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Trecho extraído do segundo capítulo do Livro Soluções para Noites em Choro.Os bebês não nascem com o ritmo circadiano (biológico) do adulto. Os ciclos de dormir e despertar do recém-nascido espalham-se pelo dia e pela noite, gradualmente estabelecendo um padrão definido de sono diurno e noturno. O relógio biológico do bebê começa a amadurecer por volta de seis a nove semanas de vida e não funciona regularmente até os quatro ou cinco meses. À medida que o ciclo biológico amadurece, o bebê atinge um ponto onde passa a maior parte do dia acordado e a maior parte da noite dormindo. Por volta de nove a dez meses, os períodos de sono do bebê consolidam-se de tal forma que ele acorda e dorme no mesmo horário todos os dias, e os períodos de sono são mais longos. Visto que o relógio biológico é o regulador primário dos padrões diários de dormir e despertar, é fácil entender porque o bebê não dorme a noite toda – e por que esse padrão causas tantos problemas aos pais novatos! Os bebês passam pelos mesmos ciclos de sono que os adultos, mas os deles são mais curtos e mais numerosos. Além disso, passam muito mais tempo no sono leve do que os adultos, e têm muitos mais estágios intermediários de breve despertar. Há duas razões para bebê dormir assim. A primeira está ligada ao desenvolvimento. O padrão de sono do bebê facilita o desenvolvimento cerebral e físico. Os bebês crescem em ritmo astronômico durante os dois primeiros anos de vida e seus padrões de sono refletem necessidades biológicas que diferem amplamente daquelas sentidas pelos adultos. A segunda razão é a sobrevivência. Eles passam a maior parte do tempo no estágio de sono leve. Isso provavelmente ocorre para que possam despertar facilmente em situações ameaçadoras ou desconfortáveis: fome, fralda molhada, desconforto ou dor. Na verdade, o famoso pediatra Dr. William Sears, em The Baby Book, diz: “Incentivar o bebê a dormir profundamente logo no início pode não ser muito interessante para sua sobrevivência ou desenvolvimento". Todos os estágios do sono são importantes para o crescimento e desenvolvimento infantil. À medida que o bebê amadurece, o mesmo ocorre com o ciclo dr sono; atingir a maturidade do sono é um processo biológico. O Ciclo de Sono do Bebê Entender que o sono dos bebê, natural e necessariamente, segue determinado ciclo e fundamental para compreender seus problemas para adormecer e permanecer dormindo. Seu ciclo de sono noturno é mais ou menos assim: Sonolento, adormece Sono leve Sono profundo durante cerca de 1 hora Breve despertar Sono profundo por cerca de 1 ou 2 horas Sono leve Breve despertar Movimentos oculares rápidos (MOR, ou REM, em inglês, relacionados aos sonhos) Breve despertar Sono leve Breve despertar Sono REM (período relacionado aos sonhos) Breve despertar Quase de manhã: outro período de sono profundo Breve despertar Sono REM Breve despertar Sono leve Despertar para a rotina diurna O provável culpado dos seus problemas com o sono? Aquele Breve Despertar! Agora você sabe que o breve despertar (despertar noturno) faz parte do sono humano normal, qualquer que seja a idade. Todos os bebês o vivenciam. A diferença com o bebê que requer cuidados noturnos a cada uma ou duas horas é que ele envolve os pais em todos os períodos de breve despertar. Essa conclusão foi o momento de “Eureca” em minha própria pesquisa – e, agora que compreendo os ciclos de sono e sua fisiologia, parece-me extremamente óbvio. De maneira geral, quando o bebê acorda freqüentemente à noite e começa a chorar, ele não está faminto, sedento, molhado ou sentindo-se solitário. Está apenas cansado, talvez tão desesperado para dormir quantos os pais, mas, ao contrário deles, não sabe como fazê-lo! Imagine isso. Você adormece em sua cama confortável, macia e aquecida com o travesseiro predileto ou cobertor macio. Quando o primeiro despertar noturno ocorre, você muda de posição, puxa as cobertas e depois adormece novamente sem se lembrar do que aconteceu. E se vc acordasse e estivesse dormindo no chão da cozinha sem cobertores ou travesseiros? Seria capaz de virar de lado e voltar a dormir? Eu, não! Você provavelmente acorda assustado, e sem saber como chegou ali, entra em pânico, volta à cama, procura sentir-se mas confortável, e por fim, adormece – mas não profundamente porque tem voltar ao chão da cozinha. È assim para o bebê que é amamentado, embalado, ou recebe outro cuidado para dormir. Ele adormece embalado, mamando, com a chupeta na boca, etc. E acorda imaginando: “O que aconteceu? Onde estou ? Onde estão mamãe e papai ? Buáaaa!” O bebê faz uma associação do sono, onde relaciona certas coisas ao fato de adormecer e acredita necessitar delas sempre. Meu bebê, Cole, passou a maior parte dos primeiros meses em meus braços ou colo, com a cabecinha acompanhando o barulho do teclado do computador. Desde o seu nascimento, ele dormiu ao meu lado, mamando até dormir durante o dia e à noite. Quando percebi, já estava com doze meses, firme e totalmente preso à associação entre amamentar e dormir. Quase todos os livros sobre bebês e sono explicam essa filosofa de associação de sono. Quando a associação é descrita, não há apresentação de soluções suaves. Recomenda-se o processo de chorar até dormir com a intenção de “rompê-la”. Em minha opinião – com a qual você provavelmente concorda, pois optou por ler esse livro -, é uma forma cruel e insensível de ensinar ao bebê uma nova associação, sobretudo quando ele aprendeu a relacionar o sono a um ritual de amor, como ser amamentado ou embalado nos braços dos pais enquanto saboreia o leite da mamadeira. (E qual é a nova associação? “Chorar sozinho em meu berço no escuro é como adormeço?” Uma alternativa nada agradável.) O que é um problema de sono? Durante o primeiro ano devida, o bebê acorda frequentemente a noite. Como acabamos de ensinar, isso não é um problema. É uma fato biológico. O problema está em nossas percepções de como o bebê deve dormir e em nossas próprias necessidades de uma noite de sono ininterrupto. Nós, pais, queremos e precisamos de longos períodos de sono para funcionarmos bem em nossa vida ativa. A idéia então é mudar o comportamento do bebê bem devagar, com cuidado e respeito, para atender melhor às nossas necessidades.
