134-52.

13- McKenna JJ, Mosko SS, Richard CA. Bedsharing promotes breastfeeding. Pediatrics. 1997 Aug;100(2 Pt 1):214-9.

14- Mosko S, Richard C, McKenna J, Drummond S, Mukai D.; Mosko S, Richard C, McKenna J. Maternal sleep and arousals during bedsharing with infants. Sleep. 1997 Feb;20(2):142-50.

15- Margot Sunderland, The Science of Parenting. DK Publishing Inc. 2006.

16- Freud, Anna: Infância normal e patológica: Determinantes do Desenvolvimento, 4ª. ed., Ed. Guanabara, RJ: 1987.

17- Anderson J, Malley K, Snell R. Is 6 months still the best for exclusive breastfeeding and introduction of solids? A literature review with consideration to the risk of the development of allergies. Breastfeed Rev. 2009 Jul;17(2):23-31. Review.

18- Yang YW, Tsai CL, Lu CY. Exclusive breastfeeding and incident atopic dermatitis in childhood: a systematic review and meta-analysis of prospective cohort studies. Br J Dermatol. 2009 Aug;161(2):373-83. 2009 Feb 23. Review.

19- Fiocchi A, Assa'ad A, Bahna S; Adverse Reactions to Foods Committee; American College of Allergy, Asthma and Immunology. Food allergy and the introduction of solid foods to infants: a consensus document. Adverse Reactions to Foods Committee, American College of Allergy, Asthma and Immunology. Ann Allergy Asthma Immunol. 2006 Jul;97(1):10-20; quiz 21, 77.

20- Kramer MS, Kakuma R. Optimal duration of exclusive breastfeeding. Cochrane Database Syst Rev. 2002;(1):CD003517. Review.

21- Duijts L, Jaddoe VW, Hofman A, Moll HA. Prolonged and exclusive breastfeeding reduces the risk of infectious diseases in infancy. Pediatrics. 2010 Jul;126(1):e18-25. 2010 Jun 21.

22- Ladomenou, F., Moschandreas J., Kafatos A., et al. Protective effect of exclusive breastfeeding against infections during infancy: a prospective. Study. Arch Dis Child. Published online September 27, 2010.

23- Kramer MS, Kakuma R. The optimal duration of exclusive breastfeeding: a systematic review. Adv Exp Med Biol. 2004;554:63-77.

Por Andréia C. K. Mortensen,

originalmente em: http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/retorno_ao_trabalho_e_o_sono_do_bebe_como_fica.htm


A Ciência Diz: Choro excessivo pode ser prejudicial aos bebês    

A ciência nos mostra que quando bebês choram sozinhos e sem serem atendidos, eles sentem pânico e ansiedade. Seus corpos e cérebros são inundados com adrenalina e cortisol, hormônios de estresse.

A ciência tambem descobriu que quando o tecido cerebral é exposto a esses hormônios por períodos prolongados, estes nervos não iram formar conexões com outros nervos e iram se degenerar. Então será possivel que bebês que são submetidos a muitas noites de choro sem consolo estarão sofrendo efeitos neurológicos prejudiciais que poderam ter implicações permanentes no desenvolvimento de partes do cérebro? Abaixo explicações científicas para esta pergunta assustadora:  

Desequilíbrio hormonal e químico no cérebro  

Pesquisas mostram que bebês que são separados rotineiramente dos pais de maneira estressante podem ter níveis anormalmente altos do hormônio cortisol, relacionado a estresse, assim como níveis mais baixos de hormônios de crescimento.   Esses desequilibrios inibem o desenvolvimento de tecidos neurológicos no cérebro, inibem crescimento, e deprimem o sistema imunológico. 5, 9, 11, 16 Pesquisadores na Universidade Yale da Escola de Medicina da Universidade de Harvard descobriram que estresse intenso no início da vida pode alterar os sistemas de neurotransmissores do cérebro e causar mudanças estruturais e funcionais em regiões do cérebro parecidas com aquelas vistas em adultos que sofrem de depressão. 17 
 Um estudo mostrou bebês que foram submetidos a episódios de choro persistente tem 10 vezes mais chances de desenvolverem déficit de atenção quando crianças, juntamente com desempenho escolar ruim e comportamento antissocial. Os pesquisadores concluiram que estas descobertas podem estar relacionadas com falta de atenção dos pais para com os seus bebês. 14  

A pesquisa do Dr. Bruce Perry na Universidade Baylor pode explicar este achado. Ele descobriu que quando estresse crônico estimula de maneira excessiva o tronco cerebral (a parte do cérebro que controla a liberação de adrenalina), e partes do cérebro que se desenvolvem melhor com contato físico e emocional são negligenciadas (como quando um bebê é deixado chorando sozinho repetidamente), a criança irá crescer com um sistema de adrenalina super ativo.

Uma criança assim irá demonstrar agressividade aumentada, impulsividade, e violência mais tarde porque o tronco cerebral inunda o corpo com adrenalina e outros hormônios de estresse em momentos inadequados e com maior frequência. 6 

 O Dr. Allan Schore da Escola de Medicina da Universidade da California demonstrou que o hormônio de estresse cortisol (que inunda o cérebro durante momentos de choro intenso e outros eventos estressantes) destroi conexões neurológicas em porções críticas do cérebro em desenvolvimento do bebê. E mais, quando as partes do cérebro responsáveis por apego e controle emocional não são estimuladas durante a infancia (como quando o bebê é regularmente negligenciado), essas partes não irão mais se desenvolver. 

 O resultado – uma criança violenta, impulsiva, e emocionalmente desapegada. Ele conclui que a sensibilidade e atenção de um cuidador estimula e molda as conexões neurológicas em partes importantes do cérebro que são responsaveis pelo apego e bem estar emocional. 7, 8  

Desenvolvimento intellectual, emocional e social diminuído  

  Dr. Michael Lewis, especialista em desenvolvimento infantil, apresentou resultados de pesquisa numa reunião da Academia Americana de Pediatria, concluindo que “a mais importante influència no desenvolvimento intelectual de uma criança é a atenção dispensada pela máe aos sinais de seu bebê”.

Pesquisadores descobriram que bebês que são rotineiramente ignorados não iram desenvolver habilidades intelectuais e sociais saudáveis. 19  

Dr. Rao e seus colegas no Instituto Nacional de Saúde mostraram que bebês são deixados chorar sem consolo prolongadamente (porem não relacionado a cólicas) nos primeiros 3 meses de vida tinham em media 9 pontos a menos de QI aos 5 anos de idade. Eles tambem mostraram baixo desenvolvimento motor fino. 2  

Pesquisadores na Universidade Estadual da Pennsylvania e na Universidade Estadual do Arizona descobriram que bebês que experimentam choro prolongado durante os primeiros meses tem maior dificuldade de controlar suas emoções e ficam ainda mais irritados quando seus pais tentam consolá-los aos 10 meses de idade. 15   Outra pesquisa mostra que estes bebês tem um choro mais irritante, são mais “grudados” durante o dia, e podem levar mais tempo para se tornarem crianças independentes. 1  

Mudancas fisiológicas prejudiciais   

 Pesquisa feitas em humanos e animais mostra que, quando separados de seus pais, bebês e crianças apresentam temperaturas instáveis, arritmias cardáacas, e diminuição de sono REM (o estágio de sono que promove desenvolvimento cerebral). 10, 12, 13    

O Dr. Brazy das Universidades Duke e Ludington-Hoe e colegas da Universidade Case Western mostraram em 2 estudos separados que o choro prolongado em bebês causa um aumento de pressão no cérebro, hormônios de estresse elevados, obstruem o fluxo sanguineo saindo do cérebro, e diminuem a oxigenacao do cérebro.
Eles concluiram que cuidadores devem responder ao choro de maneira rapida, consistente e completa. 3, 4.    


  1. P. Heron, “Non-Reactive Cosleeping and Child Béavior: Getting a Good Night’s Sleep All Night, Every Night,” Master’s thesis, Department of Psychology, University of Bristol, 1994.
 2. M R Rao, et al; Long Term Cognitive Development in Children with Prolonged Crying, National Institutes of Health, Archives of Disease in Childhood 2004; 89:989-992.
3. J pediatrics 1988 Brazy, J E. Mar 112 (3): 457-61. Duke University
4. Ludington-Hoe SM, Case Western U, Neonatal Network 2002 Mar; 21(2): 29-36
5. Butler, S R, et al. Maternal Béavior as a Regulator of Polyamine Biosynthesis in Brain and Heart of Developing Rat Pups. Science 1978, 199:445-447.
6. Perry, B. (1997), “Incubated in Terror: Neurodevelopmental Factors in the Cycle of Violence,” Children in a Violent Society, Guilford Press, New York.
7. Schore, A.N. (1996), “The Experience-Dependent Maturation of a Regulatory System in the Orbital Prefrontal Cortex and the Origen of Developmental Psychopathology,” Development and Psychopathology 8: 59 – 87.
8. Karr-Morse, R, Wiley, M. Interview With Dr. Allan Schore, Ghosts From the Nursery, 1997, pg 200.
10. Hollenbeck, A R, et al. Children with Serious Illness: Béavioral Correlates of Separation and Solution. Child Psychiatry and Human Development 1980, 11:3-11.
11. Coe, C L, et al. Endocrine and Immune Responses to Separation and Maternal Loss in Non-Human Primates. The Psychology of Attachment and Separation, ed. M Reite and T Fields, 1985. Pg. 163-199. New York: Academic Press.
12. Rosenblum and Moltz, The Mother-Infant Interaction as a Regulator of Infant Physiology and Béavior. In Symbiosis in Parent-Offspring Interactions, New York: Plenum, 1983.
 13. Hofer, M and H. Shair, Control of Sleep-Wake States in the Infant Rat by Features of the Mother-Infant Relationship. Developmental Psychobiology, 1982, 15:229-243.
14. Wolke, D, et al, Persistent Infant Crying and Hyperactivity Problems in Middle Childhood, Pediatrics, 2002; 109:1054-1060.
15. Stifter and Spinrad, The Effect of Excessive Crying on the Development of Emotion Regulation, Infancy, 2002; 3(2), 133-152.
16. Ahnert L, et al, Transition to Child Care: Associations with Infant-mother Attachment, Infant Negative Emotion, and Cortisol Elevations, Child Development, 2004, May-June; 75(3):649-650.
17. Kaufman J, Charney D. Effects of Early Estresse on Brain Structure and Function: Implications for Understanding the Relationship Between Child Maltreatment and Depression, Developmental Psychopathology, 2001 Summer; 13(3):451-471.
18. Teicher MH et al, The Neurobiological Consequences of Early Estresse and Childhood Maltreatment, Neuroscience Biobéavior Review 2003, Jan-Mar; 27(1-2):33-44.
19. Leiberman, A. F., & Zeanah, H., Disorders of Attachment in Infancy, Infant Psychiatry 1995, 4:571-587. 9. Kuhn, C M, et al. Selective Depression of Serum Growth Hormone During Maternal Deprivation in Rat Pups. Science 1978, 201:1035-1036.  

Fonte- http://www.askdrsears.com/html/10/handout2.asp   
Tradução- Luciana Prass Rolsen

Blog EntrySep 22, '10 1:24 PM
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A grande solução: deixe chorar!



Passei esses tempos, uma experiência muito forte com a minha filha, Anninha, de 5 anos. Nós fomos viajar para Minas Gerais, e ficamos num hotel. No segundo dia da viagem, umas horas após dormir, Anninha acordou chorando. Dizia ter "uma sensação na garganta", vontade de vomitar, dor de barriga. Ela estava apavorada (detesta vomitar) e fui dar uma volta com ela, pelo hotel. Conhecemos o porteiro da madrugada, uma gracinha por sinal, visitamos o parquinho à meia-noite (uma oportunidade inesquecível), e por fim os funcionários me mostraram uma copa onde preparar um chá de camomila para minha filha. Entre a volta e as conversas, ela foi se acalmando. (Eu sempre primeiro eu acalmo a Anninha, para depois conferir que sintomas "sobram", por assim dizer, e avaliar o real status da situação. Ela é meio dramática nessas horas, se me entendem, chora que vai ficar com dor para sempre, e tals... Acalmar sempre ajuda, de qualquer forma! Até diminui a dor...) Tomou o chá, não vomitou, dormiu de novo. Lá pelas tantas, acorda de novo, desta vez queixando-se somente de dor. Dei o remédio prescrito pelo pediatra dela (antes, não havia dado por causa da queixa de ânsia de vômito), voltou a adormecer. Na manhã seguinte, ao acordarmos, conversei com ela sobre o dia anterior. Nós três (eu, ela e o pai) avaliamos que tinha feito mais do que podia, e combinamos de organizar melhor a rotina dela na viagem. Tomou um bom banho, café da manhã no quarto, depois do almoço descansou no quarto por uma hora, dormiu cedo. A queixa de dor de barriga persistia, fui medicando a cada 8 horas (conforme a orientação médica, como Anninha teve várias alergias alimentares e refluxo, temos já orientação para casos assim), mas ela conseguiu dormir.


Manteve a queixa de dor de barriga durante toda a viagem, e uns dois dias após voltarmos, mas continuou dormindo bem. Permanecemos atentos à rotina. Como não se queixasse mais, eu interrompi o remédio, dois dias após estarmos de volta.

Nesse dia em que parei o remédio, ela acordou umas 5 da manhã, desesperada, chorando, não falava coisa com coisa (como se estivesse ainda no pesadelo). Eu a acalmei, ela foi para a sala e não dormiu mais. Então, teve uma noite mais curta de sono.

No dia seguinte, dormiu às 21 horas. Às 22 horas, acordou com um pesadelo terrível, gritando, foi difícil acalmar. Não dormiu a noite toda. Deitava, encostava os olhos, mas logo abria. Li livros, contei histórias, por fim pus um DVD na sala (último recurso!) e dormi enquanto ela assistia (das 5 às 8 horas da manhã). Ela não dormiu nada.

Liguei para o médico dela, ele avaliou que ela provavelmente ainda estaria com cólicas, pela comida e água diferente, mandou fazer dieta leve e manter medicação por mais 5 dias. Disse que cólicas causam pesadelos em crianças pequenas e bebês.

