7 Fatos sobre o choro dos Bebês - Dr. Sears Acredite no
valor da linguagem do choro do seu bebê. O choro de um bebê é um sinal
programado para a sua sobrevivência e para o desenvolvimento dos pais.
Responder sensivelmente ao choro do seu bebê cria confiança. Bebês
confiam nas pessoas que cuidam deles para satisfazerem suas
necessidades. Pais gradualmente aprendem a confiar na sua habilidade de
satisfazer as necessidades do seu bebê. Isso eleva a comunicação entre
pais-filhos a um nível mais alto. Bebezinhos choram para comunicar, não
para manipular.
1. O choro do bebê é um sinal perfeito
Cientistas já há muito concluíram que o som do choro de um bebê tem todas as três características de um sinal perfeito.
*
Primeiro, um sinal perfeito é automático. Um recém-nascido chora por
reflexo. Ele tem uma necessidade, que desencadeia uma inspiração súbita
de ar seguida por uma expiração forçada de ar através das cordas
vocais, que vibram para produzir o som que chamamos de choro. Nos
primeiros meses, o bebezinho não pensa "que tipo de choro vai me
possibilitar ser alimentado ?" Ele só chora automaticamente. O choro é
facilmente criado. Uma vez que os pulmões estão cheios de ar, o bebê
pode iniciar o choro com muito pouco esforço.
* Segundo, o choro
é apropriadamente perturbador: alto o suficiente para atrair a atenção
de quem está cuidando do bebê e fazê-lo tentar parar o choro, mas não
tão perturbador que leve o ouvinte a tentar evitar o som completamente.
*
Terceiro, o choro pode ser modificado quando ambos mensageiro e ouvinte
aprendem formas de fazer o sinal mais preciso. Cada bebê é único. O
choro de um bebê é uma linguagem e cada bebê chora de uma forma
diferente. Pesquisadores da voz chamam tais sons de impressões do
choro, que são tão individuais para cada bebê quanto impressões
digitais.
2. Resposta biológica 2. Responder ao choro do bebê é
biologicamente correto. Uma mãe é biologicamente programada para dar
uma resposta reconfortante para o choro do seu recém-nascido e não para
conter-se. Mudanças biológicas fascinantes acontecem no corpo da mãe em
resposta ao choro do seu bebê. Depois de ouvir o choro, aumenta o fluxo
sangüíneo nos seios da mãe, acompanhado de uma urgência biológica para
"pegar e amamentar". O ato de amamentar por si só causa um aumento na
prolactina, um hormônio que se acredita forme a base biológica do termo
"intuição materna". Ocitocina, o hormônio que leva à descida do leite,
traz sensações de relaxamento e prazer; uma sensação prazerosa após a
tensão proporcionada pelo choro do bebê. Esses sentimentos ajudam a mãe
a amar seu bebê. Mães, dêem atenção às dicas biológicas quando seu bebê
chora ao invés de ouvir os conselhos das pessoas que recomendam ignorar
o choro. Esses acontecimentos biológicos explicam porque é fácil para
outros dizerem tal coisa. Eles não estão biologicamente conectados ao
seu bebê. Nada acontece com os hormônios deles quando seu bebê chora.
3. Ignorar ou responder ao sinal do choro ? Uma vez que você
compreende o valor especial do sinal de choro do seu bebê, o importante
é saber o que fazer quando acontece. Você tem duas opções básicas:
ignorar ou responder. Ignorar o choro do seu bebê é geralmente uma
situação em que há perdas dos dois lados. Um bebê mais passivo desiste
e pára de dar o sinal, torna-se arredio, eventualmente percebe que
chorar não vale a pena e conclui que ele mesmo não vale a pena. O bebê
perde a motivação para comunicar-se com seus pais, os pais perdem a
oportunidade de conhecerem seu bebê. Todos perdem. Um bebê com
personalidade persistente não desiste tão facilmente. Ao invés disso,
ele chora mais alto e continua aumentando o sinal, fazendo-o mais e
mais desconcertante. Você poderia ignorar esse sinal persistente de
várias maneiras. Você poderia esperar até que ele pare de chorar e
depois pegá-lo no colo, assim ele não pensa que foi o choro que
conseguiu sua atenção. Isso na verdade é uma guerra de poder: você
ensina o bebê que você está em controle da situação, mas também ensina
que ele não tem poder de comunicação. Isso fecha o canal de comunicação
mãe-filho (ou pai-filho) e, a longo prazo, todos saem perdendo.