Quer dicas sobre como fazer isso? Leia o livro base da comunidade, e leia os tópicos relacionados.
No início, a perturbação do padrão de sono normal dos pais pela chegada do bebê pode ser a parte mais difícil de ser um novo pai e mãe. Isso é ainda mais verdadeiro se você também tiver outro filho de 1 ano e meio-3 anos que ainda acorda à noite, ou se levanta muito cedo pela manhã. Contudo, com o tempo você acaba se acostumando a acordar à noite e meios efetivos de se maximizar o sono podem ser encontrados. “Como os bebês devem dormir” é atualmente um tema controverso na nossa sociedade e você provavelmente vai encontrar conselhos contraditórios de especialistas, o que pode ser bastante confuso para você e o seu bebê. Dormir é como nós descansamos. Não precisa se tornar uma “batalha do sono” com o seu bebê, na qual os padrões de sono instintivos dele se conflitam com as suas expectativas ou os conselhos dos especialistas. Os padrões de sono dos bebês mudam à medida que eles se desenvolvem. Embora o sono infantil siga um padrão geral, há variações nesse padrão, que dependem do temperamento e fisiologia de cada bebê. Alguns bebês são naturalmente mais “acordadores” que outros, desde o início. Muitos bebês com padrões de acordadas noturnas normais, mas frequentes, acabam rotulados como tendo um problema de sono ou sendo “difíceis à noite” Alguns pais têm expectativas não realistas sobre seu bebê e podem lutar por meses, tentando fazer com que seu filho tenha um padrão de sono que não se adequa à sua fisiologia. É importante não vincular rótulos de “bom” ou “mau” para os padrões naturais de sono do seu bebê e tentar achar uma forma de parentagem que leve esses padrões em consideração e também funcione para você. Há várias opções que você pode levar em conta para alcançar uma harmonia noturna. Ambos pais devem se sentir bem com a forma de dormir e abertos a fazerem modificações, se o plano inicial não funcionar. Passem mais tempo ouvindo um ao outro e dividindo seus sentimentos, dúvidas e pontos de vista no assunto. Se vocês têm idéias diferentes, tentem alcançar um acordo sobre a abordagem que os deixa mais confortáveis, e estejam prontos a continuar conversando e revendo sua decisão juntos, à medida que os padrões e ritmos individuais do bebê emergem e se alteram. No que se refere ao sono do bebê, há duas abordagens principais. Por um lado, a abordagem do “attachment parenting” se propõe a trabalhar em harmonia com os padrões biológicos do bebê, com suas necessidades de desenvolvimento e emocionais, à noite, assim como de dia. Isso envolve ficar perto do bebê à noite e é chamado cama compartilhada (“co-sleeping”). É baseado em precedentes históricos e evolucionais, em que bebês do mundo todo têm dormido junto com suas mães, dividido seu ambiente físico e calor humano, amamentando espontaneamente durante a noite. Quando isso funciona bem, miraculosamente o ritmo de sono da mãe se ajusta ao do bebê, tornando as mamadas noturnas muito menos cansativas. As tendências atuais de parentagem são mais centradas no adulto, criadas para treinar bebês a acomodarem seus padrões de sono para se adequarem às demandas da vida adulta. Nos dias atuais, muitas pessoas têm um estilo de vida pressionado pelo tempo, de movimento rápido e orientado pela carreira, que requer sono ininterrupto à noite. Essas pessoas podem, portanto, ser atraídas por um método de “treinamento de sono” que prometa que seu filho pode ser ensinado a dormir sozinho desde cedo. Pode ser dito que nossa sociedade é obcecada com fazer os bebês “dormirem a noite toda” o mais cedo possível. Geralmente, isso vai contra a fisiologia do bebê. O treinamento de sono pode ser conveniente para os adultos envolvidos, mas há algumas objeções fortes que você pode querer considerar antes de ir por esse caminho. Há também em uso soluções de “attachment parenting” para pais ocupados, que podem minimizar o impacto da separação temporária de seu filho. Uma razão importante porque bebês acordam é para serem alimentados. Bebês são acostumados a se alimentar continuamente o dia todo no útero. Aprender a comer apenas durante o dia é um processo lento que ocorre quando o bebê está fisiologicamente pronto, assim como aprender a sentar e engatinhar. O leite materno é digerido rapidamente e os bebês tendem a se alimentar periodicamete durante a noite, assim como durante o dia, por pelo menos alguns meses. O estômago deles é muito pequeno para segurar um suprimento que dure a noite toda. Para alguns bebês isso pode continuar por um ano ou mais. A prolactina, o hormônio que produz leite, é produzido em maior quantidade durante a noite, quando a mãe está descansando. A mamada noturna estimula a secreção da prolactina. Há um risco para o suprimento de leite da mãe, se a amamentação noturna é eliminada e o nível de prolactina cair. Bebês alimentados com mamadeira podem aguentar até 4 horas entre mamadas, porque o a fórmula de leite de vaca demora mais para ser digerida que o leite materno, mas ainda assim esses bebês precisam ser alimentados durante a noite quando acordam. Um bebê alimentado menos do que deveria pode aparentar estar bem, mas seu desenvolvimento não vai ser ótimo. Há também uma pequena percentagem de bebês pequenos que, quando negados a mamada noturna, podem sofrer desidratação e precisar de cuidados especiais em hospital. Eu recomendo fortemente a cama compartilhada no inicio (“co-sleeping”). Isso quer dizer, em suma, dormir no mesmo quarto que o seu bebê, por um mínimo de seis meses e possivelmente por um ano ou mais. Isso pode ser feito se dividindo a cama com o bebê, dormindo com ele numa distância em que possa ser tocado, ou colocando-o num berço ou bassinete no seu quarto, ou uma combinação flexível dessas opções. Quando seu bebê tiver seis meses é uma boa época para rever seu arranjo de sono e ver se você quer introduzir alguma mudança. O cerne da abordagem da cama compartilhada, essencialmente, não é sobre onde o seu bebê dorme, mas sim [b]aceitar e respeitar [/b] o fato de que seu bebê tem necessidades à noite, assim como ele tem durante o dia. Essa abordagem envolve a disposição e comprometimento para responder ao seu bebê à noite, assim como você faz em qualquer outra hora. Minha confiança nessa abordagem vem das minhas próprias experiências bem sucedidas de cama compartilhada com meus quatro filhos e as observações que eu tenho feito ao longo dos anos, de como a CC funciona bem em várias outras famílias. Qualquer que seja o estilo de dormir