Nesse dia em que reintroduzi o remédio (após uma noite curta e outra noite zerada de sono), ela parecia ter medo de dormir, perguntava se ia conseguir dormir ou se o "dinossauro" ia ficar na cabeça dela. Mas apagou, de extremo cansaço. Todavia, das 18:30 até 2 da manhã, ficou me chamando a cada 5 ou 10 minutos (eu estava deitada ao lado dela, na sala, onde ela costuma querer dormir quando tem dor de barriga). Ela ficava rígida, depois chorava (um choro sentido mas curto, um lamento), me chamava e voltava a dormir. Em seguida, tudo de novo. Só pelas duas da manhã, acalmou e ficou dormindo até 8 horas, num sono restaurador. Eu estava quase indo com ela para o PS, de tanto que ela se queixava, mas achei importante deixar ela dormir (porque de qualquer forma não havia um quadro agudo, nem febre, nem vômito, nem diarréia). E se eu fosse ao PS, seria a terceira noite mal dormida.

Bom, o tempo foi passando, não consegui retirar o remédio sem que ela se queixasse na data inicialmente prevista, só depois de um mês, praticamente, é que consegui. O médico chegou a pedir exames de fezes, urina, suspeitou de Giardia. Tudo deu negativo. Por fim, entre medicação e dieta leve, ela melhorou...


Lembrei-me então de uma ocasião em que ela comeu camarão (ainda tem essa alergia, ah, ah), e ficou um mês inteirinho com dor de barriga, depois disso. Eu tinha esquecido essa experiência... Acho que foi algo assim, uma comida qualquer que fez mal, e causou um grande alvoroço...

Fiquei pensando em como, nas criancinhas pequenas, o mal estar físico e psicológico se associam (só nelas? quem de nós não fica ansioso e com perspectivas terríveis, se tiver um mal estar que não passa?). Não era só dor de barriga que ela sentia. Ela tinha pesadelos, e tinha medo de ter pesadelos.

Além de cuidar da parte física (com medicação sintomática e dieta leve), foi importante cuidar muito da rotina dela, nesses dias (dormir cedo, com horário estável, com descanso após o almoço). Também acho que foi muito importante, uma conversa que tivemos, nós duas, quando Anninha teve a coragem de desenhar o dinossauro de seu pesadelo, e inventou um outro final para a história...

Lembrei-me muito, durante esse período, de todas as nossas conversas aqui na comunidade. Confirmou-se para mim, como sempre, o quanto o sono é um quebra-cabeças de muitas partes, em que os aspectos emocional e físico se embaralham de uma forma impressionante. Percebi também, mais uma vez, a importância de uma rotina equilibrada. Mesmo na continuidade do mal estar físico, havendo uma rotina adequada, Anninha conseguia lidar muito melhor com a situação...

E por fim, fiquei pensando nos bebês e nessa orientação que é dada sobre o sono dos bebês. Deixar chorar.


Imagino o que seria deixar a Anninha chorar. Tento imaginar (com dificuldades, confesso), o que seria Anninha acordar no meio da noite, com mal estar, assustada, sem conseguir entender onde termina a dor de barriga e começa o pesadelo, sem conseguir entender onde termina o pesadelo e começa a realidade... E ser deixada só.


Inimaginável. Cruel. A única palavra que encontro para descrever essa possibilidade é que seria terrivelmente cruel.

E por que... Por que... É considerado lícito fazer isso com bebês pequeninos? Como eu posso afirmar que ele "não tem nada"? Como eu posso ter certeza de que ele não tem cólica, dor, medo, solidão, um sonho ruim (da forma que um bebê possa sonhar)... E posso achar justo ou lícito deixar um bebê chorando, sozinho, no meio da noite?

Mas ninguém proporia isso para uma criancinha de 5 anos. E por quê? Por que a criancinha fala, protesta, se explica. Ela reclama: Estou só! Estou com dor! Acho que vou vomitar! Tive um pesadelo!

Como ficaria a relação entre uma mãe e um filho de uns 5 anos, se ele acordasse assustado ou com dor, durante a noite, e ela não o atendesse? Que sentimentos isso deixaria na criança? Ela provavelmente expressaria isso de alguma forma, contestaria de alguma forma...

Então, vem-me à mente a terrível idéia de que propõem tal prática, junto a bebês, simplesmente porque eles são absolutamente indefesos, e não podem protestar ou contestar quando se faz algo assim.

Essa idéia me parece terrível. Nunca havia pensado desse ponto de vista, mas, após esses dias com Anninha, tenho pensado muito nisso. Não, ninguém proporia "deixar chorar" com alguém capaz de se defender, porque teria que responder à queixa, ao reclame. Teria que dar conta das palavras que seriam ditas.

Mas o bebê não fala. Ele depende única e exclusivamente da sua mãe para interpretar o que ele sente.

Então, a coisa fica cada vez mais terrível e destituída de qualquer coerência, em minha mente. Trata-se de deixar chorar, porque o bebê não pode se defender. Trata-se de fazer calar na mãe, a voz do bebê que seu instinto nomeia e quer atender.

Lembrei-me, a propósito, de um conceito dos psicólogos comportamentais, o conceito de desamparo. O exemplo é simples. Se eu estou em casa, adoeço e passo mal, eu fico assustado e preocupado. Mas eu sei o que fazer: procuro um médico, vou ao Pronto Socorro, sei para onde me dirigir, sei que recursos usar. Eu posso estar aflito e preocupado, mas não estou desamparado. Agora, se eu estou no meio de um terremoto, minha casa caiu, não sei onde está minha família, não sei a quem procurar ajuda... Então, estou pior do que assustado, com dor e preocupado. Estou desamparado, porque não sei o que fazer, e não sei se há o que fazer.

Essa sensação de desamparo é considera terrível pelos comportamentais, é avassaladora para a integridade emocional de um ser humano.

Outro exemplo. Um pintinho, seguro na mão de um homem, tem grande chance de infartar e morrer. Não há nenhuma condição física que justifique isso, mas, segundo os estudos dos psicólogos comportamentais, um pintinho nessas condições entra em desamparo, porque ele não tem recurso nenhum para entender ou mudar o que está acontecendo.

E aí, eu volto para os bebês. E percebo que trata-se da mesma questão: desamparo. Um bebê só vai parar de chorar, à noite, se entrar em desamparo. Ele tem que acreditar profundamente que sua mãe não vai atendê-lo, que nada será feito, que ele não tem o que fazer... Para desistir. E por fim, exausto, voltar a dormir.

Então, trata-se disso... O treinamento para o sono nada mais é do que um treinamento para o desamparo. A mãe deve ser treinada a negar seus instintos mais fundamentais, e deixar de prestar ajuda ao seu bebê (e qualquer mãe pode dizer que basta ouvir o bebê chorar para que seu instinto responda). E o bebê deve ser treinado ao desamparo...

E por quê?

Depois dessa experiência com Anninha, penso que um dos grandes motivos dessa teoria ganhar lugar, é porque, ao contrário da minha filha que tem 5 anos, os bebês não podem falar.

Estão completamente indefesos.

Isso para mim, hoje, é simples crueldade.

Mel (moderadora da comunidade Soluções para noites sem choro, original em
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs?cmm=1122463&tid=5511546143000604717 )




Blog EntryAug 12, '10 11:49 AM
for everyone

Comer bem para dormir bem

A alimentação do bebê e da criança pode influenciar seu sono? Certamente!
O que e quando você come interfere no sono.

Crianças são mais saudáveis e dormem melhor se tiverem uma dieta equilibrada, contendo uma variedade de alimentos de todos os grupos da pirâmide alimentar.

Uma das chaves para uma boa noite de sono é se alimentar de modo que o cérebro seja 'tranquilizado' e não 'agitado' antes de dormir.

Alguns alimentos contribuem para um sono restaurador enquanto outros contribuem para que fiquemos acordados

Alimentos que contêm triptofano (que é o aminoácido precursor da serotonina e melatonina, substâncias indutoras de sono) contribuem para sono. Exemplos: latícinios (leite, queijos, coalhada, iogurtes), produtos de soja (leite de soja, tofu, feijão de soja), frutos do mar, carnes, frango, grãos integrais, feijão, arroz, hummus (ou homus: pasta de grão de bico com semente de gergelim), lentilhas, amendoim e outras nozes, ovos.

Melhor ainda se consumir carboidratos complexos (como grãos integrais) com alimentos ricos em triptofano. Esses carboidratos estimulam a liberação de insulina que auxilia a remoção da corrente sanguínea de substâncias que competem com o triptofano.

Refeições mais leves provavelmente conduzem melhor sono, ao contrário de refeições gordurosas e fartas, que prolongam o trabalho do sistema digestivo e produzem gases. Algumas pessoas observam que alimentos temperados e apimentados podem produzir azia e então interferir no sono.

Assim, os melhores jantares para o sono são ricos em carboidratos complexos e médios ou baixos em proteínas, como: macarrão integral com queijo parmesão, ovos com queijo, tofu, hummus com pão integral, frutos do mar, queijo coalhada, frango com legumes, sanduíche de atum, feijões (não apimentados), sementes de gergelim, saladas com pedaços de atum com crackers de trigo integral e outros.

Inclua alimentos ricos em vitaminas B: grãos integrais, legumes, fígado, sementes, cogumelos, peixes de fundo de mar, ovos e verduras escuras e alimentos ricos em magnésio: nozes, grãos integrais, semente de girassol, abacate e uva passa.

Por outro lado, refeições ricas em proteínas produzem o efeito contrário, pelo aminoácido tirosina que estimula o cérebro ao invés de relaxá-lo, ou seja, deixam as crianças alertas e energéticas. Portanto evite oferecer ao seu filho no jantar carne vermelha, bacon ou porco, linguiça e presunto.

Além disso as refeições energizam e aumentam o metabolismo e por isso deve-se evitar jantar cerca de duas horas (tempo médio para digestão) antes de ir pra cama. (1).

Os melhores lanchinhos antes de dormir

Se teu filho faz um lanchinho antes de dormir, que seja pelo menos meia hora antes de ir para a cama e que sejam ricos em carboidratos complexos e cálcio (que ajuda o cérebro a usar o triptofano e a fazer melatonina) e médio ou baixo em proteínas.

Exemplos: leite (o leite materno tem propriedades indutoras de sono para ambos, bebê e mãe!), leite de vaca (somente para maiores de 1 ano, não alérgicos à proteína do leite de vaca e sem adição de chocolate!), iogurte, coalhada, abacaxi, bananas, abacate, ameixas, peru, semente de gergelim, de girassol, cajus, amendoins (não ofereça nozes antes de 1 ano pelo menos pelo risco de engasgue), cereais de grãos integrais com leite, sanduíche de manteiga de amendoim ou hummus, sorvete, tofu, biscoitos integrais de aveia e uvas passa. (2).

Observações importantes sobre o leite de vaca

Mesmo sendo conhecido como indutor de sono, cabe frisar que muitos bebês de menos de um 1 ano têm dificuldade de processá-lo, mesmo as fórmulas especiais para lactentes (menores de 1 ano), e frequentemente podem causar gases.

Leites integrais não são recomendados pelas Sociedades de Pediatria Internacionais para bebês menores de 1 ano. Em caso de impossibilidade de aleitamento materno o bebê deve receber fórmulas apropriadas, pelos seguintes motivos:

- o leite de vaca (de caixinha, de fazenda ou em pó) é rico em gordura saturada que não é adequada ao bebê. Na fórmula infantil essa gordura é substituída por poli-insaturada de origem vegetal, adequada às necessidades do lactente;

- o leite de vaca possui proteínas de difícil digestão para o bebê. Além disso, é altamente alergênico e pode causar rinite, dermatite atópica e amoniacal (dermatite das fraldas), já que o seu excesso de proteínas é eliminado pela urina em forma de amoníaco que pode produzir dermatite na zona genital. Nas fórmulas pra lactentes essa proteína é reduzida e tem estrutura modificada;

- o leite de vaca é rico em minerais (como fósforo) que dificultam a absorção de cálcio e que podem sobrecarregar os rins do bebê. Nas fórmulas esses minerais são parcialmente retirados;

- a fórmula infantil é adicionada de ferro, algumas vitaminas e carboidratos inexistentes no leite de vaca;

- finalmente, a fórmula infantil recebe soro de leite pra tornar a sua composição mais adequada às condições fisiológicas do lactente;

- o leite de vaca pode provocar desidratações no lactente (pois necessitam utilizar mais água de seu corpo para formar urina do que os que se alimentam de leite materno); diarréias (já que o tipo de flora intestinal que se forma quando se alimentam com leite de vaca não os protege tanto quanto a flora formada com o leite materno), anemia (já que o ferro do leite de vaca não é absorvido de forma tão eficiente quanto o leite materno) e, finalmente, o leite de vaca produz microhemorragias intestinais nos lactentes, o que também pode favorecer a aparição de anemia. (3).

O que evitar nos lanchinhos antes de dormir

Alguns alimentos podem criar problemas de sono, por causar indigestão e gases, e agravar o refluxo nas crianças que sofrem desse mal. Outros têm efeito estimulador no sistema nervoso.

Evite antes de sonecas e no lanchinho da noite: bebidas cafeinadas, chocolate, hortelã, comidas gordurosas e apimentadas, suco de laranja ou outros cítricos, margarina e manteiga, alimentos com aditivos e conservantes artificiais, glutamato monossódico, bebidas carbonadas (como refrigerantes), carboidratos simples (arroz branco, batatas, pão branco, farinhas refinadas em geral) e açúcares refinados.

Os principais bloqueadores de sono

São cafeína, álcool e açúcar, que precisam ser regulados durante o dia e restringidos nas horas que antecedem o sono.

Café, refrigerantes (como as colas) e chás pretos são as bebidas campeãs em cafeína. Somente 15 minutos após uma xícara de café o nível de adrenalina no corpo sobe, o que causa um aumento na pressão arterial, respiração e produção de ácidos estomacais. Vale a pena notar que refrigerantes são fonte rica de cafeína e açúcar e não devem ser consumidos à tarde e à noite para não interferirem no sono.

A cafeína também promove elevação no humor e na energia logo pela manhã, seguido de cansaço pela tarde. Em outras palavras, os efeitos da cafeína no corpo são como a lei da gravidade: tudo o que sobe tem de descer. Basicamente, os efeitos da cafeína revertem os que você deseja se o objetivo é dormir.

