por Brette McWhorter SemberRichard Ferber é o autor do livro "Solve Your Child's Sleep Problems", o primeiro do gênero que sugere deixar o bebê chorar para ensiná-lo a dormir.
Esse artigo é muito comovente, sobre uma família que estava no desespero por um pouco de sono e acabaram por usar o método de Ferber (que eles sempre tinham condenado). Para tristeza deles funcionou bem, até demais, e a família toda agora vive com culpa. (comentário da Andréia) Quando estamos no limite, algumas vezes acabamos tentando de tudo para conseguir uma boa noite de sono, com a esperança de que nossos bebês também dormirão bem - mesmo se isso significa tentar algo em que não acreditamos. A escritora Brette McWhorter Sember nos conta sua experiência com o uso do "Método de Ferber" para conseguir fazer seu bebê dormir.
Culpa carregadaCulpa. Nós fizemos isso. Nos deitamos na cama uma noite e deixamos nosso filho de 18 meses chorar. Nós não tínhamos planos de implementar o Método de Ferber. De fato, meu marido e eu acreditávamos fortemente que era cruel deixar uma criança chorar inconsolavelmente no escuro. Nós alegamos insanidade temporária, ou talvez defesa própria.
Todo mundo já tinha ouvido falar no método de Ferber. Você ensina seu bebê a dormir sozinho deixando-o chorar e voltando lá a diferentes intervalos de tempo para confortá-lo. Você não pode pegá-lo ou tocá-lo, mas pode conversar com ele e ele saberá que você está lá. É um programa de modificação de comportamento, que ensina sua criança a confortar a si mesma. Eu nunca sonhei que um dia faria isso.
Nós certamente não tivemos paciência de ninar nosso segundo bebê toda noite da maneira que fizemos com nossa primeira filha, hoje com 7 anos de idade. Hora de dormir era como uma responsabilidade com ela, mais complicado e delicado que roubar segredos de Estado. Após cantar e cantar, nós gentilmente a carregávamos ao berço, balançando e sussurando, enquanto checávamos os olhinhos fechando. Nós íamos abaixando-a centímetro por centímetro, bem devagar, até o corpinho dela tocar o colchão. Retirávamos nossas mãos bem devagar, deixando somente as pontas dos dedos para manter contato. Então com cuidado tirávamos o dedo, e nos movíamos bem quietinho pra trás, saindo do quarto. Cada passo que dávamos poderia acordá-la e tínhamos que recomeçar tudo de novo. Anos depois, nós ainda nos arrepiamos de pensar no processo todo. Nós concordamos que com nosso segundo filho ele ia simplesmente aprender a dormir!
Se tornando uma "familia Ferber"Grande chance. Nosso menininho exigia balanço, canto, e mais balanço, desde o começo. Graduamente ele se tornou um tirano, nos acordando 10 vezes por noite. O fim da picada foi quando tiramos férias com a família do meu marido, quando tivemos que nos revezar em balançar e cantar para ele no nosso quarto minúsculo, sabendo que a família toda estava acordando com esse choro freqüente e exigente. Voltamos dessa viagem certos de que as coisas iriam melhorar uma vez que todos voltássemos para nossas próprias camas. Na primeira noite em casa, a 1 hora da manhã, após a terceira chamada do bebê, no nosso estado privado de sono, nós demos uma chance ao Dr. Ferber. O bebê chorou desesperadamente por 1 hora, e voltávamos pra lá de tempos em tempos, no fim todos nós dormimos aquela noite. Após mais duas noites de menos e menos freqüentes acordadas durante a noite, nós nos tornamos uma família Ferber.
Parece bem simples, certo? Mas quando você está completamente acordada às 3 da manhã, e sente seu coração, partido pelas múltiplas facadas de lamentações, por saber que você deveria ter respondido ao seu próprio filho, parece simplesmente desumano. Quando você entra naquele quarto e um rosto avermelhado de tanto chorar, coberto de lágrimas e muco, te enfrenta de uma maneira acusadora, você simplesmente quer pegar seu bebê nos braços e acalmar a hiperventilação com abraços e beijos tranqüilizantes. Mesmo que o método de Ferber funcione, é difícil deixar de acreditar você era um pai e mãe melhores se estivessem dispostos a ninar e cantar a noite toda, ou fazer um espacinho extra na sua cama para mais um corpinho.
Nós espancamos a nós mesmos, mesmo após a descoberta de que o método funciona. Nada mais parece certo - exceto o fato de que funcionou. Com o tempo nós pudemos colocar nosso filho na cama e ele pegava no sono sozinho. Mas eu sentia saudades dos tempos de balançar na cadeira de balanço. Eu sentia falta daquela cabecinha macia na curva de meu braço, e a respiração quietinha na minha pele. Agora que nosso pequeno "sucesso Ferber" vai para as escadas toda noite e pede pra ir pra cama. Se eu tento balançá-lo ou abraçá-lo, ele se contorce todo e foge. Até no meio da noite, quando está com uma gripe terrível, ele se recusa a ser balançado ou que cantemos para ele. Nós o ensinamos a confortar a si próprio, sem saber que estávamos tirando nossa própria habilidade de fazê-lo por ele também.
Eu sinto falta daquelas noites tranqüilas na cadeira de balanço. Aquela cadeira novinha que compramos quando eu engravidei não recebeu as horas de uso que estavam previstas. Eu não sinto falta do ritual de persuasão que durava mais de 1 hora que nossa filha exigia, e estou aliviada de ser capaz de colocar meus filhos na cama e saber que eles vão dormir. Meu filho e eu ainda balançamos na cadeira de balanço, mas somente quando lemos ou assistimos TV juntos. Eu ainda canto para ele - mas quanto estamos brincando ou no banho. Sono é um presente maravilhoso, ainda assim algumas vezes eu acho que eu trocaria tudo isso por uns poucos momentos com meu bebezinho no escuro da noite.
Este artigo, original em inglês, pode ser lido em http://geoparent.com/family/general/ferberizer.htmTraducao: Andreia Mortensen