que você escolha, nenhuma abordagem é infalível e nada funciona para todo mundo. É essencial escolher o que funciona melhor para a sua família, para o seu bebê, não importando que outras pessoas façam ou recomendem. Seu tempo de sono é intimo, privado e pessoal e realmente não diz repeito a ninguém mais além de você. Quando decidir sobre seu arranjo de sono, você precisa ser consistente, mas não impor regras tão rígidas que não possam ser flexibilizadas ou revistas se não estiverem funcionando. Você pode perfeitamente precisar improvisar, se seu bebê está ganhando dentes, está passando por um pico de crescimento, está doente e acordando mais, se você está excepcionalmente cansado, ou se sua agenda regular foi perturbada por uma viagem ou feriado. Não há “certos” ou um único jeito de fazer qualquer coisa como mãe e pai. O que é um problema para uma família, pode ser a solução para outra. O objetivo é achar os arranjos para a sua família, que respeitem as necessidades do seu bebê, maximizem o sono e criem harmonia à noite. http://www.activebirthcentre.com/Pages2/bbd18art6.html Texto encontrado por Andréia Mortensen e traduzido por Daniela Westfahl
Cama Compartilhada e Morte Súbita "A SIDS (síndrome da morte súbita do bebê, da sigla em inglês Sudden Infant Death Syndrome) é a causa mais comum de morte em bebês nos Estados Unidos e tem sido identificada na maioria das sociedades ao redor do mundo. Um bebê vai dormir, aparentemente saudável e morre sem aviso. A SIDS não é uma doença em si, mas uma síndrome, o que significa que a etiologia é complexa e a causa de morte pode ser atribuída a um número de origens fisiológicas. Os sinais geralmente apontam para falência respiratória, inabilidade de controlar o ciclo de respiração durante o sono ou talvez a inabilidade de respirar novamente após uma apnéia de sono. Para o pesquisador de sono McKenna e outros, não é coincidência que a habilidade de controlar a respiração desenvolve-se por volta de 3-4 meses de vida - justamente na mesma idade em que os bebês estão mais vulneráveis à morte súbita. Também há mais casos de morte súbita durante o inverno, quando os bebês que moram em lugares frios são apertados em cobertores muito pesados ou são sujeitos à hipotermia. Em geral, o sistema cardiovascular entra em colapso e o bebê nunca se recupera. Morte súbita é dada como a causa de morte quando não há nenhum acidente e nenhuma doença que possa ser relacionado à morte do bebê. Sinais de que alguma coisa estava errada são raros; alguns bebês que falecem por SIDS tinham um pequeno resfriado e outros tinham problemas respiratórios, mas com freqüência pais e pediatras não têm nenhuma indicação de que um bebê é vulnerável.
A morte súbita acontece mais em bebês do sexo masculino e bebês com baixo peso de nascimento (18% dos casos ocorrem em prematuros). O dado mais importante da SIDS é a idade em que ocorre. Noventa por cento dos casos de morte súbita ocorrem antes de 6 meses de vida, mais comumente entre 3-4 meses. A distribuição irregular da morte súbita ao redor do mundo é surpreendente. Os Estados Unidos têm a maior taxa, com 2 por cada 1000 nascimentos vivos, quase 1 morte por hora. A Aliança para Síndrome da Morte Súbita aponta que mais crianças morrem nos USA por SIDS num ano do que o total de crianças que morrem de pneumonia, doença cardíaca, abuso, AIDS e todas as outras causas combinadas. É confuso que os USA e Canadá tenham taxas tão elevadas de SIDS, especialmente por serem nações industrializadas, onde a nutrição é decente e o cuidado pré-natal é adequado. Em contraste, a morte súbita tem índices baixíssimos na Ásia: 0,3 por 1000 no Japão, 0,03 por 1000 em Hong Kong e é virtualmente desconhecida na China (pode ser por problemas em reportar os casos). Pesquisadores especulam se a baixa taxa de SIDS na Ásia é relacionada a fatores ambientais, como a presença de muitas pessoas em lugares pequenos (atmosfera socialmente estimulada), bem como o fato de que bebês não só dormem com adultos, mas também dormem de barriga para cima. A possibilidade de que o ambiente e o estilo de criação dos filhos esteja envolvida com os índices de morte súbita é confirmado por estudos de populações de imigrantes da Ásia nos USA. Em estudos comparativos de SIDS entre chineses, japoneses, vietnamitas e filipinos no sul da Califórnia, a taxa de SIDS foi a metade da que aparece na população não-asiática. O mais convincente é que a taxa de SIDS foi mais alta entre os imigrantes que já estavam nos USA por mais tempo e presumivelmente adotaram as práticas norte-americanas de cuidados com o bebê. Na Inglaterra, onde as culturas imigrantes são diferentes dos USA, imigrantes da Índia, Bangladesh e Paquistão têm as menores taxas de morte súbita e o fato surpreende porque as taxas de SIDS são tão baixas em áreas onde os bebês estão sob risco de subnutrição, doença e baixo peso de nascimento. Se a incidência de SIDS não diminui com bons cuidados no pré-natal , boa nutrição e higiene, quais seriam os outros riscos ? O pesquisador McKenna está convencido pelo trabalho em seu próprio laboratório e a informação sobre SIDS ao redor do mundo que o padrão ocidental de colocar os bebês para dormirem sozinhos, na sua própria cama e num quarto separado não é somente estranho, mas vai contra a natureza do bebê. A idéia de que o ambiente, especificamente o cuidado dos pais pode estar envolvido com a morte súbita é um assunto controverso. Ninguém quer culpar os pais e há alguma razão biológica primária para explicar que alguns bebês não sobrevivem à infância e outros sim, independentemente da forma como eles dormem ou são tratados. Originalmente os pais eram orientados a colocar o bebê para dormir de bruços, assim ele não sufocaria no próprio vômito. Mas assim que a conexão entre a posição supina (de barriga para cima) e a diminuição das taxas de SIDS começaram a aparecer, a recomendação mudou e os índices de morte súbita passaram a despencar. Houve, por exemplo, uma diminuição de 90% na taxa de SIDS no Reino Unido de 1981 a 1992, desde a introdução da nova recomendação de colocar bebês para dormirem na posição supina e 50% de redução na Holanda, Austrália e Nova Zelândia. Não só os movimentos do bebê são afetados na posição de bruços. Os bebês dormem de forma diferente quando estão de barriga para baixo. Eles dormem por mais tempo e passam mais tempo no sono não-REM, acordam menos e cada despertada dura menos. Em outras palavras, eles dormem pesado quando estão de bruços. E provavelmente