Algumas crianças são altamente sensíveis a açúcares em sua dieta, podendo agravar muitos problemas como hiperatividade, nervosismo, irritabilidade e pouca concentração, todos fatores que podem levar a problemas no sono.

Comidas tipo 'fast food' são geralmente concentradas em gorduras e contêm sabores e corantes artificiais que são estimulantes e difíceis de digerir. Alimentos que são classificados como 'baixo teor de gordura' geralmente contêm açúcar adicional que afeta o sono.

Alguns medicamentos para resfriados e dores de cabeça que podem ser comprados sem receita médica têm alta concentração de cafeína. Leia o rótulo ou pergunte ao farmacêutico.

O que fazem os açúcares e carboidratos refinados: a montanha russa

Uma refeição de carboidratos, especialmente ricos em açúcares e gorduras refinadas, vai interferir no sono da seguinte forma: primeiramente se perderão todos os efeitos indutores de sono do triptofano; em seguida, começará a 'montanha russa' de açúcar no sangue, pois o organismo dá respostas afoitas face a uma subida rápida do nível de glicose (pois o açúcar é convertido diretamente em glicose e causa súbita elevação de açúcar no sangue, rompendo o delicado equilíbrio de glicose e de oxigênio na corrente sangüínea) e com objetivo de reduzir esses níveis de açúcar na corrente sanguínea, o pâncreas faz uma descarga de insulina no sangue. O nível de açúcar cai drasticamente na corrente sanguínea e isso é seguido de liberação de hormônios do estresse que manterão a pessoa acordada e, logo em seguida, precisará repor esses níveis de açúcar.

Se os níveis de açúcar baixam muito, o cérebro interpreta a informação que recebe como um pedido de socorro. Vem então a sensação de fome, dando assim origem a um novo ciclo. Ou seja, sucessivas operações desse gênero provocam uma montanha russa metabólica que, além de interferir negativamente no sono, podem favorecer a obesidade e a diabetes.
Isso leva à hipoglicemia, que então produz agressão, ansiedade e comportamento hiperativo como correr loucamente e escalar em tudo (4).

Essa mesma criança poderia brincar muito bem por algum tempo se tivesse comido uma refeição balanceada, que eleva os níveis de serotonina em seu cérebro, estabilizando seu humor.

Concluindo, só é possível intervir nestes altos e baixos níveis hormonais se tivermos uma resposta insulínica moderada, e para isso é preciso comer menos, mais vezes e melhor, para evitar chegar ao estágio da fome descomedida no qual só nos apetece comer um chocolate ou umas batatas fritas. Uma refeição desse tipo antes de dormir (ou no meio do sono, como mamadeiras engrossadas de farinhas refinadas) provocam mais despertares noturnos.

Cuidado com os sucos

O Ministério da Saúde recomenda, para que as crianças supram as suas necessidades energéticas, que os alimentos complementares oferecidos após os seis meses de idade tenham uma densidade mínima de 0,7kcal/g. Por isso sucos de frutas ou vegetais e sopas são desaconselhados, por possuírem baixa densidade energética. Ou seja, oferecer sucos para bebês menores de 1 ano não é apropriado, pois são líquidos com menor densidade energética e nutrientes que o leite, que deve ser o principal alimento do bebê até 1 ano (5). Em outras palavras, ocupa-se espaço na barriga do bebê que deveria ser do leite com um líquido menos nutritivo e concentrado em açúcar (pela preparação). Possivelmente sua ingestão interferirá no sono. Ainda, se oferecido na mamadeira, pode acarretar confusão de bicos e desmame precoce. O ideal é oferecer somente água ao bebê (ao início da alimentação complementar por volta do sexto mês, composta de frutas 'in natura', legumes e cereais integrais) utilizando-se um copinho.

Aditivos alimentares que tem impacto no cérebro

Pesquisas em bebês mostram que ômega-3 (presente em óleo de peixe) é essencial para o desenvolvimento normal do cérebro, pensamento e concentração. Também aumenta os níveis de serotonina. Um estudo mostrou que baixos níveis de ômega-3 estão associados com problemas de comportamento, de aprendizado e de sono (6).

Crianças são particularmente vulneráveis a aditivos alimentares porque seus organismos e cérebros são muito imaturos. Alguns aditivos reduzem os níveis de dopamina e noradrenalina no cérebro, resultando em comportamento hiperativo em algumas crianças (7-19). Então, se seu filho consome sorvete ou refrigerantes de cola e tem comportamento agressivo ou hiperativo, você já sabe a razão. Preste atenção especialmente nos seguintes corantes e aditivos:

- corante amarelo n. 6 tartrazina, que é usado em balas, gomas de mascar e gelatinas, pode provocar reações alérgicas, além de asma, bronquite e urticária (20).

- corante vermelho n. 3 ou carmim, usado em alguns biscoitos, geléias e doces, também é inibidor de dopamina a noradrenalina, e pode levar à perda de concentração e a comportamentos como desordem de atenção e hiperatividade (ADHD).

- benzoatos e parabenos, que são usados em refrigerantes, gelatinas e molhos de salada, são relacionados à asma e à hiperatividade.

- sulfitos (incluíndo dióxido de enxofre), encontrados em algumas sobremesas e sucos de frutas.

- nitratos, adicionados a alguns queijos e carnes em convserva como salsichas. Podem causar dores de cabeça e foram relacionados ao câncer em estudos com humanos.

- adoçantes e edulcorantes, são adicionados a refrigerantes, alimentos doces e sucos industrializados, podem reduzir os níveis de triptofano, que é vital para o cérebro sintetizar serotonina, e também podem produzir comportamento agressivo e hiperativo (21).

Idéias para implementar uma dieta que contribua para um sono melhor:

- Tenha comidas saudáveis em sua casa e não compre guloseimas ou alimentos pouco nutritivos. Assim, quando seu filho estiver com fome, você pode oferecer somente o que é saudável e nutritivo.

- Nunca use doces como recompensa ou consolo ao seu filho.

- Ofereça bastante água durante o dia, pois até uma desidratação leve pode trazer sentimentos de ansiedade e contribuir para problemas de sono.

- Coma mais carboidratos complexos do que processados (incluindo frutas e legumes crus). Grãos integrais devem ser parte diária da alimentação da família.

- Certifique-se de que seu filho consome cálcio suficiente. Baixos níveis de cálcio podem causar irritabilidade e nervosismo. As fontes de cálcio são leite, iogurte, queijo, brócoli, sementes de girassol, espinafre, entre outros.

- Prefira alimentos orgânicos sempre que possível.

- Evite gelatinas e outros produtos com aditivos alimentares que também são prejudiciais ao sono, como descrito acima.

- Sempre que possível, prepare refeições caseiras de ingredientes frescos, pois assim você saberá exatamente o que elas contêm.

- Ofereça frutas com farinha de aveia ou aveia em flocos finos, iogurtes naturais (que tal fazer em casa?), queijo branco. Sucos somente das frutas frescas, não ofereça sucos artificiais que têm açucares refinados e outros aditivos químicos, e preferivelmente não antes de 1 ano de idade.

- Ao invés dos populares farinhas industrializadas e similares (como mucilon e farinha láctea, que contêm cereais refinados e açúcares, ambos prejudicam o sono), prepare um 'super mingau' com cereais integrais, como: arroz integral, milho, soja, cevada, aveia, farelo de aveia, malte, trigo integral, semente de linhaça. Compre os grãos e moa em um processador ou liquidificador, cozinhe em água e acrescente um pouco de leite no final. Não coloque açúcar. Os grãos moídos em casa podem ser estocados no congelador por longo tempo.

- Iogurtes prontos com adição de corantes e aditivos, bolachas açucaradas, maisenas e outros não são alimentos próprios para um bom sono. Esqueça a idéia de 'engrossar' o leite do bebê para dormir melhor, o efeito será provavelmente o inverso.

- Pode ser que algum alimento da dieta do seu bebê esteja atrapalhando o seu sono e a melhor forma de descobrir isso é observando muito bem os efeitos dos diferentes alimentos em seu humor e saúde.

- Uma idéia bonitinha: crianças se interessam muito mais em comer as refeições se ajudarem a prepará-las! Então invista num livro de receitas para crianças e se divirtam cozinhando juntos!

Dra. Andréia C. K. Mortensen

Referências:
1- - Patti Teel. The Floppy Sleep Game Book: A Proven 4- Week Plan to Get Your Child to Sleep, 2005. Editora Berkley Publishing Group.
2- Dr. William Sears, pediatra americano e autor de mais de 30 livros em puericultura. http://www.askdrsears.com/html/4/t042400.asp
3- Oliveira MA, Osório MM. Cow's milk consumption and iron deficiency anemia in children. J Pediatr (Rio J). 2005 Sep-Oct;81(5):361-7. Review. Portuguese.
4- Teves D, Videen TO, Cryer PE, Powers WJ. Activation of human medial prefrontal cortex during autonomic responses to hypoglycemia. Proc Natl Acad Sci U S A. 2004. Apr 20;101(16):6217-21. Epub 2004 Mar 16.
5- Dez Passos para uma Alimentação Saudável. Guia Alimentar para Crianças Menores de 2 anos do Ministério da Saúde do Brasil- http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/10_passos.pdf
6- Richardson AJ, Montgomery P. The Oxford-Durham study: a randomized, controlled trial of dietary supplementation with fatty acids in children with developmental coordination disorder. Pediatrics. 2005 May;115(5):1360-6.
7- Artificial food colouring and hyperactivity symptoms in children. [No authors listed]. Prescrire Int. 2009 Oct;18(103):215.
8- Polônio ML, Peres F. Food additive intake and health effects: public health challenges in Brazil. Cad Saude Publica. 2009 Aug;25(8):1653-66. Review. Portuguese.
9- Diet and attention deficit hyperactivity disorder. Can some food additives or nutrients affect symptoms? The jury is still out. No authors listed. Harv Ment Health Lett. 2009 Jun;25(12):4-5.
10- Nutritional intervention in ADHD. Newmark SC. Explore (NY). 2009 May-Jun;5(3):171-4.
11- Ghuman JK, Arnold LE, Anthony BJ. Psychopharmacological and other treatments in preschool children with attention-deficit/hyperactivity disorder: current evidence and practice. J Child Adolesc Psychopharmacol. 2008 Oct;18(5):413-47. Review.
12- Schulte-Wissermann H. Kinderkrankenschwester. Do food colorants cause hyperactivity? 2008 Sep;27(9):358. German.
13- Sinn N. Nutritional and dietary influences on attention deficit hyperactivity disorder. Nutr Rev. 2008 Oct;66(10):558-68. Review.
14- Weiss B. Food additives and hyperactivity. Environ Health Perspect. 2008 Jun;116(6):A240-1; discussion A241.
15- Silfverdal SA, Hernell O. Lakartidningen. Food additives can increase hyperactivity in children. Results from a British study confirm the connection. 2008 Feb 6-12;105(6):354-5. Swedish.
16- Curtis LT, Patel K. Nutritional and environmental approaches to preventing and treating autism and attention deficit hyperactivity disorder (ADHD): a review. J Altern Complement Med. 2008 Jan-Feb;14(1):79-85. Review.
17- Barrett JR. Diet & nutrition: hyperactive ingredients? Environ Health Perspect. 2007 Dec;115(12):A578.
18- Wiles NJ, Northstone K, Emmett P, Lewis G. Junk food' diet and childhood behavioural problems: results from the ALSPAC cohort. Eur J Clin Nutr. 2009 Apr;63(4):491-8. Epub 2007 Dec 5.
19- Wallis C. Hyper kids? Check their diet. Research confirms a long-suspected link between hyperactivity and food additives. Time. 2007 Sep 24;170(13):68.
20- Beausoleil JL, Fiedler J, Spergel JM. Food Intolerance and childhood asthma: what is the link? Paediatr Drugs. 2007;9(3):157-63. Review.
21- Boris M, Mandel FS. Foods and additives are common causes of the attention deficit hyperactive disorder in children. Ann Allergy. 1994 May;72(5):462-8. Review.

Esta página foi publicada em: 01/07/2010.


Original-

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Blog EntryAug 12, '10 11:48 AM
for everyone

A natureza do sono do bebê

Após a leitura do artigo "O mau sono do filho pode ser culpa dos pais", publicado no site Guia do bebê em 03/03/2010, gostaria de fazer alguns comentários.

O artigo ressaltou que a raiz de muitos problemas de sono estaria no fato de os pais auxiliarem seus bebês a adormecerem e concluiu que eles deveriam ser treinados a fazê-lo sozinhos.

Tenho algumas críticas a esse raciocínio:

PRIMEIRO, é importante entender que essa inabilidade do bebê de adormecer sozinho, sem ajuda, é de sua natureza. Antes de 2 ou 3 anos não há maturidade neurológica para tal. Então, ao 'treinar' um bebê a adormecer sozinho estamos passando por cima de sua natureza do desenvolvimento, que acontece em fases, em um aprendizado longo e complexo. A matéria parte do princípio de que é preciso condicionar os bebês a não solicitarem aconchego à noite mesmo quando tivessem necessidade, como se uma exigência para um bom sono bom seria apressar a independência do bebê.

SEGUNDO, as funções do choro, do embalo e do apego devem ser levadas em consideração.

O choro - No início da vida, o choro tem um amplo espectro de funções: bebês choram por fome, necessidade de contato físico, frustração, outras necessidades físicas e emocionais. O choro de frustração não pode ser considerado falso por não apresentar uma razão física visível. Experimentos clássicos mostraram que simplesmente pegar o bebê no colo funciona perfeitamente como uma forma de parar o choro, ainda que eles estivessem famintos (1,2). O choro atendido pelos pais tem importância fundamental para a formação de vínculos e estabelecimento do laço afetivo familiar (3).

O embalo - O bebê precisa ter confiança máxima, conforto, segurança e outros sentimentos mais complexos em quem lhe está adormecendo, que levam ao relaxamento relaxamento físico e mental. A mãe acalenta o bebê com um embalo ritmado, lento, afagos leves e ao som de uma melodia delicada e sussurrante de sua voz, e com isso o bebê se entrega e adormece. Deve-se lembrar também que embalar o bebê lhe confere estímulos sensoriais necessários ao estabelecimento do tônus muscular.

