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Blog Entry46. Cama Compartilhada e Morte SúbitaFeb 9, '08 6:29 PM
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Cama Compartilhada e Morte Súbita


"A SIDS (síndrome da morte súbita do bebê, da sigla em inglês Sudden Infant Death Syndrome) é a causa mais comum de morte em bebês nos Estados Unidos e tem sido identificada na maioria das sociedades ao redor do mundo.

Um bebê vai dormir, aparentemente saudável e morre sem aviso. A SIDS não é uma doença em si, mas uma síndrome, o que significa que a etiologia é complexa e a causa de morte pode ser atribuída a um número de origens fisiológicas. Os sinais geralmente apontam para falência respiratória, inabilidade de controlar o ciclo de respiração durante o sono ou talvez a inabilidade de respirar novamente após uma apnéia de sono.

Para o pesquisador de sono McKenna e outros, não é coincidência que a habilidade de controlar a respiração desenvolve-se por volta de 3-4 meses de vida - justamente na mesma idade em que os bebês estão mais vulneráveis à morte súbita.

Também há mais casos de morte súbita durante o inverno, quando os bebês que moram em lugares frios são apertados em cobertores muito pesados ou são sujeitos à hipotermia. Em geral, o sistema cardiovascular entra em colapso e o bebê nunca se recupera.

Morte súbita é dada como a causa de morte quando não há nenhum acidente e nenhuma doença que possa ser relacionado à morte do bebê. Sinais de que alguma coisa estava errada são raros; alguns bebês que falecem por SIDS tinham um pequeno resfriado e outros tinham problemas respiratórios, mas com freqüência pais e pediatras não têm nenhuma indicação de que um bebê é vulnerável.

A morte súbita acontece mais em bebês do sexo masculino e bebês com baixo peso de nascimento (18% dos casos ocorrem em prematuros).

O dado mais importante da SIDS é a idade em que ocorre. Noventa por cento dos casos de morte súbita ocorrem antes de 6 meses de vida, mais comumente entre 3-4 meses.

A distribuição irregular da morte súbita ao redor do mundo é surpreendente. Os Estados Unidos têm a maior taxa, com 2 por cada 1000 nascimentos vivos, quase 1 morte por hora. A Aliança para Síndrome da Morte Súbita aponta que mais crianças morrem nos USA por SIDS num ano do que o total de crianças que morrem de pneumonia, doença cardíaca, abuso, AIDS e todas as outras causas combinadas. É confuso que os USA e Canadá tenham taxas tão elevadas de SIDS, especialmente por serem nações industrializadas, onde a nutrição é decente e o cuidado pré-natal é adequado.

Em contraste, a morte súbita tem índices baixíssimos na Ásia: 0,3 por 1000 no Japão, 0,03 por 1000 em Hong Kong e é virtualmente desconhecida na China (pode ser por problemas em reportar os casos).

Pesquisadores especulam se a baixa taxa de SIDS na Ásia é relacionada a fatores ambientais, como a presença de muitas pessoas em lugares pequenos (atmosfera socialmente estimulada), bem como o fato de que bebês não só dormem com adultos, mas também dormem de barriga para cima.

A possibilidade de que o ambiente e o estilo de criação dos filhos esteja envolvida com os índices de morte súbita é confirmado por estudos de populações de imigrantes da Ásia nos USA. Em estudos comparativos de SIDS entre chineses, japoneses, vietnamitas e filipinos no sul da Califórnia, a taxa de SIDS foi a metade da que aparece na população não-asiática. O mais convincente é que a taxa de SIDS foi mais alta entre os imigrantes que já estavam nos USA por mais tempo e presumivelmente adotaram as práticas norte-americanas de cuidados com o bebê.

Na Inglaterra, onde as culturas imigrantes são diferentes dos USA, imigrantes da Índia, Bangladesh e Paquistão têm as menores taxas de morte súbita e o fato surpreende porque as taxas de SIDS são tão baixas em áreas onde os bebês estão sob risco de subnutrição, doença e baixo peso de nascimento.

Se a incidência de SIDS não diminui com bons cuidados no pré-natal , boa nutrição e higiene, quais seriam os outros riscos ?

O pesquisador McKenna está convencido pelo trabalho em seu próprio laboratório e a informação sobre SIDS ao redor do mundo que o padrão ocidental de colocar os bebês para dormirem sozinhos, na sua própria cama e num quarto separado não é somente estranho, mas vai contra a natureza do bebê.

A idéia de que o ambiente, especificamente o cuidado dos pais pode estar envolvido com a morte súbita é um assunto controverso. Ninguém quer culpar os pais e há alguma razão biológica primária para explicar que alguns bebês não sobrevivem à infância e outros sim, independentemente da forma como eles dormem ou são tratados.

Originalmente os pais eram orientados a colocar o bebê para dormir de bruços, assim ele não sufocaria no próprio vômito. Mas assim que a conexão entre a posição supina (de barriga para cima) e a diminuição das taxas de SIDS começaram a aparecer, a recomendação mudou e os índices de morte súbita passaram a despencar.

Houve, por exemplo, uma diminuição de 90% na taxa de SIDS no Reino Unido de 1981 a 1992, desde a introdução da nova recomendação de colocar bebês para dormirem na posição supina e 50% de redução na Holanda, Austrália e Nova Zelândia.

Não só os movimentos do bebê são afetados na posição de bruços. Os bebês dormem de forma diferente quando estão de barriga para baixo. Eles dormem por mais tempo e passam mais tempo no sono não-REM, acordam menos e cada despertada dura menos. Em outras palavras, eles dormem pesado quando estão de bruços. E provavelmente era por isso que os pediatras recomendavam a posição prona (de bruços) - o objetivo na sociedade ocidental era que os bebês tivessem um sono pesado. Na posição supina eles mexem e remexem e dormem um sono mais leve. O que ninguém sabia até então é que o sono leve é essencialmente muito melhor para um bebê que está aprendendo a dormir.

Mais intrigante, os dados sobre as posição prona/supina podem ajudar a explicar o porquê de culturas não-ocidentais serem menos sujeitas à morte súbita. Por definição, bebês em culturas não-ocidentais dormem com as mães e são amamentados em livre demanda de noite.

Quando os bebês dormem com as mães (estudos do Dr. McKenna em laboratório comprovaram), as mães sempre os colocam de barriga para cima. Esta posição facilita a amamentação e a observação do bebê, que fica mais livre para se mexer.

A amamentação por si só protege contra SIDS, presumivelmente porque alimentação freqüente durante a noite previne hipoglicemia e garante que a mãe estará ali quando o bebê precisar. É claro que as mães não escolhem tal posição porque previne SIDS, mas porque parece natural.

Nos últimos anos, o simples ato de mudar a posição de dormir do bebê de prona para supina diminuiu significativamente o índice de morte súbita."

Embora os dados de laboratório sejam recentes, os fatos estão aí por muito tempo - quase todos os bebês humanos em 1 milhão de anos dormiram em contato com um adulto. E mesmo hoje em dia, na maioria dos lugares do mundo, os bebês passam o primeiro ano de vida dormindo com os pais (ou só com a mãe). Embora muitos pais na cultura ocidental acreditem fortemente em dormir separados dos filhos, dados de outras culturas, assim como uma noção dos riscos potenciais para um bebê que dorme sozinho, pode convencer outros pais a rejeitar suas próprias tradições culturais e tentar algo diferente."

Extraído do livro: Our Babies, Ourselves, de Meredith F. Small

Tradução de Flavia Oliveira Mandic








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