era por isso que os pediatras recomendavam a posição prona (de bruços) - o objetivo na sociedade ocidental era que os bebês tivessem um sono pesado. Na posição supina eles mexem e remexem e dormem um sono mais leve. O que ninguém sabia até então é que o sono leve é essencialmente muito melhor para um bebê que está aprendendo a dormir.Mais intrigante, os dados sobre as posição prona/supina podem ajudar a explicar o porquê de culturas não-ocidentais serem menos sujeitas à morte súbita. Por definição, bebês em culturas não-ocidentais dormem com as mães e são amamentados em livre demanda de noite. Quando os bebês dormem com as mães (estudos do Dr. McKenna em laboratório comprovaram), as mães sempre os colocam de barriga para cima. Esta posição facilita a amamentação e a observação do bebê, que fica mais livre para se mexer. A amamentação por si só protege contra SIDS, presumivelmente porque alimentação freqüente durante a noite previne hipoglicemia e garante que a mãe estará ali quando o bebê precisar. É claro que as mães não escolhem tal posição porque previne SIDS, mas porque parece natural. Nos últimos anos, o simples ato de mudar a posição de dormir do bebê de prona para supina diminuiu significativamente o índice de morte súbita." Embora os dados de laboratório sejam recentes, os fatos estão aí por muito tempo - quase todos os bebês humanos em 1 milhão de anos dormiram em contato com um adulto. E mesmo hoje em dia, na maioria dos lugares do mundo, os bebês passam o primeiro ano de vida dormindo com os pais (ou só com a mãe). Embora muitos pais na cultura ocidental acreditem fortemente em dormir separados dos filhos, dados de outras culturas, assim como uma noção dos riscos potenciais para um bebê que dorme sozinho, pode convencer outros pais a rejeitar suas próprias tradições culturais e tentar algo diferente."
Extraído do livro: Our Babies, Ourselves, de Meredith F. Small
Tradução de Flavia Oliveira Mandic
A Natureza do Choro do Bebê "Embora os recém-nascidos possuam uma gama de sinais vocais, os pais prestam mais atenção ao choro, provavelmente porque eles estão mais ligados aos sinais de desconforto - e porque o som, por si só, seja tão desconcertante. O choro é claramente o pico mais alto do despertar de um bebê, numa esclaa que vai do sono profundo ao estado de alerta máximo. O choro, de acordo com o especialista em vocalização infantil Peter Wolff, aparece como parte do comportamento do bebê dentro de meia hora após o nascimento e permanece estruturalmente consistente até entre o segundo e o sexto mês de vida, dependendo do bebê (depois disso, o repertório do choro expande-se). Neste ponto, 3 tipos de choro podem ser distinguidos: - choro de raiva, quando um grande volume de ar passa pelas cordas vocais; - choro de dor, quando começa subitamente, sem aumentar de forma gradativa e inclui longos períodos nos quais o bebê segura o fôlego; - choro de frustração (os pesquisadores obtêm esse choro facilmente ao colocar uma chupeta na boca do bebê e retirá-la repetidamente). Alguns pais percebem uma mudança no choro do bebê por volta de 3 meses. Muda de choro "expressivo", quando todos os choros parecem o mesmo, independentemente do problema, para um choro "comunicativo", mudando de acordo com a situação. A mudança faz sentido porque um somatório de mudanças físicas e especialmente neurológicas acontecem no cérebro do bebê por volta dos 3 meses (sugerindo que bebês humanos nascidos a termo nascem na realidade 3 meses prematuros, segundo aspectos biológicos). Ronald Barr explica que o choro começa na vida como uma reflexão do estado do bebê e torna-se, através de aprendizado e reforço, mais uma questão de comunicação entre o bebê e as pessoas que cuidam dele. Bebês também reclamam, o que é uma expressão arrítmica de infelicidade, um choro forçado que vem em pulsos, cheio de pausas e inalação de ar. Como qualquer pai e mãe sabem, reclamação, embora irritante, não é aquele berro desesperador e exigente. Em média, um bebê ocidental chora 22 minutos por dia nas primeiras 3 semanas de vida e 34 minutos por dia até o final do segundo mês. O choro gradualmente diminui para 14 minutos por dia por volta de 12 semanas de vida. Esta curva do choro, com choros freqüentes durante as primeiras 8 semanas de vida e diminuição após as próximas semanas e meses é encontrada tanto em bebês ocidentais quanto nos bebês de tribos isoladas na África. Um estudo entre bebês coreanos não encontrou tal padrão. Universalmente, bebês tendem a chorar mais no final da tarde do que em qualquer outra hora do dia. No início da vida, os bebês choram por fome, necessidade de contato físico ou por frustração. As mães muitas vezes ouvem o choro de frustração como um " choro falso" porque o bebê não está com fome, nem há nada de errado com ele. Mas o fato é que NÃO EXISTE CHORO FALSO. O bebê está chorando por precisar de algum contato - interação pessoal e social, ou porque está entediado. Alguns desses choros e vocalizações são claramente precursores da linguagem. Por volta do segundo mês de vida, choro, reclamações e vocalizações (gritinhos) tornam-se sessões de treinamento vocal. Quando reclamando, principalmente, os bebês inventam sons novos. Logo tais vocalizações rapidamente se diversificam e o bebê começa a conduzir conversas privadas consigo mesmo, ouvindo a própria voz. Quando os pais falam com o bebê usando voz infantilizada (e estudos mostram que isso é presente em todas as culturas), análises espectrográficas mostram que, embora os bebês não possam imitar os sons por muitos meses, desde os primeiros meses de vida eles tentam responder usando seu limitado repertório vocal. É importante falar com o bebê, parar e dar tempo para que ele possa responder. Nas nações industrializadas ocidentais, os pais deduzem que o choro do bebê está primeiramente e essencialmente ligado à fome. De fato, algumas mulheres nessas culturas freqüentemente interrompem a amamentação e passam a dar leite artificial ao bebê porque acreditam que o choro excessivo significa que o bebê não está recebendo nutrição suficiente através do seio. Pesquisadores sabem que o choro no início da vida tem uma amplo espectro de funções. Pode ser controlado por vários métodos e comida não é sempre a solução. Nos anos 60, numa era em que pais americanos eram instruídos a deixarem seus bebês chorando, Wolff fez uma série de experimentos para descobrir o porquê de esses bebezinhos serem tão infelizes. Ele tentou dar uma chupeta para determinar se gratificação