O apego - O colo e o apego, em conjunto com o embalo e a amamentação, são fatores críticos para a continuação do desenvolvimento do bebê fora do útero materno. O bebê humano nasce em desamparo e dependência quase absoluta e necessita ser visto e ouvido por sua mãe ou por outra figura de apego primário, de quem procura e espera uma relação recíproca, na qual seus próprios sentimentos iniciais são retribuídos (4). O bebê 'come amor' como se fosse comida e também a sensação de estar rodeado, contido, visto e seguro (5).

Uma criança que se agarra a um adulto não está sendo mimada nem querendo chamar atenção, mas sim está tentando reduzir o seu alto grau de excitação física e seus elevados níveis de substâncias químicas estressantes, como o cortisol e, ao mesmo tempo, tenta ativar as compostos químicos cerebrais que produzem sentimentos de bem-estar, como a ocitocina. Sua mãe é sua 'base neuroquímica' infalível.

Obrigar a criança a ser independente antes de ela estar geneticamente madura para tal é uma provável causa do surgimento de um apego prolongado, enquanto que a criança que recebeu o cuidado amoroso protetor com sua dependência natural reconhecida estará apta a aperfeiçoar suas potencialidades primitivas de crescer, integrar-se, adaptar-se às exigências do ambiente, desenvolver outras relações interpessoais, habilidades sociais, de convivência e aceitação do outro e de preservar a vida.

TERCEIRO, técnicas conhecidas como 'choro controlado' e variações em que o choro do bebê é ignorado não oferecem garantias de noites de sono ininterruptas. Tal fato foi, inclusive, revelado em uma pesquisa recente na qual, apesar de 69% dos pais acreditarem que essa técnica funcionaria, somente 1/6 dos pais disseram que ela eliminou completamente os despertares noturnos. (6)

Ainda, pesquisas revelam que quando a criança cumpre um ano, as mães que haviam atendido rapidamente o seu choro, tinham filhos que choravam muito menos que aquelas que haviam optado por deixá-los chorar (7).

QUARTO, é mito que bebês que são treinados a dormir a noite toda nunca mais acordariam. O bebê muda constantemente conforme seu desenvolvimento e isso interfere em seu sono. Então, é falaciosa a prescrição de soluções eternas para que a criança dormir a noite toda, porque sempre que há mudanças em sua vida (como entrada em escolinha ou mudança de professora, um atrito com amigo na escola, mudança para nova casa, férias, doença, saltos de desenvolvimento e outros) há provavelmente uma causa emocional para a mudança no padrão de sono. Nesses casos, é hora de direcionar todas as atenções a seu filho para que se sinta emocionalmente seguro de as boas noites de sono voltarão.

QUINTO, a pesquisa citada (publicada originalmente em 2009 na revista "Child Development") tem falhas metodológicas e erros de abordagem que não foram citados. Somente 85 famílias foram entrevistadas e isso torna a amostragem não significativa. Além disso, o texto não deixa claro qual foi a porcentagem real de casais que se adequaram às conclusões do grupo (se a margem de diferença for muito baixa, o estudo deve ser refeito com grupo de amostragem mais amplo).

Os próprios autores concluem no final do artigo que, pelo fato de os dados serem baseados em amostras não-clínicas, todas as implicações clínicas devem ser melhor examinadas adiante, em condições clinicas. Os autores ainda discutem que os dados devem ser melhor explorados em outras culturas e em amostras com mais variados status socioeconômicos para testar sua valia em ambientes que tenham diferentes expectativas, filosofias e valores em se tratando de práticas de educação dos filhos em geral e do sono dos bebês em particular.

Portanto, a abordagem dos pesquisadores passou por uma linha de pensamento que não considera diferentes culturas, crenças e individualidades. Os pesquisadores concluem que todas essas são características limitam a generalização dos resultados. Ainda mais, as associações relatadas entre o sono e cognições maternas foram baseadas em percepções subjetivas e podem ter sido influenciadas pela variância do método compartilhado.

Esses aspectos não foram incluídos no artigo que, portanto, não relatou com acuidade o que foi descrito na pesquisa.

FINALMENTE, o artigo publicado continua a oferecer problemas na parte 'Avisos' de hábitos possivelmente perniciosos ao sono.

Alimentá-lo fora do horário? Não é possível, posto que o bebê pequeno precisa mamar em livre demanda para garantir que tenha todas suas necessidades de nutrição e também de sucção não nutritiva saciados. Não há conselho mais prejudicial para o estabelecimento e continuidade da amamentação e, consequentemente, para a saúde dos bebês, do que amamentar com horários predeterminados.

O artigo condena que o bebê durma com seus pais. As conclusões do artigo não consideram bases antropológicas, culturais e tampouco fisiológicas.

O co-leito ou cama compartilhada é algo praticado desde os primórdios da raça humana. A necessidade do bebê humano de estar em contato físico com a mãe vem dos tempos em que o ambiente era perigoso e a sobrevivência dependia de contato direto com sua mãe. Somos parte dessa descendência. Além disso, a cama compartilhada é comprovadamente de auxílio para estabelecimento da amamentação e tem efeitos positivos no estabelecimento de ritmos respiratórios, na regulação de padrões de sono, da taxa metabólica, de níveis hormonais, da produção enzimática (ajudando na habilidade do bebê de lutar contra doenças), na taxa de batimentos cardíacos e no sistema imune (8, 9, 10). Pode também ajudar a atender necessidades emocionais do bebê e da criança mais facilmente, levando em consideração os picos de crescimento, a crise de ansiedade de separação que se inicia por volta dos 8 meses e outras fases que vão além do primeiro e segundo ano de vida, nas quais o contato íntimo com a mãe faz toda a diferença.

Portanto, ter um conceito previamente fechado, contrário a um arranjo de sono, pode dificultar a família a lidar com as necessidades que o bebê e a criança manifestem.

ALGUMAS RECOMENDAÇÕES QUE EU DARIA AOS PAIS SERIAM:

- Investigue em que lugar o bebê dorme melhor: na mesma cama com os pais, no berço em outro quarto, no berço no mesmo quarto porém distante da cama do casal, no berço no mesmo quarto junto à cama? E onde você dorme melhor? Finalmente, onde você gostaria que seu bebê dormisse? A gama de variações possíveis é grande, pode-se tentar alguns dos arranjos até descobrir como toda a família dorme melhor.

- Alterne maneiras de auxiliar o bebê a adormecer, nem sempre mamando (a não ser nas primeiras semanas quando é impossível manter um bebê acordado após as mamadas), nem sempre embalando, às vezes peça para papai entrar na jogada! Ao aprender que pode adormecer de várias formas, é menos provável que o bebê faça associações fortes de sono que podem levá-lo a requerê-las no meio da noite.

- Reconheça os sinais de sono do bebê: esfregar olhos, bocejar, diminuir atividades, ficar irritado, olhar parado, chorar, em alguns casos, gritar. Crie rotinas de acordo com o cansaço e a necessidade de sono da criança (que vai mudando conforme a maturidade), ou seja, uma sequência simples de eventos que ajude a criança a identificar que a hora do sono está por vir.

- As sonecas são importantíssimas para o desenvolvimento do bebê e para o sono noturno. Ao contrário do que se pode pensar, um bebê exausto luta contra o sono e tem dificuldades de permanecer adormecido. Para serem restauradoras, as sonecas diurnas devem durar pelo menos 1 hora, em média, para bebês maiores de 4 meses. Se o bebê não dorme espontaneamente esse tempo e acorda aborrecido, precisa de ajuda para prolongar as sonecas. Você pode usar um sling e deixar o bebê dormir nele. Se ele dorme em berço ou cama, preste atenção: quando acordar, tente colocá-lo para dormir novamente o mais rápido possível. Às vezes, ficar por perto para intervir antes de o bebê acordar completamente é aconselhável. Esse processo pode ser demorado, mas vale a pena, pois o bebê vai aprendendo a emendar ciclos de sono e tirar sonecas mais longas, que são importantes para um bom sono noturno também.

Dra. Andréia C. K. Mortensen

 

Referências

1- Wolff, P.H. 1987. The development of behavioral states and the expression of emotion in early infancy: New proposals for investigation. Chicago: University of Chicago Press. (1987).
2- Our Babies, Ourselves. How biology and Culture shape the way we parent. Meredith F. Small. Anchor Books. (1998).
3- Tocar: o Significado Humano da Pele. Ashley Montagu. Ed. Summus. (1988).
4- Bowlby, J. (1969,1982) Attachment [Vol. 1 of Attachment and Loss]. London: Hogarth Press; New York, Basic Books; Harmondsworth, UK: Penguin (1971).
5- Babies and Their Mothers : D.W. Winnicott. Merloyd Lawrence. ( 1996).
6- Lynn Loutzenhiser, Regina Leader-Post. Have you been awake all night, trying desperately to put your child back to sleep, or does your little one sleep like a baby? The study is being done in collaboration with a contributing editor to Today's Parent magazine. The survey can be found at http://uregina.ca/~loutzlyn/Research.html. (2009).
7- Margot Sunderland, The science of parenting. DK Publishing Inc. (2006).
8-J. McKenna et al., Bedsharing Promotes Breastfeeding, Pediatrics 100, no. 2: 214-219. (1997).
9- J. McKenna et al., "Sleep and Arousal Patterns of Co-Sleeping Human Mother-Infant Pairs: A Preliminary Physiological Study with Implications for the Study of the Sudden Infant Death Syndrome (SIDS)," American Journal of Physical Anthropology 82, no. 3, 331-347 (1990).
10- A Reasonable Sleep. Evolution suggests that if we sleep with our babies, we might help some of them escape sudden infant death syndrome. By Meredith F. Small DISCOVER 13:4. Medicine. (1992).

Esta página foi publicada em: 18/03/2010.

Original-

http://guiadobebe.uol.com.br/bb1ano/a_natureza_do_sono_do_bebe.htm


Trecho do livro ‘Gentle Baby Care’, por Elizabeth Pantley  (McGraw-Hill, 2003)

Fonte: http://www.pantley.com/files/CarSeatCrying.pdf  

Tradução: Rosana Gaya  


Alguns bebês dormem assim que saem de carro enquanto outros não conseguem ficar felizes em suas cadeirinhas por míseros 5 minutos. Normalmente isso acontece porque o seu bebê está acostumado a ter mais liberdade e atenção do que podemos oferecer a eles enquanto estão em suas cadeirinhas.  

Dirigir ouvindo o bebê chorar é um desafio, mas por mais difícil que isso lhe pareça, a sua segurança e a do bebê é o mais importante. Os pais às vezes tiram o bebê da cadeirinha porque está chorando, o que é extremamente perigoso,  e isso dificulta cada vez mais a aceitação da cadeirinha pelo bebê. Alguns pais as vezes tomam decisões que colocam toda a família em risco. Ou estacione e tente acalmar o bebê ou se concentre em dirigir. Nunca tentem fazer ambas coisas ao mesmo tempo! 

 A boa notícia é que com algumas novas ideias, um pouco de tempo e maturidade, seu bebê se tornará um viajante feliz! (eu sei o que digo pois três dos meus bebês eram inimigos da cadeirinha!)  

Uma dessas estratégias vai lhe ajudar no dilema, caso uma falhe, tente outra e outra e outra...você há de encontrar a que servirá pro seu bebê! 

 CERTIFIQUE-SE DE QUE SEU BEBÊ ESTÁ SAUDÁVEL! Se os passeios na cadeirinha é algo novo e seu bebê também esta irritado em casa, certifique-se de que ele não esteja com uma infecção de ouvido ou qualquer outra coisa, uma visitinha ao médico é recomendada!   Traga a cadeirinha pra dentro de casa e deixe o bebê sentar e brincar com ela. Tornando o objeto familiar, talvez ele se sinta feliz em sentar nela no carro.   Tenha uma caixa especial com brinquedos que ele só brincará no carro, se forem interessantes o bastante, poderão prender a atenção do bebê durante o trajeto. (evite brinquedos duros pois podem causar machucados no caso de uma freada brusca).

  PRENDA OU PENDURE BRINQUEDOS NO CAMPO DE VISÃO DELE! Você pode fazer isso na parte de trás do banco pra onde ele fica virado ou preso, um amarrado de brinquedinhos luminosos vindo do teto por exemplo, usando fita ou uma corda. Coloque-os ao alcance das mãos do bebê para que ele possa mexer mesmo estando na cadeirinha. 


 MONTE UM MÓBILE PARA O CARRO!
Prenda em uma corda uma série de brinquedos de plástico de um lado a outro do banco de trás. Prenda delicadamente para que possa mudar os brinquedos entre um passeio e outro. Certifique-se de que estão seguros e mantenha a atenção para que eles não afrouxem enquanto você dirige. 

 EXPERIMENTE OUVIR MÚSICAS DIFERENTES NO CARRO

 Alguns bebês enjoam de ouvir sempre as mesmas musiquinhas de crianças. Outra surpresa é que os bebês vão se acalmando quando ouvem uma das músicas favoritas das mamães. Outros curtem ouvir a mãe ou o pai cantando mais do que qualquer outra coisa. 

 TENTE O SOM ESTÁTICO (RUÍDO BRANCO) NO CARRO!

Você pode usar fitas com sons da natureza ou gravar o barulho do aspirador de pó. Vá praticando em curtos e prazerosos passeios enquanto o seu bebê esta de bom humor. Pode ajudar alguém sentar ao lado dele e mantê–lo entretido. Algumas boas experiências podem estabelecer um novo padrão.   TENTE UMA CHUPETA OU MORDEDOR! Quando o bebê tem alguma coisa para sugar ou morder, pode se sentir mais feliz. Apenas certifique-se de que o brinquedo não apresenta nenhum risco. 

 PENDURE UM ESPELHO! Assim  bebê pode te ver (e você pode vê-lo) enquanto dirige. Em lojas especializadas se encontra espelhos desenvolvidos especialmente com esse propósito. Enqto está sentado na cadeirinha, o bebê pode pensar que você não está ali, mas ver seu rosto pelo espelho pode fazer com que ele se sinta melhor!  

PONHA UM TAPA SOL NA JANELA!

Isso pode ser útil se você achar que a luz solar  no rostinho está incomodando o bebê. Use tapa sol retrátil e evite qualquer que contenha peças duras que possam se soltar numa freada brusca.    Tente consolidar viagens Planeje a viagem de modo a usar caminhos mais rápidos e não ter que sair e voltar ao carro muitas vezes.   Certifique-se que o seu bebê ainda cabe na cadeirinha. Se as pernas estão apertadas e os cintos muito justos, talvez o bebê ache que a cadeirinha é desconfortável.   