Você
poderia se dessensibilizar tão completamente a ponto de o choro não
incomodar mais; assim você pode ensinar seu bebê que ele só é atendido
quando é a hora certa. Essa também é uma situação em que todos saem
perdendo: o bebê não consegue o que precisa e os pais permanecem
travados, sem poderem apreciar a personalidade única do seu bebê. Ou,
você poderia pegar o bebê para acalmá-lo e colocá-lo de volta no berço
porque "não é hora de alimentá-lo ainda". Ele tem que aprender, afinal
de contas, a ser feliz "por si só". Todos saem perdendo novamente; ele
começa a chorar e você fica nervosa(o). Ele vai aprender que suas
técnicas de comunicação, embora ouvidas, não são atendidas, o que pode
levá-lo a desconfiar de suas próprias percepções: "talvez eles estejam
certos. Talvez eu não esteja com fome".
4. Resposta imediata Sua outra opção é dar uma resposta
imediata e carinhosa. Esta é a situação em que ambos os lados saem
ganhando e desenvolvem um sistema de comunicação que funciona para os
dois. A mãe responde de forma rápida e sensível, então o bebê sente-se
menos desesperado na próxima vez em que precisa de alguma coisa. Ele
aprende a "chorar melhor", de uma forma menos perturbadora porque sabe
que sua mãe virá. A mãe organiza seu ambiente de forma que haverá menos
necessidade para o bebê chorar; ela o mantém perto dela, assim sabe se
ele está cansado e pronto para dormir. A mãe também desenvolve sua
sensibilidade para interpretar o choro e dá a solução correta. Uma
resposta rápida quando seu bebê é novinho e chora facilmente ou quando
o choro deixa claro que ele está em situação de perigo real; uma
resposta lenta quando seu bebê é mais velho e começa a aprender como
resolver seus próprios incômodos sozinho.
Responder
apropriadamente quando seu bebê chora é o primeiro e mais difícil
desafio de comunicação que você enfrentará como mãe. Você vai tornar-se
especialista no assunto somente após ensaiar milhares de respostas ao
choro nos primeiros meses. Se você desde início encarar o choro do bebê
como um sinal a ser respondido e analisá-lo ao invés de pensar que é um
mau hábito e deve ser eliminado, você estará abrindo-se para tornar-se
uma especialista nos sinais do seu bebê, o primeiro passo para ser uma
especialista sobre tudo o que diz respeito a seu bebê. Cada sistema de
sinalização mãe-bebê é único. É por isso que é tão limitada a visão dos
"treinadores de choro", que prescrevem fórmulas para responder ao
choro, como "deixe-o chorar por cinco minutos na primeira noite, dez
minutos na segunda" e assim por diante.
Culpa ? Não é por sua culpa que o bebê chora. Nem é sua
responsabilidade fazê-lo parar de chorar. Claro, você permanece aberta
a novas dicas para ajudar o seu bebê (como uma mudança na sua dieta ou
carregá-lo junto ao seu corpo) e envolve o pediatra se você suspeita de
uma causa física por trás do choro. Haverá vezes em que você não saberá
o porquê de o bebê estar chorando - e você vai se perguntar se o
próprio bebê saber porque chora. Algumas vezes o bebê simplesmente
precisa chorar e você não precisa se desesperar para fazê-lo parar
depois de ter tentado o que geralmente funciona.
É
um fato da vida de uma nova mãe ou novo pai que, embora o bebê chore
para expressar uma necessidade, o estilo que ele usa para fazê-lo
resulta do seu próprio temperamento. Não leve o choro do bebê para o
lado pessoal. Sua função é criar um ambiente de apoio para diminuir a
necessidade que seu bebê tem de chorar, oferecer um par de braços
carinhosos e relaxados para que o bebê não chore sozinho e fazer um
trabalho de detetive para descobrir o porquê do choro e como você pode
ajudar o bebê. O resto é com o bebê.