oral, sem nutrição, acalmaria um bebê aos berros. Funcionou. Ele depois testou uma série de bebês com fraldas molhadas. Ele punha fraldas secas em metade deles e molhadas na outra metade. Ambos os grupos eram acalmados e não pareciam ligar se a fralda estava molhada ou não. Wolff concluiu que os bebês simplesmente apreciavam o estímulo e a sensação física de estarem sendo trocados. Ele questionou a idéia de que os bebês choravam de frio. Testou e viu que os bebês colocados em berços frios choravam mais freqüentemente, indicando que o calor pode reduzir o choro. Por fim, Wolff tentou a resposta clássica dos pais ao choro do bebê. Usou um grupo de bebês chorosos que haviam sido alimentados artificialmente através de sondas no abdome (por razões médicas) e alimentou-se até que estivessem com o estômago cheio. Esperou para ver se isso os acalmaria. Surpreendentemente, o estômago cheio não acalmou o choro dos bebês. Wolff descobriu também que simplesmente pegá-los no colo funcionava perfeitamente como uma forma de parar o choro, ainda que eles estivessem com fome e esperando a hora de serem alimentados. De forma geral, ele conclui, pegar um bebê no colo, oferecer a oportunidade de sugar ou alimentar o bebê (não pelo valor nutricional, mas pela chance de contato) funcionava melhor para acalmar o choro.
Como a maioria dos pais intuitivamente sabe, o choro não é somente um sinal de fome. Mesmo em recém-nascidos, o choro comunica muito mais - a necessidade de toque parece ser especialmente importante; e claramente um bebê choroso está comunicando seu estado interno e pedindo alguma mudança."
Do livro Our Babies, Ourselves: How Biology and Culture Shape The Way We Parent, de Meredith F. Small.
Tradução: Flavia Oliveira Mandic
"Há extensa evidência científica de que o estilo ocidental de cuidar do bebê repetidamente e, provavelmente de forma perigosa, provoca uma violação no sistema adaptativo chamado CHORO que evoluiu para ajudar os bebês a comunicarem-se com os adultos. Nos Estados Unidos, por exemplo, as pessoas estão acostumadas a crianças chorando em público. É aceito e até esperado que bebês em algum ponto da vida vão chorar por longos períodos. Como resultado, muitos adultos em transportes públicos passam longe de pais com crianças pequenas, para ficarem distantes antes de a choradeira começar. A situação é dramaticamente diferente em outras partes do mundo. Até para um visitante esporádico, torna-se evidente que bebês fora da cultura ocidental raramente choram. Eu nunca vi um bebê na África ou em Bali chorando, durante as minhas muitas viagens a esses lugares. E esta observação é confirmada por pesquisas de pediatria relacionada à antropologia. Num estudo comparando o total de choro entre bebês americanos, holandeses e da tribo !Kung San, Ronald Barr descobriu que os bebês nas 3 culturas choram com igual freqüência - ou seja, começam a choramingar o mesmo número de vezes por dia. Todos os bebês, independentemente da cultura, também produzem uma curva similar de choro (pico por volta dos 2 meses). Mas há uma dramática diferença na duração do choro nas diversas culturas. Bebês ocidentais berram por muito mais tempo em cada episódio de choro e o total de tempo gasto chorando a cada dia é maior tanto na Holanda quanto nos USA. O pediatra Barry Brazelton descobriu que bebês da cultura Maya no México estão freqüentemente acordados mas calmos e não verificou períodos de choro intenso. Num estudo com 160 bebês coreanos, um outro pesquisador descobriu que nenhum bebê foi classificado como tendo cólica, não houve pico de choro aos 2 meses de vida e aparentemente não houve choro excessivo no final da tarde. A amostra é intrigante porque os coreanos têm o mesmo nível sócio-econômico de outras nações desenvolvidas. Bebês coreanos de 1 mês de vida passam somente 2 horas por dia, ou 8,3% do seu tempo, sozinhos. Em contraste, bebês americanos passam 67,5% do seu tempo sozinhos. Além disso, bebês coreanos são carregados no colo quase duas vezes mais diariamente que os bebês americanos. E as mães coreanas sempre respondem imediatamente ao choro do bebê, enquanto mães americanas são tipicamente ignoram o choro do bebê por grande parte do tempo. Em outro estudo, Bell e Ainsworth descobriram que mães americanas deliberadamente não respondem a 46% dos episódios de choro dos bebês durante os primeiros 3 meses de vida. Deduz-se que o estilo de cuidar dos coreanos leva o mérito pelo menor tempo de choro e a inexistência de cólica. Os estudos mostram que, embora o choro por si só seja universal entre os bebês, a forma em que o choro se manisfesta não é inato, mas facilmente influenciado pelo meio. A noção de que todos os bebês choram muito de noite é falsa. A crença de que cólica é o final de um volume normal de choro, que é algo inevitável, também é errônea. O choro é altamente influenciado pelo ambiente imediatamente em volta do bebê. Por mais que seja difícil explicar a uma mãe americana insone e exausta, que está passando mais uma noite em claro embalando seu filho, o estilo de cuidar ocidental parece ser a raiz do desconforto do bebê. E a solução não está simplesmente na forma de embalar ou de alimentar a criança. Nem significa que uma mãe é melhor que a outra. Novas pesquisas mostram que os bebês ocidentais tipicamente choram por mais tempo e até desenvolvem "cólica", porque o estilo de cuidar que é culturalmente aceito é contraditório com a biologia infantil. Quando um bebê chora inconsolavelmente por horas, quando seu corpinho se arqueia em frustração, quando seus punhos dão socos no ar de raiva, vemos o exemplo mais claro de contradição entre biologia e cultura. O bebê está respondendo a um ambiente que foi culturalmente alterado e para o qual ele não está biologicamente adaptado.O bebê é biologicamente adaptado a demandar um apego físico constante e um cuidado para o qual o bebê humano evoluiu milhões de anos atrás. Mas em algumas culturas, como nos países industrializados da Europa e da América do Norte, pais optam por uma relação mais independente com seus bebês. Eles decidem colocar os bebês em berços e em bebês-conforto ao invés de carregá-los consigo o tempo todo, alimentá-los em intervalos pré-determinados ao invés de sob demanda e responder mais lentamente aos seus sinais de desconforto. Embora esse estilo traga alguma liberdade aos pais, também traz um custo: um bebê chorão que não está biologicamente adaptado à modificação cultural." Extraído do livro Our Babies, Ourselves. Meredith F. Small.