 TENTE ABRIR A JANELA! Ar fresco e uma leve brisa podem ser prazerosos.  

 E se tudo o mais falhou......vá de ônibus!      

  O efeito Vulcão- pular sonecas produz birra? 

Por que pular uma soneca resulta em birra e extrema irritação?  
A partir do momento a criança acorda pela manhã ela já começa a consumir os benefícios da noite de sono passada. Ela acorda totalmente restaurada, cheio de energia, mas conforme as horas passam, pouco a pouco, os benefícios do sono da noite passada são esgotados, e um impulso para voltar a dormir começa a existir.  
Quando pegamos a criança nesse estágio e colocamos para dormir a soneca, fortalecemos os benefícios relacionados ao seu reservatório de sono, permitindo que ela ‘recomece’ após cada período de sono.  

Como mostrado nos números abaixo, conforme a maturidade da criança a quantidade de tempo que consegue ficar ‘acordada e feliz’ aumenta.  

Um bebê recém nascido só consegue ficar acordado de 1 a 2 horas antes que o cansaço se instale, enquanto que uma criança de 2 anos consegue durar até 7 horas acordada antes de precisar de uma soneca.  

Quando crianças são ‘forçadas’ a ficarem acordadas além de suas necessidades biológicas sem uma soneca, elas ficam com fatigua, chorosas e infelizes.  
Idade e tempo que aguentam acordados e felizes entre sonecas:

Recém nascido- 1 - 2 horas
6 meses- 2 - 3 horas

12 meses - 3 - 4 horas
18 meses- 4 - 6 horas
2 anos - 5 - 7 horas
3 anos- 6 - 8 horas
4 anos- 6 - 12 horas


Bebês aguentam um breve espaço de tempo acordados e a pressão do sono já chega. Rapidamente alcançam o pico do vulcão, entre 1-3 horas. Por isso é que recém nascidos dormem várias sonecas ao dia e bebês novos requerem 2-4 sonecas diárias.  

Confome o tempo os ciclos de sono do bebê ganham uma maturidade e eles são capazes de ficarem acordados mais tempo entre sonecas. Mas não é até 4 ou 5 anos de idade (as vezes mais) que a criança consegue passar o dia todo sem sonecas e feliz.   
 Pesquisas de sono sugerem que até adultos se beneficiariam de uma soneca no meio do dia ou pelo menos uma pausa para descansar seria extremamente benéfica para reduzir a pressão em todos seres humanos. 

 O efeito vulcânico  

Conforme o dia passa e a pressão do sono se instala, a criança fica mais irritada, chorosa e menos flexível, chora com mais frequência, faz birra, tem menos paciência. Ela perde a concentração e habilidade de aprender e absorver novas informações.  

O termo científico para esse processo é "pressão de sono homeostática " ou "tração do sono homeostática" . . . Eu chamo isso de ’O efeito vulcânico’ .  
Todas nós já vimos esses efeitos no bebê ou na criança, é tão claro como assistir um vulcão entrar em erupção. Quase todo mundo já observou uma criança chorosa e irritada e pensamos ou falamos: "É sono, precisa de uma soneca!"  
Conforme o dia passa, suas necessidades biológicas exigem uma pausa na forma de soneca para reparar, refrescar e se ‘reagrupar’. Se o bebê não tira essa soneca o problema se intensifica: os estrondos e tremores se tornam uma explosão mesmo!  
Sem o descanso da soneca a pressão homeostática continua se acumulando até o final do dia, crescendo e se intensificando- como um vulcão- até que a criança estará completamente exausta, elétrica e incapaz de parar a explosão.  

  O resultado é uma batalha intensa na hora de dormir com uma criança exausta, ranzinza, ou um bebê que não consegue adormecer- não importando o quão cansado esteja. 
 Pior ainda, uma criança que perde sonecas dia após dia acumula deprivação de sono que a põe no estágio do vulcão em erupção mais e mais rapidamente e facilmente.

E se ela está perdendo sonecas E também não tem uma boa qualidade ou quantidade de sono noturno.... cuidado!  


O Efeito Vulcânico não é algo que só acontece em crianças não! Esse processo biológico afeta adultos também. Entender isso pode ajudar a interpretar o que realmente está acontecendo em sua casa e no final de um longo dia, quando as crianças estão irritadas e fazendo birras e os pais estão ranzinzas e irritados também- o resultado é uma fileira inteira de vulcões explodindo!!  

A pressão de sono pode ser intensificada por problemas do ambiente como: noite de sono passada ruim, déficit de sono prévio e estresses diários. Mais ainda, o estado de espírito de cada pessoa afeta os outros, causando um mal humor contagioso! Então você se verá com pouca paciência com seu filho e lhe dirá "Desculpe meu amor, mamãe está cansada agora." (Essa é uma explicação frequente que nós geralmente não paramos para analisar!) 


 O conceito do vulcão ainda traz outra observação importante: Sonecas de qualidade podem compensar por sono noturno perdido- mas tempo extra de sono noturno NÃO compensa sonecas perdidas (devido ao conceito de pressão de sono homeostático).
Portanto, não importa se a criança dormiu bem a noite ou não – suas sonecas diárias são importantíssimas para liberar a pressão de sono em ascensão.  



Trecho do livro The No-Cry Nap Solution: Guaranteed Gentle Ways to Solve All Your Naptime Problems por Elizabeth Pantley (McGraw-Hill, January 2009).

Link para mais informações e trechos: http://www.pantley.com/elizabeth/

Tradução de Andréia Mortensen.

 Leitura relacionada:
 
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2529013779111770949

Por que bebês lutam contra as sonecas? Por Cathrin Tobin

Blog EntryOct 30, '09 10:19 AM
for everyone
"O imediatismo é uma das características do pranto infantil que surpreende e aborrece algumas pessoas. 'Basta deixá-lo no berço que começa a chorar como se estivessem matando-o'.

Para alguns especialistas em educação, esta constitui uma característica desagradável do caráter infantil e o objetivo é vencer seu "egoísimo" e "teimosia", ensinar-lhe a atrasar a satisfação dos seus desejos. Por que razão não tem um pouco mais de paciência, por que não pode esperar um pouco mais ?

Poderíamos compreender que, 15 minutos depois de a mãe partir, começassem a ficar um pouco inquietos; que meia hora depois começassem a choramingar e que duas horas mais tarde chorasse com todas as suas forças. Isso pareceria lógico e razoável. É isso que nós, adultos, fazemos, assim como as crianças mais velhas, depois de termos "ensinado" a ser pacientes, não é verdade ? Mas, em vez disso, os nossos filhos pequenos começam a chorar com toda a força enquanto se separam da mãe; choram ainda com mais força (o que parecia ser impossível !) cinco minutos depois e apenas deixam de chorar quando ficam exaustos. Não parece lógico !


Mas é lógico. Começar a chorar imediatamente é o comportamento "lógico", o comportamento de adaptação, o comportamento que a seleção natural favoreceu durante milhões de anos, porque facilita a sobrevivência do indivíduo. Numa tribo, há 100.000 anos, se um bebê separado da mãe chorasse imediatamente a plenos pulmões, a mãe provavelmente iria buscá-lo de imediato. Porque essa mãe não tinha cultura nem religião, nem conhecia os conceitos de "bem", "caridade", "dever" ou justiça"; não cuidava do filho por pensar que essa era a sua obrigação ou porque temia a prisão ou o inferno. Muito simplesmente, o choro do filho desencadeava nela um impulso forte, irresistível, de acudi-lo e confortá-lo. Mas se um bebê se mantivesse calado durante 15 minutos e depois chorasse baixinho e apenas chorasse a plenos pulmões em 2 horas, a mãe poderia estar longe demais para ouvir.

Esse grito tardio já não teria qualquer utilidade para a sua sobrevivência, contribuindo, pelo contrário, para acelerar o seu fim. Porque agora, os gritos de angústia de uma cria abandonada seriam música para os ouvidos das hienas.


Além disso, se refletirmos um pouco, veremos que esse comportamento que nos parece "lógico" e "racional" perante a separação da pessoa amada, esperar um pouco e aborrecer-se gradualmente, apenas é adotado pelos adultos quando esperam confiantemente o regresso da pessoa ausente. Imagine que a sua filha de 15 anos está na escola. Durante o horário escolar, você não sente qualquer preocupação relativamente a essa separação, porque sabe perfeitamente onde ela se encontra e quando vai regressar (o seu filho de 2 anos saberá onde você se encontra e quando você volta ? Mesmo que lhe expliquem, não consegue compreender). Se passarem 30 minutos da hora em que deveria chegar em casa, certamente você começará a sentir os primeiros temores ("o ônibus atrasou", "deve estar conversando com os amigos"). Se se atrasar mais do que 1 hora, começará a aborrecer-se ("estes filhos, parece mentira, são uns irresponsáveis, pelo menos podia ter telefonado, foi para isso que lhe comprei o celular"). Se ela se atrasar 2 ou 3 horas, você começará a telefonar para as amigas, para ver se ela está na casa de alguma. Se 5 horas depois ainda não tiver aparecido, você estará chorando, ligando para os hospitais, porque pensa que foi atropelada. Depois de 12 horas, chorará cada vez mais, irá à polícia, onde lhe vão explicar que muitos adolescentes fogem de casa por qualquer motivo, mas quase todos voltam dentro de 3 dias. Durante 3 dias, você vai agarrar-se a essa esperança, mas cada vez chorará mais e, ao fim de 1 semana, será a imagem viva do desespero.


Mas imagine agora que tem uma grande discussão com a sua filha de 15 anos, na qual se proferem censuras e insultos graves e, por fim, ela mete alguma roupa velha numa mochila e grita "odeio você ! Odeio, estou farta desta família, vou embora para sempre, não quero ver você nunca mais"e vai-se embora, batendo a porta. Quantas horas espera alegre e despreocupadamente antes de começar a chorar ? Não começará a chorar ainda antes que ela saia de casa, não a seguirá pela escada, não correrá atrás dela pela rua, não tentará agarrá-la sem temer dar espetáculo na frente dos vizinhos, não se porá de joelhos à frente dela e suplicará, não se deterá apenas quando a exaustão a impedir de continuar a correr ? Parece-lhe que comportar deste modo possa ser "infantil" ou "egoísta" da sua parte ? Acha que ouviria os vizinhos dizerem "olha que mãe mais mal-educada, nem há 5 minutos que a filha foi embora e já está chorando como uma histérica. Certamente faz isso para chamar a atenção" ?

Sim, é fácil ser paciente, quando se está convencido de que a pessoa amada vai regressar. Mas não se mostrará tão paciente quando tiver dúvidas a esse respeito. E quando tiver certeza absoluta de que a pessoa amada não pensa em voltar, não será absolutamente nada paciente desde o início.

Não precisa esperar 15 anos para viver uma cena como a descrita. A sua filha já se comporta assim agora, quando você vai embora. Porque ainda é muito pequena
para saber se você vai regressar ou não, ou quando vai regressar, ou se vai estar perto ou longe. E, por acaso, o seu comportamento automático, instintivo, aquele que herdou dos seus antepassados ao longo de milhares de anos, será começar a pensar sempre no pior. Cada vez que se separa de você , a sua filha irá chorar como se a separação fosse para sempre. (E o que dizer das mães que pretendem "tranqüilizar" os filhos com frases do estilo "se não se comportar, a mamãe vai embora" ou "se não se comportar, não gosto de você" ?).


Dentro de 3, 4, 5 anos, à medida em que vá compreendendo que a mãe vai voltar, a sua filha poderá esperar cada vez mais tranqüila e durante mais tempo. Mas não será por ser "menos egoísta" nem "mais compreensiva", e muito menos porque você, seguindo os conselhos de qualquer livro, ensinou-lhe a adiar a satisfação dos seus caprichos.


Os recém-nascidos necessitam do contato físico. Provou-se experimentalmente que, durante a primeira hora depois do parto, os bebês que estão no berço choram 10 vezes mais do que aqueles que estão nos braços da mãe.

Ao fim de alguns meses, é provável que se conformem com o contato visual. O seu filho ficará contente, pelo menos durante algum tempo, se puder ver a mãe e se ela sorrir-lhe ou falar com ele de vez em quando. Há 100.000 anos, as crianças de meses provavelmente nunca se separavam da mãe, porque isso significava ficarem no chão nus. Atualmente, estão bem protegidos num local macio, e, mesmo que o instinto lhe continue a dizer que estarão melhor no colo, são tão compreensivos e têm tanta vontade de fazerem-nos felizes que a maioria se resigna a passar alguns minutos na cadeirinha. Mas, assim que você desaparecer do seu campo visual, o seu filho começará a chorar como "se estivessem matando-no". Quantas vezes se ouviu uma mãe dizer esta frase ! Porque efetivamente a maorte foi, durante milhares de anos, o destino dos bebês cujo pranto não obtinha resposta.


É claro que o ambiente onde criamos nossos filhos é atulamente muito diferente daqeule em que evoluiu a nossa espécie. Quando você deixa seu filho no berço, sabe que ele não vai passar frio ou calor, que o teto o protege da chuva e as paredes, do vento, que não será devorado por animais selvagens; sabe que estará apenas a alguns metros, no quarto ao lado, que acudirá prontamente ao menor problema. Mas seu filho não sabe disso. Não pode sabê-lo. Reage exatamente como teria reagido um bebê do Paleolítico. O seu pranto não responde a um perigo real, mas a uma situação, a separação, que durante milênios significou invariavelmente perigo.

À medida em que vai crescendo, seu filho irá aprendendo em que caso a separação comporta um perigo real e em que caso não tem importância. Poderá ficar tranqüilamente em casa enquanto você vai às compras, mas começará a chorar se estiver perdido no supermercado e pensar que você voltou para casa sem ele...

O pranto de nada serviria se a mãe não estivesse também geneticamente preparada para lhe responder. O pranto de uma criança é um dos sons que provoca uma reação mais intensa num adulto humano. A mãe, o pai e mesmo os desconhecidos sentem-se comovidos, preocupados e angustiados; sentem um desejo imediato de fazer algo para que o choro pare. Amamentá-lo, passear com ele, trocar a fralda, pegá-lo no colo, vesti-lo, despi-lo; qualquer coisa, desde que se cale. Se o pranto for especialmente intenso e contínuo, recorre-se ao pronto socorro ( e muitas vezes com bons motivos).