6. O que dizem os estudos As pesquisadoras Sylvia Bell e
Mary Ainsworth fizeram pesquisas nos anos 70 que deveriam ter eliminado
a teoria de mimar a criança para sempre. (É interessante notar que até
hoje os autores que escrevem sobre desenvolvimento infantil e
recomendam deixar o bebê chorar são quase sempre do sexo masculino).
Essas pesquisadoras estudaram dois grupos de pares mães-bebês. O grupo
1 de mães dava uma resposta imediata ao choro do seus bebês. O grupo 2
era mais contido na sua resposta. Elas concluíram que as crianças do
grupo 1, cujas mães haviam dado uma resposta mais carinhosa e rápida
nos primeiros meses de vida tinham menos probabilidade de usar o choro
como forma de comunicação em torno de 1 ano de idade. Essas crianças
aparentavam maior ligação com as mães e tinham desenvolvido melhor
comunicação, tornando-se menos manhosas e manipuladoras. Até então pais
eram levados a acreditar que, se eles pegassem o bebê a cada choro, a
criança nunca iria aprender a consolar-se sozinha, tornando-se mais
exigente. O estudo de Bell e Ainsworth mostrou o oposto.
Num
outro estudo comparando dois grupos de bebês, um grupo recebeu
atendimento imediato e carinhoso e o outro foi deixado chorando. Os
bebês cujos choros foram atendidos choravam setenta por cento menos. Os
bebês do outro grupo, no entanto, não diminuíram seu choro. Em
essência, pesquisas têm mostrado que bebês cujo choro foi atendido
aprendem a "chorar melhor"; aqueles que são produto de uma criação mais
rígida aprenderam a "chorar mais forte". É interessante que os estudos
revelaram não só diferenças da forma como bebês comunicam-se com os
pais com base na resposta obtida através do choro, mas também
diferenças nas mães. Estudos mostraram que mães que preferem uma
resposta mais contida gradualmente se tornaram mais insensíveis aos
choros do seu bebê, e tal insensibilidade ultrapassou para outros
aspectos da relação mãe-filho. Segundo pesquisas, deixar o bebê
chorando é prejudicial à família toda.
7. Chorar não é "bom para os pulmões do bebê". Esta é uma
das frases mais ridículas do folclore médico. Nos anos 70, pesquisas
mostraram que bebês que foram deixados chorando sozinhos tiveram
batimentos cardíacos muito elevados e níveis de oxigênio diminuídos no
sangue. Quando tais bebês eram acalmados, seu sistema cárdio-vascular
rapidamente retornava ao normal, mostrando quão rapidamente os bebês
reconhecem seu bem-estar num nível fisiológico. Quando o choro não é
acalmado, o bebê permanece em desconforto psicológico e fisiológico.
A
crença errônea de que o choro é saudável sobrevive ainda hoje nas
escalas de Apgar, um tipo de teste que os médicos utilizam para
assessar rapidamente a condição de um recém-nascido nos primeiros
minutos de vida. Os bebês recebem pontos extras por "chorar muito
forte". Um bebê em estado de alerta silencioso, respirando normalmente
e com coloração normal perde pontos na escala Apgar em relação a outro
que nasce chorando. Um dos mais intrigantes de todos os sons humanos -
o choro de um bebê - ainda é muito incompreendido.
Concluindo... O choro não é somente um som; é um sinal -
desenvolvido para a sobrevivência do bebê e o desenvolvimento dos pais.
Nos primeiros meses de vida, bebês não conseguem verbalizar suas
necessidades. Para preencher este espaço até que a criança seja capaz
de falar "a nossa língua", bebês têm esta linguagem única chamada
"choro". O bebê tem uma necessidade, como fome ou desejo de ser
acalentado e isso desencadeia um som a que chamamos choro. O bebê não
fica ponderando "são três da manhã e eu acho que vou acordar a mamãe
para um lanchinho." Não ! Isso é a nossa interpretação do choro. Além
disso, bebês não têm a acuidade mental para entender o porquê de sua
mãe responder ao seu choro às três da tarde, mas não às três da manhã.
O recém-nascido que chora diz: "Eu preciso de alguma coisa; algo não
está aqui. Por favor, resolva meu problema".
Texto extraído de:
http://www.askdrsears.com/html/5/t051200.asp#T051204Tradução: Flavia Oliveira Mandic