Capítulo "Crying across cultures". Tradução: Flavia Oliveira Mandic
SOLUÇÕES PARA NOITES SEM CHORO Elizabeth Pantley Planilha de sonecas Para ajudar no estabelecimento de rotinas de sonecas, aconselha-se anotar os horarios das mesmas por 7-10 dias e verificar um padrão.
Nome do bebê: Idade: Data: | Hora em que o bebê adormeceu | Como o bebê adormeceu | Onde o bebê adormeceu | Onde o bebê dormiu | Por quanto tempo? | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | | Reveja a Tabela 2.1, na página 20 do livro: Quantas sonecas o bebê deveria tirar? Quantas sonecas o bebê tira agora? Quantas horas o bebê deveria dormir durante o dia? Quantas horas o bebê dorme durante o dia agora? Você tem uma rotina formal para as sonecas diurnas? A hora/duração das sonecas do bebê são constantes todos os dias?
7 Fatos sobre o choro dos Bebês - Dr. Sears Acredite no
valor da linguagem do choro do seu bebê. O choro de um bebê é um sinal
programado para a sua sobrevivência e para o desenvolvimento dos pais.
Responder sensivelmente ao choro do seu bebê cria confiança. Bebês
confiam nas pessoas que cuidam deles para satisfazerem suas
necessidades. Pais gradualmente aprendem a confiar na sua habilidade de
satisfazer as necessidades do seu bebê. Isso eleva a comunicação entre
pais-filhos a um nível mais alto. Bebezinhos choram para comunicar, não
para manipular. 1. O choro do bebê é um sinal perfeito
Cientistas já há muito concluíram que o som do choro de um bebê tem todas as três características de um sinal perfeito. *
Primeiro, um sinal perfeito é automático. Um recém-nascido chora por
reflexo. Ele tem uma necessidade, que desencadeia uma inspiração súbita
de ar seguida por uma expiração forçada de ar através das cordas
vocais, que vibram para produzir o som que chamamos de choro. Nos
primeiros meses, o bebezinho não pensa "que tipo de choro vai me
possibilitar ser alimentado ?" Ele só chora automaticamente. O choro é
facilmente criado. Uma vez que os pulmões estão cheios de ar, o bebê
pode iniciar o choro com muito pouco esforço. * Segundo, o choro
é apropriadamente perturbador: alto o suficiente para atrair a atenção
de quem está cuidando do bebê e fazê-lo tentar parar o choro, mas não
tão perturbador que leve o ouvinte a tentar evitar o som completamente. *
Terceiro, o choro pode ser modificado quando ambos mensageiro e ouvinte
aprendem formas de fazer o sinal mais preciso. Cada bebê é único. O
choro de um bebê é uma linguagem e cada bebê chora de uma forma
diferente. Pesquisadores da voz chamam tais sons de impressões do
choro, que são tão individuais para cada bebê quanto impressões
digitais. 2. Resposta biológica 2. Responder ao choro do bebê é
biologicamente correto. Uma mãe é biologicamente programada para dar
uma resposta reconfortante para o choro do seu recém-nascido e não para
conter-se. Mudanças biológicas fascinantes acontecem no corpo da mãe em
resposta ao choro do seu bebê. Depois de ouvir o choro, aumenta o fluxo
sangüíneo nos seios da mãe, acompanhado de uma urgência biológica para
"pegar e amamentar". O ato de amamentar por si só causa um aumento na
prolactina, um hormônio que se acredita forme a base biológica do termo
"intuição materna". Ocitocina, o hormônio que leva à descida do leite,
traz sensações de relaxamento e prazer; uma sensação prazerosa após a
tensão proporcionada pelo choro do bebê. Esses sentimentos ajudam a mãe
a amar seu bebê. Mães, dêem atenção às dicas biológicas quando seu bebê
chora ao invés de ouvir os conselhos das pessoas que recomendam ignorar
o choro. Esses acontecimentos biológicos explicam porque é fácil para
outros dizerem tal coisa. Eles não estão biologicamente conectados ao
seu bebê. Nada acontece com os hormônios deles quando seu bebê chora. 3. Ignorar ou responder ao sinal do choro ? Uma vez que você
compreende o valor especial do sinal de choro do seu bebê, o importante
é saber o que fazer quando acontece. Você tem duas opções básicas:
ignorar ou responder. Ignorar o choro do seu bebê é geralmente uma
situação em que há perdas dos dois lados. Um bebê mais passivo desiste
e pára de dar o sinal, torna-se arredio, eventualmente percebe que
chorar não vale a pena e conclui que ele mesmo não vale a pena. O bebê
perde a motivação para comunicar-se com seus pais, os pais perdem a
oportunidade de conhecerem seu bebê. Todos perdem. Um bebê com
personalidade persistente não desiste tão facilmente. Ao invés disso,
ele chora mais alto e continua aumentando o sinal, fazendo-o mais e
mais desconcertante. Você poderia ignorar esse sinal persistente de
várias maneiras. Você poderia esperar até que ele pare de chorar e
depois pegá-lo no colo, assim ele não pensa que foi o choro que
conseguiu sua atenção. Isso na verdade é uma guerra de poder: você
ensina o bebê que você está em controle da situação, mas também ensina
que ele não tem poder de comunicação. Isso fecha o canal de comunicação
mãe-filho (ou pai-filho) e, a longo prazo, todos saem perdendo. Você
poderia se dessensibilizar tão completamente a ponto de o choro não
incomodar mais; assim você pode ensinar seu bebê que ele só é atendido
quando é a hora certa. Essa também é uma situação em que todos saem
perdendo: o bebê não consegue o que precisa e os pais permanecem
travados, sem poderem apreciar a personalidade única do seu bebê. Ou,
você poderia pegar o bebê para acalmá-lo e colocá-lo de volta no berço
porque "não é hora de alimentá-lo ainda". Ele tem que aprender, afinal
de contas, a ser feliz "por si só". Todos saem perdendo novamente; ele
começa a chorar e você fica nervosa(o). Ele vai aprender que suas
técnicas de comunicação, embora ouvidas, não são atendidas, o que pode
levá-lo a desconfiar de suas próprias percepções: "talvez eles estejam
certos. Talvez eu não esteja com fome". 4. Resposta imediata Sua outra opção é dar uma resposta
imediata e carinhosa. Esta é a situação em que ambos os lados saem
