Em nossa cultura, é costume que as crianças durmam em berços em seus próprios quartos. Muitos pediatras, especialistas e pesquisadores já questionam a sabedoria desta prática. Certamente, as mães sabem há séculos que o melhor lugar para as crianças dormirem é na cama com as mães.
Os Estados Unidos é o único país no mundo que tem um forte tabu contra o dormitório comum, sono compartilhado e a cama familiar. E isso só é uma verdade a partir do último século.
Se você, como mãe, gostaria que seu bebê dormisse bem perto de você na cama, eu fico feliz em lhe informar que todo o resto do mundo, assim como a pesquisa médica, mostram que esta prática traz grandes benefícios. E, continuando com nosso tema de "Moradia Desimpedida", compartilhar a cama com a sua criança remove os obstáculos a uma boa noite de sono e ao prazer em relaxar para pais e filhos. Não só você tem certeza sobre o bem-estar do seu bebê porque a criança está bem ali ao seu lado, como seu filho se sente seguro, protegido e chora menos porque sente a sua presença e também tem a oportunidade de ser amamentado durante a noite.
Por que o tabu começou? Para aqueles que acreditam na Bíblia, teremos uma pequena discussão sobre o que a Bíblia tem a dizer sobre dormir junto e assuntos relacionados. Isto vai levar ao que o resto da História tem a dizer sobre isso.
Vamos voltar ao início. Pense no dia em que Adão e Eva foram expulsos do Jardim do Éden e condenados a viver no mundo real. O que eles fizeram? Para onde foram? Onde você acha que eles dormiram aquela noite? Como nunca foram forçados a se afastar um do outro, provavelmente buscaram abrigo em qualquer lugar onde pudessem ficar, como embaixo de uma árvore ou em uma caverna. Eventualmente, talvez eles tenham aprendido a construir abrigos rudimentares. Onde quer que tenham dormido, ninguém estava lá para dar a eles instruções sobre as arrumações do dormitório. Eles provavelmente dormiram juntos para se manterem aquecidos. Quando tiveram filhos, os bebês devem ter dormido com eles também para se manterem aquecidos e protegidos. A Bíblia não menciona qualquer tabu a respeito das formas de dormir.
De fato, em Lucas 11:5-7 há um relato que descreve como as famílias dormiam nos tempos da Bíblia.
"Suponham que um de vocês tem um amigo, e ele vem até você no meio da noite e diz, 'Amigo, me empreste três pães, porque um amigo meu que está em viagem vai chegar e não tenho nada para oferecê-lo.' Então o outro responde, 'Não me aborreça. A porta já está trancada, e minhas crianças já estão na cama. Não posso me levantar e dar nada a você'."
Como a Bíblia, um livro cheio de sabedoria e insight, não tem nada contra a prática de dormir junto, nós, cristãos, não deveríamos ter nada contra também.
Até mais ou menos o 15º século, não se pensava muito sobre as formas de dormir. Nesta época, alguns começaram a dizer que as crianças não eram inocentes e que dormir junto e tocar uns aos outros poderia levar à promiscuidade. Entretanto, isso teve pouco efeito imediato, porque compartilhar a cama era a forma como a maioria das famílias dormia naquele tempo. Muitas famílias eram pobres ou modestas, e não tinham espaço para acomodar cada pessoa em seu próprio quarto.
Em seu livro, "The Family Bed" (A Cama Familiar), Tine Thevenin conta que no século 17 a cama mais larga de todas as camas foi projetada por John Fosbrooke para a Família Real na Inglaterra. Esta cama era grande o suficiente para dormirem 102 pessoas!! Como ela diz, "Obviamente, o luxo dos quartos e camas separados que ostentamos hoje não eram exatamente considerados sinal de riqueza e prosperidade naquele tempo." Apesar da riqueza ter proporcionado espaço disponível em abundância, ter quartos separados não era considerado necessário ou desejável.
No anos 1700 vemos uma mudança definitiva no modo como as crianças eram vistas. Havia um forte movimento religioso que acentuou a comunhão pessoal com Deus e a perfeição do indivíduo. "Estas duas virtudes dependiam de se ter pessoas seguras de si, uma qualidade tida como melhor ensinada através de treinamento precoce de independência." (Ryerson, data desconhecida). Apesar destes antigos "especialistas" terem boas intenções, eles estavam aflitivamente desavisados sobre as necessidades das crianças e os efeitos que tal "treinamento de independência" poderia eventualmente ter nas crianças e na sociedade em geral.
Uma criança cujas necessidades são atendidas está mais apta a crescer com uma independência saudável. Existe também toda uma gama de outros benefícios em se compartilhar o dormitório.
Quando a criança está no útero, ela está fisicamente conectada à mãe pelo cordão umbilical. O líquido aminiótico e as fortes paredes do útero promovem estimulação tátil. A criança sente a conexão física. Quando o bebê nasce, enquanto ainda fica muito tempo sendo carregado, a média dos bebês americanos também passa um tempo significativo separados de seus pais. O bebê dorme em uma cama sozinho à noite ou durante os cochilos diurnos, assim como fica algum tempo no balanço, bebê-conforto, moisés e outros aparelhos projetados para segurá-lo de modo que não tenha que ser carregado no colo. Isso é fonte de frustração e ansiedade para o bebê, que estava acostumado a sentir constantemente a conexão física com sua mãe. Colocá-lo em uma cama sozinho, em outro quarto, longe dos sons e sinais familiares, e longe do contato físico de que ele precisa pode produzir muito medo no bebê. Como ele ainda não teve a experiência ou o desenvolvimento cognitivo para lidar com estas situações, ele precisa da presença de outra pessoa para mediar os efeitos destas experiências emocionais. Muitos ditos "especialistas" hoje em dia clamam que você coloque seu bebê em sua própria cama e o "deixe chorar". Isso só cria uma atmosfera de medo e frustração para a criança, que não entende porque você se recusa a cuidar dela. Um sentimento muito básico de desconfiança começa a se desenvolver.
As crianças que levam horas durante a noite sem serem tocadas também estão perdendo o estímulo fisiológico vital de que precisam para funcionar apropriadamente.
Este artigo, original em inglês, pode ser lido em http://www.unhinderedliving.com/bed.htmlTraducao: Thania Thadeu