Quando nos é impossível calar um pranto, a nossa própria impotência pode converter-se em irritação. É o que acontece, quando se ouve chorar noutro andar: as convenções sociais impedem-nos de intervir e, por isso, a situação é particularmente aborrecida para nós ("Mas o que estão pensando aqueles pais ?" "Não fazem nada ?, "Aquele menino é um malcriado, os nossos nunca choraram assim !"). Muitos vizinhos criticam pelas costas ou repreendem as mães cujos filhos choram "demais" e alguns chegam até a bater na porta para protestar. Várias mães já me disseram: "O médico disse que o deixasse chorar porque chora sem razão; mas não posso fazer isso porque os vizinhos reclamam." Com a mesma intensidade sonora, uma criança que chora num edifício incomoda-nos mais do que um trabalhador que martela um som de heavy metal.



Quando as normas absurdas de alguns especialistas impedem os pais de responder ao choro da forma mais eficaz (pegando o bebê no colo, tocando-lhe, cantando, amamentando-o...), que outra saída nos resta ? Pode deixá-lo chorar e tentar ver TV, cozinhar, ler um livro ou conversar com o seu companheiro, enquanto ouve o pranto agudo, contínuo, dilacerante do seu próprio filho, um prato que atravessa as paredes e pode prolongar-se por 5, 10, 30, 90 minutos ? E quando começa a fazer ruídos angustiantes como se estivesse vomitando ou sufocando ? E quando deixa de chorar tão de repente que, em vez de ser um alívio, imagina a criança parando de respirar, ficando branca e depois azulada ? Estarão os pais autorizados a correr para o lado do filho ou isso seria considerado como "recompensá-lo pela choradeira" e até disso estão proibidos ?

A outra opção é tentar acalmá-lo, mas sem pegar no colo, embalar ou amamentar. E porque não também com uma mão amarrada nas costas, para tornar a tarefa ainda mais difícil ? Ou ligar ou rádio, rezar ou oferecer-lhe dinheiro ?

Um especialista, o Dr. Estivill, propõe que lhe digamos o seguinte (a uma distância superior a um metro, de modo que os pais não toquem na criança): "Meu amor, mamãe e papai te amam muito e estão ensinando você a dormir. Dorme aqui com seu boneco... Até amanhã"


Palavras de consolo e de amor verdadeiro que certamente acalmariam qualquer criança, seja qual for a causa do seu pranto, a partir de 6 meses ! Ainda que talvez nem mesmo o autor destas palavras acredite muito na sua eficácia tranqüilizadora, pois adverte os pais que, uma vez pronunciadas, devem ir-se embora, mesmo que a criança continue a chorar e a gritar (a mal agradecida).

Em muitos países os maus tratos são um problema. Dezenas de crianças morrem todos os anos nas mãos dos próprios pais e muitas sofrem hematomas, fraturas, queimaduras... A pobreza, o álcool e outras drogas, o desemprego e a marginalidade contam-se entre as causas dos maus tratos. Mas também é necessário um catalisador. Por que bateram na criança hoje e não ontem ? O pranto é um catalisador freqüente. "Chorava sem parar e não consegui suportar mais". O que podem fazer os pais quando tudo o que serve para acalmar as crianças (peito, colo, canções, agrados) está proibido ?"

Do livro Bésame Mucho - Como Criar os Seus Filhos Com Amor, do Dr. Carlos González.
Colaboração de Flávia O. Mandic








Blog EntryOct 9, '09 1:08 PM
for everyone
  Sono do Bebê: Uma Solução Pacífica    

  de Naomi Aldort , autora de "Raising Our Children - Raising Ourselves"  

Meu Bebê Acorda Muito Seguido  

Pergunta: Minha bebê tem 9 meses e ela acorda para mamar praticamente de hora em hora. Ela acorda e chora, se agita, ou só resmunga. Nossa bebê dorme junto na nossa cama. Ela tira uma soneca durante o dia. Eu coloco ela na cama por volta das 8, e às 9 ela acorda chorando. Meu marido e eu vamos pra cama por volta das 11hs. Então, ela acorda pela segunda ou terceira vez e continua acordando toda a noite. Como eu posso reduzir a quantidade de mamadas durante a noite?  



Resposta de Naomi Aldort:

A maternidade noturna  surpreende muito as mães. Ninguém nos fala que um bebê bem conectado acordaria com freqüência para se alimentar. Além disso, é difícil não se influenciar pela expectativa cultural de que um bebê deveria dormir a maior parte da noite, com muito poucas interrupções.

Ainda mais, essa expectativa é o que cria o stress. Meu palpite é que, se você soubesse que o bebê vai acordar bastante, você estaria mais em paz com relação a isso e encontraria um jeito de conseguir mais descanso para você mesma.  


É comum e saudável para os bebês, acordar com freqüência para se alimentar. A quantidade de alimentação à noite varia de bebê para bebê, mas, a maioria dos bebês que são totalmente atendidos, vai acordar com freqüência; é o jeito da natureza garantir a saúde, segurança e crescimento do bebê. Bebês crescem rápido quando dormindo, e portanto, estão freqüentemente com fome.

 Quando descobrem que as suas necessidades vitais estão sempre ao alcance, eles crescem para se sentirem emocionalmente seguros, contentes e confiantes em si mesmos e nos outros. Eles aprendem que dicas sutis são suficientes para ter suas necessidades satisfeitas. 


 É interessante que, a maioria das mães aborígenes nem sequer pensa em “colocar” um bebê para dormir. Uma mãe simplesmente continua sua vida com o bebê preso ao seu corpo. O bebê dorme e acorda, fortalecendo sua auto-consciência e auto-confiança.  À noite, a mãe já está esperando acordar tanto quanto for necessário.


  Tanta conexão física parece ameaçadora para as mães modernas. A dificuldade começa quando nós resistimos ao jeito como a bebê é. Quando nos focamos em corrigir seus modos, em vez de responder ao jeito como ela é. Quando seguimos essa trilha, estamos estressadas e desconectadas de nossa bebê, e menos capazes de entender suas necessidades. Queremos que ela seja o que ela não é. 


 Em contraste, quando confiamos na bebê, nós facilmente encontramos maneiras produtivas de responder às suas demandas. Por exemplo, não resistimos ao fato de que os nenéns não caminham; nós os carregamos, e inventamos Baby Slings, e outras soluções criativas que nos ajudam a ir de encontro `as necessidades deles.

Portanto, ao responder a sua pergunta, eu gostaria de fornecer ferramentas para atender a necessidade da sua bebê ser alimentada à noite. Fazendo isso, pode ser que ela acorde menos vezes, mas esta não é a sua meta. Quando você conquistar paz interior- as escolhas dela serão para você um grande prazer. Reduzir acordadas para conferir que a mamãe está lá.
   Sendo que você coloca sua neném na cama algumas horas antes de você e possivelmente para sonecas, é provável que ela tenha se tornado ansiosa, precisando conferir que você está ao lado. Sozinha no berço ou sozinha na cama familiar não tem diferença para a bebê.
 Se ela acorda e você não está lá, ela chora de aflição e aprende que chorar é o jeito de conseguir a sua atenção.
Desta maneira ela já se condicionou a acordar ansiosa e chorando. Ela dorme menos profundamente, ficando alerta à sua presença, e acordando com mais freqüência , mesmo  quando você está ali bem do seu lado.

Ela não tem como ter certeza de que você estará lá. A bebê só se sente segura para dormir profundamente quando ela não tem dúvida de que você está sempre com ela. Portanto, sono conjunto é melhor quando praticado em tempo integral. 

 Isto não é motivo para você se culpar, ou se preocupar com a sua bebê. Ela está obviamente sendo muito bem cuidada e, portanto, irá responder aos ajustes e ganhar um sono mais tranqüilo. 

 Você não está sozinha. Muitos pais responsáveis e conectados colocam o seu bebê na cama antes deles para poder se conectarem com seu companheiro/a ,ou para  cuidarem de si próprios. Embora a conexão do casal seja  importante,a noite é a pior hora para isto, já que é a hora que o bebê mais precisa da mãe. Seja criativa em encontrar tempo para você e o seu esposo, e aprendam a se conectar um com o outro com o bebê nos braços. A vida nunca mais será a mesma.
O quanto antes você abraçar a nova realidade, mais alegria você terá.  

Abaixo se encontram jeitos de certificar que a sua filha esteja livre de ansiedade, e que você consiga dormir mais, enquanto honra a sua necessidade por alimentação freqüente durante a noite: 

    * Vá para a cama na mesma hora que a sua bebê, ou mude o horário dela de dormir para gradualmente se ajustar ao seu. Deste jeito você poderá dormir mais e a sua bebê vai aprender a confiar que você está sempre ao seu lado e, gradualmente diminuir a necessidade de “acordar pra conferir”. Depois de um tempo, quando ela tem certeza de que você está sempre com ela, ela vai acordar sem chorar e só o tanto quanto ela necessite mamar.           * Uma alternativa é deixar a sua bebê pegar no sono em seus braços enquanto você ainda está de pé com seu marido, ou com suas outras crianças.     


     * Quando a sua neném tira um cochilo, você pode dormir com ela e também descansar, carregue ela num Baby Sling ,sente com ela nos braços para ler, ou para estar com sua criança mais velha ,etc., ou deite ela do seu lado, sendo que se ela demonstrar o menor movimento,você pode prontamente tocá-la, se  aninhar com ela, ou amamentar. Assim ela se sente segura.      

    * Durma sem blusa , ou com um roupa que seja fácil de remover, podendo permanecer adormecida enquanto oferece o peito.       

   * Amamente sem mudar muito de posição. Fique na cama e deitada no escuro. A minimização do movimento e mudança ajudará ambas voltarem a dormir. Você pode até pegar no sono ou cochilar enquanto amamenta.    

      * Se você precisar trocar uma fralda molhada, tenha à mão, e troque debaixo das cobertas deitada. Eu descobri colocar o bebê no meu peito uma das posições mais fáceis para trocar fraldas , assim como um jeito celestial de cair no sono. Isto funciona melhor com fraldas do formato da descartável. (Ou fralda de pano tipo All in One).      

    * Coloque cortinas na janela do seu quarto, e a sua bebê vai dormir mais tempo de manhã, permitindo a vocês duas um descanso a mais.(Isto pode levar tempo para causar um impacto na sua neném.)        

  * Quando um bebê começa a se agitar, eu geralmente me pergunto se ele acordou não por necessidade de se alimentar,mas por que está muito quente, ou a malha da sua roupa está desconfortável devido ao material, nós, ou dobras. Experimente diferentes tipos de material macio, e tenha certeza de que o quarto tem ar fresco.     

     * Evite luzes noturnas. Mantenha o quarto escuro para um sono mais profundo, e para quando a sua bebê acordar, ela não tenha interesse visual e queira levantar.       

   * Com raras exceções, evite tirar sua neném da cama no meio da noite.       

   * Remova relógios eletrônicos e outros artefatos elétricos da área de sono. Isto inclui TV, ou máquinas do outro lado da parede. Campos eletromagnéticos enviam radiação através da parede e podem ser prejudiciais, assim como manter alguns bebês acordados.   

       * Remova o relógio do quarto para o seu próprio bem, também. Evite contar o número de vezes que a sua bebê acorda, ou quanto sono você consegue; tais preocupações mentais causam stress e cansaço. Estar em paz pode ser mais reparador que o sono.        

  * Cada vez que a sua neném acordar, refresque a sua memória sobre o quanto você a ama e curte amamentá-la e abandone as contagens de quantas vezes você acordou. Quando você não lembra de manhã quantas vezes ela acordou, você vai se sentir revigorada.    

Eu me recordo de noites quando eu não conseguia voltar a dormir depois de amamentar. Eu terminava dormindo duas ou três horas e me sentia exausta. Então eu me livrei do relógio e parei de contar. Minhas horas acordada durante a noite se tornaram muito especiais. Eu me aninhava com meu bebê esperando com um grande prazer pela sua próxima acordada. Eu pensava comigo mesma,

“Como eu posso memorizar esse tempo incrível de estar deitada na cama segurando esse encanto angelical adormecido?” Sem contar, ou conferir no relógio, eu levantava de manhã com plena energia para o dia.

  O que vai ajudar mais você, é se dar conta que não há problema; você pode aguardar ansiosamente pela acordada da sua bebê durante a noite. Utilize as ferramentas que mais se ajustam a você e encontre outras que correspondam ao seu caso específico, e a sua bebê que é única. Sua serenidade vai ajudá-la a permanecer criativa e receptiva.  


  Naomi Aldort Ph.D. é a autora de Raising Our Children, Raising Ourselves (Criando Nossos Filhos, Criando  Nós Mesmos), ainda não traduzido para o português. Suas colunas de conselho são publicadas em revistas progressivas de paternidade/maternidade em todo mundo.  

Aldort oferece orientação por telefone,e aconselhamento internacional com respeito a  todas as idades, de bebês até adolescentes: paternidade/maternidade conectada; aprendizagem natural; relacionamentos pai-e-filho pacíficos e poderosos. Produtos, aconselhamento, e boletim informativo gratuito: www.authenticparent.com  

©Copyright Naomi Aldort  

Traduzido por Janaína Ribeiro, ventobranco@gmail.com  para www.slingando.com

M. BOOKS / SÉRIE PAIS E FILHOS
 

 

Lançamento

Agosto /2009

 

344 páginas
Formato: 16 X 23

Preço R$59,00

 

ISBN: 978857680075-0
Código de Barras:
978857680075-0

 

Tradução

Maria Lúcia Rosa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

SOLUÇÕES PARA NOITES SEM CHORO

Para crianças de 1 a 6 anos

 

MANEIRAS TRANQÜILAS PARA ACABAR COM OS PROBLEMAS NA HORA DE DORMIR E MELHORAR O SONO DE SEU FILHO

 

O amado clássico para os pais, de Elizabeth Pantley, Soluções para Noites Sem Choro, ajudou muitos pais a ajustarem o sono de seus bebês com carinho. Agora em Soluções para noites sem choro para crianças de 1 a 6 anos, lançamento da Editora M.Books a autora mostra as ferramentas para ajudar seu filho de um a seis anos a ir para a cama, permanecer nela e dormir a noite inteira.