ganhando e desenvolvem um sistema de comunicação que funciona para os
dois. A mãe responde de forma rápida e sensível, então o bebê sente-se
menos desesperado na próxima vez em que precisa de alguma coisa. Ele
aprende a "chorar melhor", de uma forma menos perturbadora porque sabe
que sua mãe virá. A mãe organiza seu ambiente de forma que haverá menos
necessidade para o bebê chorar; ela o mantém perto dela, assim sabe se
ele está cansado e pronto para dormir. A mãe também desenvolve sua
sensibilidade para interpretar o choro e dá a solução correta. Uma
resposta rápida quando seu bebê é novinho e chora facilmente ou quando
o choro deixa claro que ele está em situação de perigo real; uma
resposta lenta quando seu bebê é mais velho e começa a aprender como
resolver seus próprios incômodos sozinho. Responder
apropriadamente quando seu bebê chora é o primeiro e mais difícil
desafio de comunicação que você enfrentará como mãe. Você vai tornar-se
especialista no assunto somente após ensaiar milhares de respostas ao
choro nos primeiros meses. Se você desde início encarar o choro do bebê
como um sinal a ser respondido e analisá-lo ao invés de pensar que é um
mau hábito e deve ser eliminado, você estará abrindo-se para tornar-se
uma especialista nos sinais do seu bebê, o primeiro passo para ser uma
especialista sobre tudo o que diz respeito a seu bebê. Cada sistema de
sinalização mãe-bebê é único. É por isso que é tão limitada a visão dos
"treinadores de choro", que prescrevem fórmulas para responder ao
choro, como "deixe-o chorar por cinco minutos na primeira noite, dez
minutos na segunda" e assim por diante. Culpa ? Não é por sua culpa que o bebê chora. Nem é sua
responsabilidade fazê-lo parar de chorar. Claro, você permanece aberta
a novas dicas para ajudar o seu bebê (como uma mudança na sua dieta ou
carregá-lo junto ao seu corpo) e envolve o pediatra se você suspeita de
uma causa física por trás do choro. Haverá vezes em que você não saberá
o porquê de o bebê estar chorando - e você vai se perguntar se o
próprio bebê saber porque chora. Algumas vezes o bebê simplesmente
precisa chorar e você não precisa se desesperar para fazê-lo parar
depois de ter tentado o que geralmente funciona. É
um fato da vida de uma nova mãe ou novo pai que, embora o bebê chore
para expressar uma necessidade, o estilo que ele usa para fazê-lo
resulta do seu próprio temperamento. Não leve o choro do bebê para o
lado pessoal. Sua função é criar um ambiente de apoio para diminuir a
necessidade que seu bebê tem de chorar, oferecer um par de braços
carinhosos e relaxados para que o bebê não chore sozinho e fazer um
trabalho de detetive para descobrir o porquê do choro e como você pode
ajudar o bebê. O resto é com o bebê. 6. O que dizem os estudos As pesquisadoras Sylvia Bell e
Mary Ainsworth fizeram pesquisas nos anos 70 que deveriam ter eliminado
a teoria de mimar a criança para sempre. (É interessante notar que até
hoje os autores que escrevem sobre desenvolvimento infantil e
recomendam deixar o bebê chorar são quase sempre do sexo masculino).
Essas pesquisadoras estudaram dois grupos de pares mães-bebês. O grupo
1 de mães dava uma resposta imediata ao choro do seus bebês. O grupo 2
era mais contido na sua resposta. Elas concluíram que as crianças do
grupo 1, cujas mães haviam dado uma resposta mais carinhosa e rápida
nos primeiros meses de vida tinham menos probabilidade de usar o choro
como forma de comunicação em torno de 1 ano de idade. Essas crianças
aparentavam maior ligação com as mães e tinham desenvolvido melhor
comunicação, tornando-se menos manhosas e manipuladoras. Até então pais
eram levados a acreditar que, se eles pegassem o bebê a cada choro, a
criança nunca iria aprender a consolar-se sozinha, tornando-se mais
exigente. O estudo de Bell e Ainsworth mostrou o oposto. Num
outro estudo comparando dois grupos de bebês, um grupo recebeu
atendimento imediato e carinhoso e o outro foi deixado chorando. Os
bebês cujos choros foram atendidos choravam setenta por cento menos. Os
bebês do outro grupo, no entanto, não diminuíram seu choro. Em
essência, pesquisas têm mostrado que bebês cujo choro foi atendido
aprendem a "chorar melhor"; aqueles que são produto de uma criação mais
rígida aprenderam a "chorar mais forte". É interessante que os estudos
revelaram não só diferenças da forma como bebês comunicam-se com os
pais com base na resposta obtida através do choro, mas também
diferenças nas mães. Estudos mostraram que mães que preferem uma
resposta mais contida gradualmente se tornaram mais insensíveis aos
choros do seu bebê, e tal insensibilidade ultrapassou para outros
aspectos da relação mãe-filho. Segundo pesquisas, deixar o bebê
chorando é prejudicial à família toda. 7. Chorar não é "bom para os pulmões do bebê". Esta é uma
das frases mais ridículas do folclore médico. Nos anos 70, pesquisas
mostraram que bebês que foram deixados chorando sozinhos tiveram
batimentos cardíacos muito elevados e níveis de oxigênio diminuídos no
sangue. Quando tais bebês eram acalmados, seu sistema cárdio-vascular
rapidamente retornava ao normal, mostrando quão rapidamente os bebês
reconhecem seu bem-estar num nível fisiológico. Quando o choro não é
acalmado, o bebê permanece em desconforto psicológico e fisiológico. A
crença errônea de que o choro é saudável sobrevive ainda hoje nas
escalas de Apgar, um tipo de teste que os médicos utilizam para
assessar rapidamente a condição de um recém-nascido nos primeiros
minutos de vida. Os bebês recebem pontos extras por "chorar muito
forte". Um bebê em estado de alerta silencioso, respirando normalmente
e com coloração normal perde pontos na escala Apgar em relação a outro
que nasce chorando. Um dos mais intrigantes de todos os sons humanos -
o choro de um bebê - ainda é muito incompreendido. Concluindo... O choro não é somente um som; é um sinal -
desenvolvido para a sobrevivência do bebê e o desenvolvimento dos pais.
Nos primeiros meses de vida, bebês não conseguem verbalizar suas
necessidades. Para preencher este espaço até que a criança seja capaz
de falar "a nossa língua", bebês têm esta linguagem única chamada
"choro". O bebê tem uma necessidade, como fome ou desejo de ser
acalentado e isso desencadeia um som a que chamamos choro. O bebê não
fica ponderando "são três da manhã e eu acho que vou acordar a mamãe
para um lanchinho." Não ! Isso é a nossa interpretação do choro. Além
disso, bebês não têm a acuidade mental para entender o porquê de sua
mãe responder ao seu choro às três da tarde, mas não às três da manhã.
O recém-nascido que chora diz: "Eu preciso de alguma coisa; algo não
está aqui. Por favor, resolva meu problema". Texto extraído de: http://www.askdrsears.com/html/5/t051200.asp#T051204Tradução: Flavia Oliveira Mandic
Seu filho demora muito para pegar no sono? Ele só pega no sono mamando, tomando mamadeira, sugando chupeta, embalando, passeando no carro, ou outro tipo de ritual elaborado? Seu bebê acorda muito durante a noite? Seus problemas de sono são mais complicados ainda porque seu bebê não tira sonecas facilmente, ou essas são muito curtas? Já se sentiu como Leesa, mãe de Kyra de 9 meses, que disse: "Estou realmente estressada, a falta de sono está afetando todos aspectos de nossa vida. Sou extremamente desorganizada e não tenho energia para tentar organizar nada. Amo essa criança mais que tudo no mundo, e não quero deixá-la chorando, mas eu estou quase chorando toda vez que penso que é hora de dormir. Às vezes penso em não ir pra cama mais, já que vou levantar daqui a pouco de qualquer maneira”. Conforme seus problemas de sono “assombram” tua vida, você pode começar a viver puramente o momento. Seu cérebro deprivado de sono pode focalizar somente no sono que você começa a pensar já com antecedência nas próximas horas de descanso. Talvez existam pessoas te recomendando que deixe seu bebê chorar para dormir. Você está provavelmente frustada e confusa. Sem perspectivas. Para ganhar perspectivas, se pergunte o seguinte: 1. Onde você estará daqui a 5 anos? Como você olhará para trás e recordará desse tempo? 2. Eu ficaria orgulhosa de como lidei com as rotinas de sono do meu bebê, ou talvez me arrependeria do que fiz? 3. Como as coisas que faço com meu bebê hoje afetarão a pessoa que ele se tornará no futuro? Uma vez que você tenha alguma perspectiva sobre os problemas reais de sono de seu bebê, é importante ser realístico ao determinar seus objetivos e ser honesta ao acessar o efeito da situação em sua vida. Algumas pessoas conseguem lidar com duas acordadas à noite facilmente, enquanto outras tem muita dificuldade com apenas uma acordada é muito para suportar. A chace é avaliar se a rotina de seu bebê é um problema em seus olhos, ou somente de pessoas ao seu redor. Comece hoje refletindo essas questões: 1. Estou feliz com o jeito que as coisas são, ou estou me sentindo ressentida, frustada, com raiva? 2. O ritual de sono do meu bebê está afetando negativamente meu casamento, trabalho, ou relações com outros? 3. Meu bebê é saudável, feliz, e parece bem descansado? 4. Estou feliz, saudável e bem descansada? 5. Quais são expectativas reais de sono para meu bebê em sua idade? 6. Que situação de soneca e sono à noite eu consideraria aceitável? 7. Que situação de soneca e sono eu consideraria um “sonho”? 8. Por que quero mudar os padrões de sono do meu filho? É realmente o melhor para mim e meu bebê, ou estou fazendo isso somente para satisfazer as expectativas de alguem mais? 9. Estou com desejo de ser paciente e fazer mudanças graduais, suaves, que significam não deixar meu bebê chorar sozinho? Uma vez que você responda essas questões, você terá um entendimento melhor não somente do que está acontecendo em relação ao sono de seu bebê, mas qual método combina melhor com tua família para ajudar seu bebê a dormir melhor. Além do meu filho de 2 anos, Coleton, tenho mais 3 outros filhos, e eles me permitiram a expectative que perdi da primeira vez. Meus filhos me ensinaram que a primeira infância passa rapidíssimo. Eu me esforço agora para lembrar as dificuldades daqueles primeiros anos, tão passageiras que elas foram. E estou orgulhosa que não me entreguei às pressões dos outros ao redor de fazer o que ELES achavam certo. Ao inves disso segui meu coração e gentilmente eduquei todos meus bebês. Aquele tempo passou para nós, mas as boas memórias ficam. E agora todos nós quatro dormimos a noite toda. E eu também. Sobre a autora: Elizabeth Pantley é autora de livros: Gentle Baby Care : No-cry, No-fuss, No-worry -- Essential Tips for Raising Your Baby, The No-Cry Sleep Solution: Gentle Ways to Help Your Baby Sleep Through the Night, Kid Cooperation Perfect Parenting, e seu ultimo The No-Cry Sleep Solution for Toddlers and Preschoolers e também é presidente da Cia. Better Beginnings, Inc. Fonte: http://www.babiesonline.com/articles/pantley/cryitout.asp Tradução: Andreia Mortensen
Discussão no orkut: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=1122463&tid=2514025447055326021&start=1
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