 

Seu filhinho não dorme a noite inteira, briga para não ir dormir e você não tem uma boa noite de sono há anos? Conquiste o descanso que você precisa com os conselhos encontrados em Solução para Noites Sem Choro para Crianças de 1 a 6 Anos.

 

O livro oferece soluções sem choro para:

·         Batalhas, demora e fúria infantil na hora de dormir.

·         Despertar noturno e nas primeiras horas da manhã.

·         Transferência do berço para uma cama de solteiro.

·         Progresso da cama dos pais para o sono independente.

·         Eliminação da rotina de amamentar durante a noite inteira.

·         Término das visitas noturnas dos pequenos à sua cama.

·         Manejo de problemas na hora da soneca diurna.

·         Pesadelos, ansiedade de separação e temores noturnos.

 

Mãe de quatro filhos e orientadora educacional, Elizabeth Pantley elaborou um método de acabar com as noites em claro sem apelar para soluções como deixar a criança chorar ou relutar a noite toda ou fazer dos pais mártires que passam a noite em claro.

 

Sobre a Autora

 

Elizabeth Pantley, é autora do clássico livro de ajuda aos pais Soluções para Noites Sem Choro. Ela é freqüentemente citada como especialista em cuidados infantis e é mãe de quatro filhos que dormem como anjos.

 

 

A AUTORA ESTÁ DISPONÍVEL PARA ENTREVISTAS

 

 

 

 

 

 

M.Books do Brasil Editora Ltda

Contato para divulgação: Patrícia Rosa

Fone: (11) 3645-0415 E-mail: divulgacao@mbooks.com.br

Visite nosso site: www.mbooks.com.br




Quando dormem juntos, a mãe, ainda sonolenta, precisa auxiliar o bebê a adormecer no meio da noite após uma mamada. Mas os hormonios tranquilizantes liberados na mãe e bebê na amamentação ajudam a mãe a voltar a dormir (quem não se lembra de sentir relaxada e sonolenta após uma sessão de amamentação né?)

Ou seja, quando se dorme com o bebê geralmente não existem acordadas totais com muito choro, não existe aumento na adrenalina, tentativas de ficar acordado enquanto o bebê mama, tentativas de colocar o bebê que tava quentinho nos braços da mamães de volta no berço gelado (promovendo mais adrenalina nessa transferência de local e mais choro) e então tentar adormecer novamente, já temendo a proxima chamada para proxima mamada.

Hormonios do stress são presentes em niveis mais baixos em mães e bebês que dormem juntos, especificamente o balanço do hormonio CORTISOL, cujo controle é essencial para crescimento saudavel do bebê.

Em estudos com animais, bebês que permaneceram juntos às suas mães tinha maiores níveis de hormonios do crescimento e enzimas necessaries para crescimento do coração e cérebro (Butler, S.R., et al., "Maternal behavior as a regulator of polyamine biosynthesis in brain and heart of developing rat pups", Science, 1978, p 445-447; Kuhn, C.M., et al., "Selective depression of serum growth hormone during maternal deprivation in rat pups", Science, 1978, p. 1035-1036).


Vários estudos mostram que a fisiologia de bebês que dormem com suas mães é mais estável, incluindo temperatura, regulação de ritmos cardíacos e menos pauses em respiração que bebês que dormem sozinhos (Field, T., Touch in early development, N.J.: Lawrence Earlbaum and Assoc., 1995; Reite, M. and J.P. Capitanio, "On the nature of social separation and social attachment", The psychobiology of attachment and separation, New York: Academic Press, 1985, p. 228-238).


Dois dos maiores responsaveis desse coquetel hormonal são Ocitocina , o hormonio das ligações de afeto- tb conhecido como “hormonio do amor”, e prolactina um hormonio critico para iniciação da lactação que é chamado frequentemente de “hormonio da maternidade”. Ocitocina está envolvida em seja qual face do amor considerarmos- é liberada durante o sexo e tb foi relacionada evocar comportamento maternal se injetado em cérebros de ratas virgens.

Ocitocina sozinha é parte de um balanço hormonal complexo. Um aumento repentino de ocitocina dá motivação ao amor que pode ser direcionado em caminhos diferentes, e por isso existem diferentes tipos de amor (por exemplo, com alto nível de prolactina esse desejo é direcionado aos bebês).


Quando mulheres amamentam, por exemplo, elas recebem altas doces de ocitocina – que estimula reflexo de ejeção do leite e prolactina, que tem um efeito calmante na mãe quando amamenta. Endorfinas, os hormonios do prazer e superioridade tb são liberados durante amamentação e encorajam a mãe a repetir a experiencia de amamentar. Então endorfinas são transferidas do leite materno para o bebê, dando-lhe um senso de contentamento enquanto amamenta. Considerando que níves de prolactina são os maiores durante a noite, faz sentido considerar a proximidade com seu bebê à noite um fator importante na elevação e sentimentos de amor que a mãe sente por seu bebê. Talvez, sem a pressão de ensinar os bebês a dormirem a noite toda o quanto antes, mães poderiam apreciar as mamadas noturnas como uma oportunidade extra de ligação com seus bebês.





Observação: Como citado, a prolactina (hormônio responsável pela produção do leite) é mais produzida durante as mamadas noturnas.
Portanto, é mais do que importante manter e incentivar essa rotina de amamentar nas madrugadas para elevar a produção desse hormônio.
Bebês que são levados a dormir a noite toda desde cedo correm o risco de serem desmamados antes do tempo.



Para mães que curtem dividirem as camas com seus bebês, as pesquisas afirmam- toque e proximidade são elementos essenciais no apego entre vocês, o status hormonal que aumenta o apego é mais efetivo durante as mamadas noturnas, amamentação é mais sucessiva e continuada quando mães e bebês dormem juntos (McKenna JJ, Why babies should never sleep alone: a review of the co-sleeping controversy in relation to SIDS, bedsharing and breast feeding, Paediatr Respir Rev. 2005 Jun;6(2):134-52; McKenna JJ, Mosko SS, Richard CA. Bedsharing promotes breastfeeding. Pediatrics. 1997 Aug;100(2 Pt 1):214-9; Mosko S, Richard C, McKenna J, Drummond S, Mukai D.; Mosko S, Richard C, McKenna J. Maternal sleep and arousals during bedsharing with infants. Sleep. 1997 Feb;20(2):142-50.)



Se, mesmo com todas evidencias, ainda encontra criticismo à sua escolha (por exemplo, ouve comentarios como “ele nunca sairá de tua cama!”), acredite, seus filhos sairão de tua cama!!!
Mas lembre-se que quando entrarem na faculdade, podem muito bem estar dormindo com outra pessoa!



Trechos retirado dos artigos:

http://en.wikipedia.org/wiki/Co-sleeping

http://www.babyreference.com/sleepingandSIDS.htm

http://www.bellybelly.com.au/articles/baby/cosleeping-is-it-part-of-bonding

Por Andréia C. K. Mortensen




NORMAS GERAIS DE SEGURANÇA PARA A CAMA COMPARTILHADA

 
 

Através de meu livro, SOLUÇÃO PARA NOITES SEM CHORO, é evidente que todos os nossos quatro bebês foram muito bem-vindos em nossa cama familiar. Eu e meu marido Robert temos permitido que nossas crianças dividam nossa cama e nossos filhos, da mesma forma, têm apreciado dividir a cama com os irmãos. Importância crucial, no entanto, é o fato de termos seguido religiosamente todas as recomendações de segurança conhecidas para compartilhar o sono com nossos bebês.

A segurança para trazer um bebê para uma cama de adulto tem sido assunto de muito debate na sociedade moderna, especialmente recentemente. Em 1999 a Comissão de Segurança de Produtos ao Consumidor nos Estados Unidos (CONSUMER PRODUCT SAFETY COMISSION – CPSC), anunciou uma recomendação contra a prática da cama compartilhada com um bebê de idade inferior a dois anos. Todavia, pesquisas de opinião pública demonstram que aproximadamente 70% dos pais efetivamente dividem o sono com seus bebês durante parte da noite ou durante toda a noite. A maioria dos pais que escolhem compartilhar a cama está avidamente comprometida com a prática e encontram muitos benefícios nela.

A recomendação da CPSC é controvertida e têm agitado debates acalorados entre pais, médicos e especialistas em desenvolvimento da infância sobre a acuidade e propriedade desta recomendação; muitos especialistas acreditam que a questão demanda mais pesquisa. Enquanto isso é muito importante você pesquisar todos os pontos de vista e fazer a decisão correta para sua família. E lembre-se: mesmo que você decida-se contra dormir com sua criança você poderá aguardar para dividir o sono com o bebê mais velho, se assim se ajustar a sua família.

A lista de segurança a seguir, bem como muitas referências à cama compartilhada feitas em meu livro e no site da internet, são fornecidas por estes pais que pesquisaram este assunto e têm feito uma escolha instruída a favor da cama compartilhada com seus bebês. Aonde quer que você escolha para seu bebê dormir as sonecas do dia ou o sono da noite, por favor, preste muita atenção às recomendações de segurança e precaução a seguir:

- Sua cama deve ser absolutamente segura para seu bebê. A melhor escolha é colocar o colchão no chão, com a certeza de não existir nenhum vão onde seu bebê possa ficar preso. Tenha certeza de ter um colchão plano, firme e liso. Não permita que seu bebê durma em uma superfície macia, tal como cama d´água, sofá, colchões com a parte superior almofadada, poltronas em formato de “pufe” do tipo que se moldam ao corpo, ou qualquer outro móvel com estrutura flexível que possa ceder.

- Tenha certeza de ter lençóis sob medida, que permaneçam seguramente ajustados e não se soltem em caso de puxados.

- Se sua cama for elevada do chão utilize uma grade de segurança de estrutura entrelaçada para prevenir seu bebê de rolar para fora da cama e seja especialmente cuidadosa acerca de não existir nenhum espaço entre o colchão e a guarda da cabeceira da cama ou a guarda dos pés da cama.

OBSERVAÇÃO: Algumas grades de segurança projetadas para crianças mais velhas não são seguras para bebês porque possuem espaços em sua estrutura que possibilitam a passagem de pequenos corpos ou que estes fiquem presos nelas.

- Se sua cama é posicionada contra uma parede ou outro móvel verifique-a toda noite para ter certeza de que não existe nenhum espaço entre o colchão e a parede ou o móvel aonde o bebê possa ficar preso.

- A criança deve ser colocada entre a mãe e a parede ou a grade de proteção. O pai, irmãos, avós e babás não possuem a mesma consciência instintiva da localização do bebê como sua mãe. Mães: prestem atenção a sua sensibilidade pessoal ao bebê. O seu pequeno deve ser capaz de acordá-la através de um barulho ou movimento mínimo – normalmente até mesmo uma fungada ou ronco é suficiente. Se você descobrir que dorme tão profundamente que somente acorda quando seu bebê emite um choro alto, considere seriamente mudar o bebê para fora de sua cama, talvez para um berço próximo ou ao lado de sua cama.

- Utilize um colchão bem grande para fornecer amplitude de espaço e conforto para todos.

- Considere a possibilidade de uma arrumação de “cama acoplada”, aonde o berço ou segunda cama posiciona-se diretamente ao lado da cama principal.

- Tenha certeza de que o quarto aonde seu bebê dorme e todos os outros quartos a que ele possa ter acesso é a prova de crianças. (Imagine seu bebê engatinhando para fora da cama enquanto você dorme, para explorar a casa. Mesmo que ele não tenha feito isso - AINDA - você pode ter certeza de que eventualmente ele irá fazê-lo).

- Não durma com seu bebê se você tiver bebido álcool, se tiver usado qualquer droga ou medicação, se você em especial costuma dormir profundamente ou se está sofrendo privação de seu sono e acha difícil acordar-se.

- Não durma com seu bebê se você for uma pessoa grande, uma vez que um pai acima do peso constitui-se em risco provado para bebê, na situação da cama compartilhada. Não posso especificar uma tabela de correlação peso/bebê. Se o bebê rolar em sua direção, se existir inclinação ou depressão grande no colchão ou se você suspeita de qualquer outra situação de perigo, aja com segurança e acomode o bebê em um berço ou cama menor ao lado de sua cama.

- Remova todas as almofadas e cobertores durante os primeiros meses. Utilize extrema precaução quando introduzir almofadas ou cobertores, a medida que sei bebê fique maior. Vista o bebê e vocês de forma aquecida para dormir. (Uma dica para mamães que amamentam: como camiseta de baixo e para manter-se mais aquecida, vista uma camiseta comum ou de gola role antiga cortada pelo meio em direção à linha do decote). Tenha em mente que o calor do corpo aumenta o aquecimento durante a noite. Tenha certeza que seu bebê não ficará superaquecido.

- Não vista roupas de dormir com cordões ou fitas compridas. Não use jóia e se seu cabelo for longo, prenda-o para cima.

- Não utilize perfumes ou loções de aromas fortes que possam afetar os sentidos delicados de seu bebê.

- Não permita animais de estimação dormindo na cama com seu bebê.

- Nunca deixe seu bebê sozinho em uma cama de adulto a não ser que esta cama seja perfeitamente segura para ele, tal como um colchão firme no chão de um quarto a prova de criança, e somente quando você estiver por perto ou atenta, escutando o bebê através de um monitor (babá-eletrônica) confiável.

- Até a edição deste livro nenhum aparelho foi criado para uso comprovadamente seguro na proteção do bebê em uma cama de adulto. No entanto, uma quantidade de novas invenções está começando a surgir em catálogos e lojas de artigos para bebês, em resposta ao grande número de pais que desejam dormir de forma segura com seus bebês. Você pode querer verificar alguns produtos tais como redes, calços, berços, prendedores de lençóis etc.

Fonte http://www.pantley.com/elizabeth/books/0071381392.php?nid=169&isbn=0071381392

Texto enviado por Andréia Mortensen

Traduzido por Liana Lara


Ajudando seu filho a dormir

Fatos sobre crianças e sono

Em primeiro lugar, bebês em geral não são dorminhocos. Quando aceitamos esse fato, talvez paremos de enxergar um bebê que acorda de noite como um tipo de fracasso dos pais. As pesquisas sobre padrões de sono dos bebês e de crianças pequenas estabeleceram que:

• Bebês acordam muito mais que adultos porque seu ciclo médio de sono dura somente 50 minutos, comparados com os nossos que duram 90 minutos.
• Problemas de sono persistentes ou recorrentes são comuns nos anos pré-escolares.
• Aproximadamente 25% das crianças abaixo de 5 anos têm algum tipo de problema de sono.
• Cerca de 20% dos pais reclamam de problema com um bebê que chorava muito ou era irritável nos primeiros 3 meses de vida.

Acalmando o cérebro na hora de ir para a cama

Seu objetivo número 1 na hora de colocar seu filho para dormir é trazê-lo de um estado de alerta máximo através da ativação da substância calmante chamada ocitocina e do hormônio do sono melatonina. A forma mais provável de atingir isso é através de uma rotina relaxante. Quando isso é repetido, há uma chance de ativar as mesmas substâncias químicas calmantes no cérebro.


O que quer que você faça, mantenha-se calmo

Se as substâncias químicas de estresse estão sendo fortemente ativadas no seu próprio cérebro, você não pode esperar que vá acalmar seu filho e trazê-lo de um estado de alerta. Seu tom de voz é tudo e se você está tenso, exigente, irritado ou nervoso, suas tentativas de ser calmo serão falsas. Em outras palavras, seu estresse e raiva podem ativar os sistemas de alarme no cérebro do seu filho, fazendo-o sentir-se inseguro demais para dormir. Por outro lado, se seu cérebro está fortemente ativando opióides e sua voz é gentil, baixa e calma, isso pode ser profundamente confiante para seu filho e mais provavelmente ele vai atendê-lo.

Aconchegue-se e leia um livro

Enquanto você lê, seu contato corporal com seu filho irá ativar ocitocina no cérebro dele, o que pode deixá-lo sonolento. Escutar a estória irá engajar os lobos frontais do cérebro do seu filho (cérebro superior), a parte que naturalmente inibe impulsos motores – como o desejo de pular na cama.
Tente criar uma atmosfera mágica. Diminua as luzes (a escuridão ativa a melatonina) ou use velas (cuide da segurança). Você também pode tocar uma música suave, o que pode diminuir o nível de excitação.


Não dê comidas que vão deixá-lo acordado

Evite dar ao seu filho comidas ricas em proteína, como carne ou peixe, nas duas horas anteriores à rotina do sono, uma vez que ativam dopamina (um estimulante cerebral). Chocolate também não é boa idéia, porque contém cafeína, que é estimulante. Se seu filho está com fome, ofereça um carboidrato, como uma banana, que ativa serotonina no cérebro e ajuda-o a sentir-se sonolento.

Evite ativar o sistema de medo na parte inferior do cérebro da criança

Se seu filho está com medo do escuro, mantenha uma luz fraquinha no quarto. Você pode chamá-la de “fadinha da segurança”, que irá tomar conta dele enquanto ele dorme. Encare com seriedade os medos e ansiedades dele e conforte-o. Se não fizer isso, o cérebro dele continuará ativando altos níveis de glutamato, norepinefrina e CRF (fator de liberação de corticotropina), levando o corpo dele a um estado de super estimulação. Quando isso acontece, nenhum ser humano sente-se com sono de forma alguma.


Você pode deitar-se ao lado dele enquanto ele pega no sono

Se você fizer isso, não deve haver conversa. Finja estar dormindo; concentre-se na sua própria respiração profunda. O contato pele a pele irá regular o sistema de excitação do seu filho e fortalecer a ligação entre vocês. Quanto mais calmo você estiver, mais calmo ele estará. Considere as substâncias químicas cerebrais envolvidas. O contato corporal ativa a liberação de opióides e ocitocina – e ocitocina promove a sonolência. Uma vez que ele está dormindo, você pode sair de perto e aproveitar sua noite.

Se a criança está muito ansiosa para que você não saia, pergunte o porquê

Uma criança ansiosa de 3 anos que está sofrendo da ativação do sistema cerebral de medo e separação provavelmente pedirá por mais copo de água ou pela sua chupeta, ou para ir ao banheiro, quando o que ele realmente quer dizer é que está com medo. Pergunte de que ele tem medo ou o que ele pensa que acontecerá se você sair do quarto. Quando os sentimentos dele estiverem expostos e discutidos, você pode encontrar maneiras de acalmá-lo, como entregar a ele uma peça de roupa sua para ele segurar enquanto pega no sono, ou abraçá-lo na cama de um jeito especial, reconfortando-o com abraços e palavras. Use sua presença emocionalmente aconchegante para ativar opióides no cérebro dele, uma vez que tais substâncias inibem a ansiedade de separação.


Tenho que acalmar meu filho repetidamente, toda noite – o que estou fazendo errado?

Se você está encontrando dificuldades em colocar seu filho para dormir noite após noite, você precisa fazer algumas perguntas a si mesmo. Primeiro, você está sendo calmo o suficiente toda noite? O cérebro humano é muito sensível a atmosferas emocionais e à percepção de emoções que você pode estar sentindo intensamente, mas está tentando não deixar transparecer.

Há uma atmosfera de paz e segurança no quarto dele, com luzes fracas para ativar o hormônio do sono, a melatonina? Seu filho está cansado o suficiente? Ele comeu recentemente proteína ou chocolate ou tomou um refrigerante, tudo o que poderia mantê-lo acordado? Ele faz atividade física durante o dia? Propicie oportunidades para ele brincar ao ar livre de tarde sempre que possível; quanto mais claridade ele vivencia durante o dia, melhor ele dorme à noite.

Há alguma coisa perturbando-o em casa ou na escola, de forma que ele não se sinta seguro para dormir? Você o critica com frequência? Ele grita muito com você? Se ele acha que o relacionamento entre vocês dois não é sólido, ele pode sentir medo de deixá-lo sair de perto de noite.”

Do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland, 2006. Tradução de Flávia Mandic.



Leituras adicionais:

Sobre ciclos de sono:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2484181471665845573
8 Fatos Sobre o Sono de Bebês que Todo Pai e Toda Mãe Deveriam Saber, por Dr. Sears


Sobre problemas de sono nos anos pré-escolares:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2462293377723784892
Soninho das crianças de 18 a 24 meses com pesquisa: Sleep in America


Sobre alimentacao ideal para dormir bem:
http://www.orkut.com/Main#CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=5262562555217738565
Comer bem para dormir bem


Sobre sono, angustia e e reações de separação:
http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2544251897879761489
18 a 24 meses – Sono e reações de separação


Sobre rotina e ritmos de sono:

http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2447791691231820613
Ajude seu filho a ter o descanso merecido, para maiores de 1 ano, ritmos biológicos


Blog EntryJan 2, '09 2:01 PM
for everyone

Tudo Sobre o Choro dos Bebês

“Por que os bebês choram?

Há cerca de 1.5 milhões de anos, os ancestrais dos humanos caminharam em duas pernas pela primeira vez. Isso deixou os braços livres para realizar tarefas complexas e, com o tempo, a inteligência desenvolveu-se mais. A mudança para o bipedalismo significou que a pelve humana tornou-se mais estreita e, como as capacidades intelectuais aumentaram, o cérebro tornou-se maior. A solução evolucionária a respeito do parto foi fazer com que o bebê humano nascesse muito imaturo, porque de outra forma a cabeça grande não passaria pelo canal estreito da pelve materna. Esta imaturidade significa que os bebês humanos precisam completar grande parte do seu desenvolvimento fora do útero. Sigmund Freud estava certo quando disse que o bebê humano chega ao mundo “inacabado”. Você precisa pensar no seu recém-nascido como um “feto fora do útero”.

Sim, seu bebê é imaturo. Sim, ele é muito sensível. Sim, ele é muito vulnerável ao estresse.

Seu bebê vai chorar por muitas razões. Ele vai chorar porque está cansado ou faminto ou muito estimulado por demasiada distração dos adultos. Ele passa facilmente de um estado de medo do perigo ou choque – choque se o ambiente está muito claro, muito frio, muito quente, muito hostil, muito agitado. A amídala na parte inferior do cérebro, que funciona como um detector de provável perigo funciona perfeitamente a partir do nascimento.

Imagine o mundo do bebê. Como ele pode saber que aquele liquidificador barulhento não é um predator que virá atacá-lo? Como ele pode lidar com o estresse de ser despido e mergulhado na água quando você o coloca no banho?

A princípio, pode ser difícil descobrir o que o choro significa

Com o tempo, você será capaz de decifrar os choros cada vez com mais precisão. Você aprenderá, por exemplo, diferenciar um choro de fome de um choro de cansaço. Tendo dito isso, haverá ocasiões em que você não saberá o porquê do choro. Isso não importa. O que importa é que você acalme seu bebê e que você tenha consciência mental e emocional para ouvir o choro e considerar seriamente o pânico e a dor do seu filho.

Por quanto tempo esta choradeira persiste?

Os três primeiros meses são geralmente os piores. O choro costuma ter um pico quando o bebê está entre 3 e 6 semanas de vida e depois diminui por volta de 12 a 16 semanas. Sheila Kitzinger sugere que o choro diminui por volta dessa idade porque é quando os bebês são mais móveis e podem segurar objetos, brincar com eles, então eles não mais choram por tédio ou frustração.


Bebês mais velhos e crianças entre 18 meses a 4 anos ainda choram quando estão com frio, com fome, cansados, doentes, embora o choque neste mundo tenha dramaticamente diminuído. Mas eles são inundados de sentimentos novos. Eles sofrem com os episódios de pânico pela ansiedade de separação e tornam-se cada vez mais claros a respeito dos seus gostos e desgostos, sobre o que os amendontra e o que os desagrada. Na criança pré-verbal, o choro geralmente significa “não”. “Não, eu não quero que você me tire do seu colo, faz com que eu fique em pânico”. “Não, eu não quero ir no colo de um estranho, eu estava tão bem nos seus braços.” “Não, eu detesto como este casaco arranha minha pele”.

Toda esta resposta de pânico significa altos níveis de substâncias químicas inundando o cérebro do bebê

Estas substâncias químicas não são por si sós perigosas, mas é um caso diferente se elas permanecem circulantes no cérebro por períodos prolongados de crises de choro e ninguém considera seriamente o pânico do bebê e oferece-lhe conforto. Distanciar-se emocionalmente do estresse da criança, não importa o que dizem os livros sobre treinamento para o sono – ou até pior, responder com raiva ao choro do bebê (embora algumas vezes você sinta assim) – nunca é apropriado.


Choro Prolongado

Vamos deixar claro – não é o choro por si só que pode afetar o desenvolvimento do cérebro do bebê. Não é. É o estresse prolongado, ignorado, não confortado. Então não estou defendendo que você corra para o seu filho assim que o lábio inferior comece a tremer ou após um curto protesto de choro que dura poucos minutos (talvez porque ele não tenha recebido sua bala favorita). O choro prolongado é aquele que qualquer pai e mãe sensíveis (ou qualque pessoa que seja sensível à dor alheia) irá reconhecer como um pedido desesperado de ajuda. É o tipo de choro que dura e eventualmente pára quando a criança está completamente exausta e cai no sono ou, num estado de falta de esperança, deduz que a ajuda nunca chegará.

Se um bebê é deixado chorando com frequência, o sistema de resposta ao estresse no cérebro pode ser afetado para o resto da vida

Existem muitos estudos científicos em vários locais do mundo mostrando como estresse no início da vida pode resultar em mudanças negativas no cérebro do bebê. Uma criança que é abandonada chorando por longos períodos pode desenvolver um sistema de resposta ao estresse que seja super sensível e que vai afetá-la para o resto da vida. Isso pode significar que muito frequentemente a percepção dela sobre o que está acontecendo à sua volta será permeada por um senso de ameaça e ansiedade, mesmo quando tudo está perfeitamente seguro.


Um bebê pode manipular ou controlar os pais através do choro?

Pais podem se perguntar se o bebê deles está usando o choro para manipulá-los, especialmente quando ouvem comentários dos seus amigos e parentes bem intencionados, como “Simplesmente o deixe chorar. Ele está tentando controlar você. Ceda agora e ficará arrependido depois.” Nós agora sabemos que isso é impreciso em termos neurobiológicos.
Para controlar um adulto, um bebê precisa do poder de pensamento claro e, para isso, ele precisa da substância química cerebral glutamato trabalhando bem nos seus lobos frontais. Mas o sistema de glutamato não está apropriadamente estabelecido no cérebro do bebê, então isso significa que ele não é capaz de pensar muito acerca de coisa nenhuma, que dirá manipular os pais.
Alguns pais ficam alheios à dor do filho, e escutam o choro como “é só um choro”. Isso pode ser resultado da forma como foram criados. Uma vez que ninguém respondeu quando eles eram bebês, eles são agora incapazes de sentir o desconforto do filho.


O que está acontecendo no cérebro do bebê?

Pais responsáveis nunca deixariam um bebê numa sala cheia de fumaças tóxicas que poderiam danificar o cérebro da criança. Ainda assim, muitos pais deixam seu bebê num estado de estresse prolongado, desassistido, desconhecendo que ele está sob risco de níveis tóxicos de substâncias químicas inundarem seu cérebro.
Gerações antigas deixavam o bebê chorando porque acreditavam que “exercitava os pulmões”, sem a menor idéia do quão vulnerável ao estresse é o cérebro de um bebê. Num bebê que chora, o hormônio do estresse cortisol é liberado pelas glândulas adrenais. Se a criança é confortada e acalmada, o nível de cortisol diminui novamente, mas se a criança é deixada chorando, o cortisol permanece alto. Isso é uma situação potencialmente perigosa, porque depois de um período prolongado, o cortisol pode atingir níveis tóxicos que podem danificar estruturas-chaves e sistemas no cérebro em desenvolvimento. O cortisol é uma substância química que pode permanecer no cérebro em altos níveis por horas e, em pessoas clinicamente deprimidas, por dias ou até semanas.”

Do livro The Science of Parenting, de Margot Sunderland, 2006.
Tradução de Flávia Mandic.



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 Leituras adicionais:

Sobre as substancias quimicas que inundam o cerebro do bebe
em condicoes de choro e estresses prolongados:

Estresse na infância -Choro excessivo no bebê e cortisol


Sobre o bebê que é deixado chorando com frequência, e o sistema de resposta ao estresse no cérebro pode ser afetado para o resto da vida:

Ignorar o choro pode trazer prejuizos para uma vida inteira (Margot Sunderland)

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